Sofreu quatro gols na 1ª fase do Mineiro, porém levou cinco só na semifinal. O que aconteceu com a defesa do Cruzeiro?

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

O Cruzeiro viveu uma grande fase no início de abril. O time ficou cinco jogos consecutivos sem sofrer gols e chegou ao fim da 1ª fase com os melhores números defensivos. Foram apenas quatro tentos sofridos em 11 jogos, ou seja, uma média impressionante de 0,36 por partida. A defesa aparentava estar sólida novamente, mas os últimos jogos evidenciaram o contrário.

Em meio a atuações ruins do coletivo, alguns erros defensivos chamaram a atenção. Em duas partidas contra o América, o Cruzeiro sofreu cinco gols e foi eliminado de forma justa do Campeonato Mineiro. Dos cinco gols, pelo menos três poderiam ter sido facilmente evitados, mas as falhas ocorreram e a Raposa terá 20 dias para chegar mais forte na Série B, grande objetivo do ano cruzeirense.

A manchete ressalta uma pergunta: o que aconteceu com a defesa do Cruzeiro? É complicado responder, mas o intuito da análise é mostrar que alguns pontos podem ser corrigidos em prol de uma equipe mais forte na 2ª divisão deste ano. O time mineiro não pode permanecer mais um ano na Série B e ajeitar a defesa é preponderante para um ano com bons resultados.

Raio-x dos gols sofridos

Nas últimas duas partidas, o Cruzeiro sofreu cinco gols e assustou a sua torcida, a qual é acostumada com uma defesa sólida. A título de exemplo, no último ano , a equipe teve a 3ª melhor defesa da Série B, mesmo com a 11ª campanha, ou seja, a Raposa, nos últimos anos, teve muita confiança na sua parte defensiva.

Por isso, é necessário detalhar como aconteceu cada um dos cinco gols sofridos frente ao América na semifinal do Mineiro para que possa ser analisada a razão de cada gol, visto que Fábio não falhou e, praticamente, não teve culpa em nenhum gol. Esta segurança defensiva dos últimos anos passa pelo goleiro histórico, atleta que segue em bom nível mesmo com idade avançada.

Os gols

  • 1º gol do América na 1ª partida: após cobrança de escanteio da esquerda, Alê subiu na primeira trave, com muita liberdade, e cabeceou tranquilamente;
  • 2º gol do América na 1ª partida: Leandro Carvalho estava na direita da defesa do Cruzeiro, cruzou a bola na área e Weverton abaixou a cabeça, imaginando que a bola chegaria em Fábio; no entanto, Ademir entrou livre na área e empurrou para o fundo do gol;
  • 1º gol do América na 2ª partida: Bruno José, ponta que não tem característica de bola aérea, estava marcando o forte zagueiro Eduardo Bauermann e cometeu um pênalti bobo; na cobrança, Rodolfo marcou;
  • 2º gol do América na 2ª partida: após chute de Ribamar, o braço de Ramon estava mais aberto do que permitido; na cobrança do pênalti, Rodolfo fez novamente;
  • 3º gol do América na 2ª partida: o Cruzeiro tentou, de forma desesperada, aproveitar o escanteio e deixou o contra-ataque para Ademir dividir com Claudinho; com isso, Ramon foi lançado e tocou na saída de Fábio;

Logo, é possível afirmar que houve problemas nos três primeiros gols. A má organização da bola aérea acarretou o 1º gol de cada partida e a falha individual de Weverton no 2º gol do 1º jogo também foi determinante. Já o 2º e 3º gol da 2ª partida não contou uma falha tão grande, visto que a mão de Ramon foi faltosa, mas sem intenção, e o contra-ataque cedido no 3º tento americano faz parte de um jogo onde o Cruzeiro estava desesperado atrás de um gol.

A falta de opções

Após perder Manoel, líder e jogador defensivo mais técnico, o Cruzeiro “efetivou” Weverton como titular e o jovem mostrou, desde a primeira partida, muito talento. Ao lado de Ramon, o zagueiro de 18 anos teve um grande desempenho contra o Atlético, no clássico do início de abril. Porém, juntamente com todo o sistema de marcação, Weverton caiu de nível e as falhas começaram a chamar a atenção. Além de problemas na marcação, o zagueiro errou várias vezes a saída de jogo no último duelo com o América e teve uma atuação ruim.

