Virada nos minutos finais, emoção e provocação! Cruzeiro sai ganhando, mas América vira e vence o clássico por 2 a 1

Discutiu, provocou e modificou a sua equipe: Lisca foi o personagem da partida. Foto: Mourão Panda / América

Teve praticamente de tudo no clássico mineiro deste domingo. O Cruzeiro dominou os primeiros 60 minutos, marcou um gol e o VAR anulou outro tento, mas se perdeu em campo nos minutos finais e sofreu uma virada marcante. Já o América não fez uma grande partida, porém ressurgiu no jogo com as boas substituições de Lisca, virou o placar com dois gols após os 40 da 2ª etapa e está próximo da final do Campeonato Mineiro. Mesmo assim, o confronto entre os times de Belo Horizonte está bem aberto e o clássico do próximo domingo será mais um grande jogo!

Neste domingo, 02, o Cruzeiro recebeu o América no Mineirão e o Coelho bateu o mandante da partida por 2 a 1, de virada, realizada nos minutos finais. Este jogo foi válido pela 1ª partida da semifinal do Campeonato Mineiro de 2021.

Com o resultado, o América deu um passo importante para chegar na final do Campeonato Mineiro. O Coelho já carregava a vantagem de ter ficado à frente na fase inicial – o time se classifica com dois empates ou com uma vitória e uma derrota com o mesmo saldo – e ampliou esta vantagem após vencer o Cruzeiro. Sendo assim, para se classificar, a Raposa terá que ganhar no próximo domingo, 09, às 16 horas, no Independência, por, no mínimo, dois gols de diferença do Coelho. Qualquer vitória americana, empate ou até mesmo vitória cruzeirense por apenas um gol de vantagem classifica a equipe de Lisca.

O jogo e as atuações individuais

O clássico entregou tudo que a rivalidade promete: emoção, provocação e um bom futebol. O Cruzeiro jogou bem e dominou com merecimento os primeiros 60 minutos da partida, porém, o time azul celeste perdeu a energia após o gol anulado de Airton e não chegou com tanto ímpeto. As substituições de Felipe Conceição também não foram boas e evidenciou o elenco fraco do Cruzeiro. Em contrapartida, o América estava com sérios problemas na criação de jogadas, mas, após as modificações de Lisca e devido à postura defensiva do Cruzeiro, o Coelho ressurgiu e balançou as redes duas vezes nos minutos finais.

Mesmo com a vitória, o clássico deixou um recado importante para o América: o time ainda não tem nível de Série A. O Coelho não conseguiu se impor contra o Cruzeiro e errou bastante na construção. Além de ir ao mercado, algumas peças devem evoluir em prol de uma escalação mais forte. Já o Cruzeiro, além da desatenção coletiva nos minutos finais, a parte defensiva, mesmo com excelentes números, deve contar com alguns ajustes. Weverton falhou algumas vezes, Ramon e Matheus Pereira estiveram desatentos e, após a saída de Adriano, o meio-campo não marcou. Reforços e treinamentos são necessários na Toca da Raposa.

Todavia, um dos pontos que mais chamaram a atenção do clássico foi, infelizmente, as provocações. O extracampo estava pesado desde o minuto inicial e os dois lados discutiram bastante. Após o gol cruzeirense, a comissão técnica da Raposa provocou o treinador Lisca. Depois da virada, o técnico do Coelho respondeu as provocações com deboche e a confusão foi parar até dentro de campo, visto que o goleiro Fábio e Lisca dialogaram de forma ríspida. Após o apito final, houve nova discussão na entrada dos vestiários e o clima não será ameno na próxima semana.

Cruzeiro x América

Os rivais iniciaram o duelo com força máxima e os treinadores Felipe Conceição e Lisca deixaram boas opções como suplentes. O mandante da partida, o Cruzeiro, entrou em campo com Fábio, Raúl Cáceres, Weverton, Ramon e Matheus Pereira; Adriano, Matheus Barbosa e Rômulo; Bruno José, Rafael Sóbis e Airton. Já o América contou com Matheus Cavichioli, Diego Ferreira, Anderson, Eduardo Bauermann e João Paulo; Zé Ricardo, Juninho e Alê; Bruno Nazário, Rodolfo e Felipe Azevedo.

O primeiro tempo

Fábio e Cavichioli em destaque

Os times começaram sem criar grandes chances. A primeira finalização da partida aconteceu aos 11, mas a primeira boa trama só ocorreu no minuto 21 da 1ª etapa. Rodolfo ganhou uma dividida de Adriano e acelerou a jogada pelo meio. O atacante tocou para Alê, o meio-campista que estava na esquerda cruzou rasteiro e Felipe Azevedo ajeitou para trás. Rodolfo bateu travado, a bola sobrou para Azevedo e o camisa 7 bateu de primeira. A bola tinha direção, mas Fábio fez uma grande defesa no seu canto direito.

No minuto 31, o Cruzeiro assustou duas vezes com Rafael Sobis. A primeira tentativa do camisa 10 foi de fora da área, em um chute venenoso, e o goleiro Matheus Cavichioli havia encaixado. No entanto, o goleiro americano soltou a bola ao visualizar que cairia dentro do gol e protagonizou um lance curioso. No escanteio seguinte, a Raposa colocou em prática uma jogada ensaiada e Sobis finalizou na entrada da área. A bola passou muito perto da trave esquerda de Cavichioli.