Um defensor de 18 anos falhar é normal, porém a Raposa não conta com um zagueiro à altura para revezar com a promessa da zaga. Eduardo Brock chegou recentemente e não conseguiu desempenhar um futebol digno da titularidade. Com algumas limitações, o defensor mereceu ficar no banco de suplentes nas últimas partidas.

Outra opção é o jovem Paulo, que é uma cria da base cruzeirense, assim como Weverton, mas a Rádio Itatiaia trouxe a informação nesta terça, 11, que o time mineiro irá negociar o atleta. A única outra opção é Léo, atleta que já não vivia um grande momento na última temporada e não entra em campo desde 19 de setembro devido a uma séria lesão. O histórico defensor do Cruzeiro esteve próximo de deixar a equipe há algumas semanas, mas a saída de Paulo indica que Léo pode ser reintegrado.

Porém, não é apenas o centro da zaga que está carente de opções. A ala-direita não conta com nenhum reserva e Raúl Cáceres foi titular em todas as partidas. Obviamente, o jogador já caiu de nível e o Cruzeiro carece por um reserva nesta posição para descansar o ala paraguaio. Na esquerda, Matheus Pereira é titular e conta com a fraca concorrência de Alan Ruschel, visto que o atleta que chegou da Chapecoense esteve mal em todas as partidas com a camisa azul.

Adaptação à linha alta

Além das falhas individuais e coletivas na organização das jogadas aéreas, é importante destacar que o próprio sistema de Felipe Conceição está passando por um momento especial, já que o time não está 100% adaptado à filosofia. O técnico cruzeirense pensa muito diferente em relação aos últimos treinadores da Raposa e isso foi detalhado aqui, ressaltando que seria necessário ter calma com as cobranças.

A calma e paciência devem estar atrelada às críticas para o time evoluir. Por isso, uma das principais questões defensivas da filosofia de Felipe necessita de uma atenção especial. O técnico tem a linha alta de marcação como uma característica marcante: os zagueiros ficam adiantados, a equipe tenta desarmar no campo adversário, quando a pressão é bem exercida, e os adversários que são lançados tendem a ficar impedidos.

No entanto, a falta de entrosamento da linha defensiva e, talvez, a baixa compreensão sobre a filosofia acarretam erros. Além destes cinco gols nas últimas duas derrotas, o Cruzeiro perdeu para o Pouso Alegre – por isso está em uma sequência de três derrotas em quatro jogos – e o time sofreu bastante com atletas nas costas da marcação.

Como estava jogando com a linha alta, a Raposa tentava deixar os adversários em posição irregular, mas o Pouso Alegre soube aproveitar o mau posicionamento de Ramon e Weverton e marcou um gol desta forma, além de chegar várias vezes com perigo.

O que aconteceu com a defesa do Cruzeiro?

Alguns pontos foram citados: as falhas individuais, o baixo número de opções para as posições defensivas e a filosofia, possivelmente, mal compreendida podem ter agravado a situação da defesa do Cruzeiro. Por isso, os próximos treinamentos e a ação da diretoria cruzeirense no mercado são importantíssimas para a sequência da temporada.

A Raposa sabe do seu grande objetivo na temporada: voltar para a elite do futebol brasileiro. O time teve uma ótima sequência que animou os seus torcedores, mas os últimos jogos e as falhas podem ter diminuído a animação da torcida. É certo que o Cruzeiro não está pronto e não irá sobrar na Série B, mas é necessário lembrar como o time estava no último ano e concluir que a equipe azul celeste está mais preparada.

Portanto, é importante que Felipe Conceição use esses 20 dias para evoluir a sua equipe e ajeitar a questão defensiva, e que a diretoria tenha eficiência no mercado. O Cruzeiro não tem um grande elenco e a saída de algumas peças durante a Série B, lesionado, por exemplo, pode prejudicar o desempenho de toda uma temporada.

Os treinamentos são cruciais porque Felipe Conceição poderá corrigir alguns pontos importantes, enxergar algumas melhores opções dentro do próprio elenco e indicar as reais carências à diretoria buscar os jogadores ideais no mercado. Foco, Cruzeiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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