Aos 35, o duelo entre Rodolfo e Fábio chamou a atenção. Na primeira oportunidade, Rodolfo bateu uma falta com força e rasteira e a bola passou pela barreira, porém, Fábio evitou o gol do centroavante do Coelho com mais uma intervenção. No minuto seguinte, Rodolfo foi lançado na esquerda, acelerou, entrou na área e bateu cruzado. O goleiro cruzeirense fez a defesa novamente, mas o auxiliar havia assinalado corretamente o impedimento.

O caminho é com Bruno José

Os times estavam chegando, os goleiros estavam se destacando e o empate sem gols ainda estava presente no placar. No entanto, o Cruzeiro abriu o marcador e quase ampliou na sequência com duas jogadas parecidas.

Aos 37, Raúl Cáceres lançou Bruno José e o ponta-direita do Cruzeiro acelerou com muita liberdade na direita. O camisa 16 entrou na área e tocou para trás, encontrando Rafael Sobis. O experiente atacante cruzeirense bateu com a perna esquerda no canto direito de Cavichioli e balançou as redes. No entanto, o auxiliar assinalou impedimento de Bruno José e invalidou o gol. Após revisão do VAR, o árbitro da partida corrigiu a marcação da posição irregular de Bruno e confirmou o gol de Rafael Sobis. 1 a 0 no placar do Mineirão.

Sete minutos depois, aos 44, o Cruzeiro chegou próximo do gol em jogada semelhante. Matheus Pereira lançou Bruno José – desta vez, o ponta estava na esquerda -, acelerou e, mesmo com a tentativa de falta de Eduardo Bauermann, entrou na área buscando o gol. Com muita raça, Bruno José tentou driblar o goleiro, mas foi parado pela defesa americana. A zaga afastou o perigo e este lance finalizou um primeiro tempo bom e com vantagem cruzeirense.

O segundo tempo

O VAR em evidência novamente

O 2º tempo começou com o mesmo destaque ofensivo do América: Rodolfo. Aos 8, Felipe Azevedo fez um passe vertical, Juninho passou pela bola e o lançamento encontrou o atacante do coelho. Com muita liberdade – Matheus Pereira e Ramon ficaram olhando o camisa 9 do América -, Rodolfo entrou de carrinho na bola e bateu com direção da meta de Fábio. A tentativa explodiu no travessão e assustou a torcida azul celeste.

Depois deste lance, Airton resolveu aparecer pelo lado cruzeirense. Aos 13, Rafael Sobis tocou para Matheus Barbosa e o camisa 17 cruzou. Diego Ferreira, lateral do América, tirou da área, Sobis aproveitou o rebote e o seu chute teve desvio. Após bater na marcação, a bola sobrou nos pés de Airton e o atacante estava dentro da pequena área, em posição legal. Com muita tranquilidade, o camisa 7 bateu e marcou o segundo gol cruzeirense. Porém, após revisão do VAR, o árbitro assinalou impedimento na origem da jogada – Matheus Barbosa estava adiantado – e o gol de Airton foi corretamente anulado.

Com desejo de marcar o seu gol, Airton chegou com muito ímpeto três minutos depois. Aos 16, Airton fez boa jogada, levou da esquerda para o meio e bateu forte. A finalização foi muito boa e Matheus Cavichioli fez uma grande defesa.

A virada americana

O jogo foi chegando ao fim sem grandes tramas. Com o placar favorável, o Cruzeiro relaxou após o gol anulado e não chegou ao ataque. Já o América foi melhorando em campo e ganhando espaço no campo ofensivo, principalmente após as substituições. Os dois times promoveram cinco modificações e, enquanto a Raposa piorou muito em campo, o América ressurgiu e virou o placar.

Aos 40, Leandro Carvalho cobrou muito bem um escanteio pela esquerda e o América empatou a partida. O bom cruzamento do camisa 21 chegou na cabeça de Alê e o meio-campista subiu livre na primeira trave. O camisa 11 do América cabeceou e sequer deu chances para Fábio. 1 a 1 no marcador.

Com a animação do gol, o Coelho seguiu em cima e conseguiu virar a partida. Aos 45 da 2ª etapa, Leandro Carvalho recebeu na esquerda e fez um cruzamento rasante para a área. O zagueiro Weverton abaixou – certamente, pensou que a bola iria para o goleiro Fábio -, Ramon não acompanhou e Ademir entrou com muita velocidade e esperteza para virar a partida. O ponta americano se jogou na bola e empurrou para as redes do arqueiro cruzeirense. Fábio havia pulado para o outro lado e não conseguiu sequer “aparecer na foto”. Um importante gol do América. O gol da virada do Coelho: 2 a 1 no placar.

Os acréscimos foram tensos, com muitas provocações e nenhuma grande jogada.

O fim do jogo

A disputa está bem aberta. O Cruzeiro já mostrou que tem capacidade para buscar uma vitória por dois gols de diferença no próximo domingo. Já o América tem uma grande vantagem nas mãos e deve apenas administrá-la no jogo da volta da semifinal do Mineiro. Assim como em todas as partidas de futebol, o jogo deste domingo foi resolvido em detalhes. No entanto, a desatenção e as entradas de jogadores reservas que não agregaram ao time cruzeirense se tornaram detalhes determinantes para a derrota da Raposa. Ambos os times devem melhorar e a briga pela vaga na final do estadual irá “pegar fogo”!

Números da partida
Cruzeiro x América
56% Posse de bola 44%
10 Finalizações 13
4 Finalizações no gol 6
4 Escanteios 3
18 Faltas 7
400 Passes 326
352 (88%) Passes certos 284(87,1%)
Fonte: Footstats

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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