A possível saída de Léo evidencia a nova realidade do Cruzeiro: é o momento dos meninos da base

Stênio e Marco Antônio correndo atrás de oportunidades. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

A possível saída de um jogador histórico repercutiu bastante nos bastidores do Cruzeiro nesta semana. Segundo informações do UOL, a equipe mineira e o zagueiro Léo haviam feito um acordo para o contrato ser rompido. No entanto, o jogador se retratou nas redes sociais e afirmou que ainda não há nada decidido. Léo afirmou que tem interesse em permanecer na Raposa, mas, se acontecer algo, ele será o primeiro a falar.

Leonardo Renan Simões de Lacerda chegou no Cruzeiro em 2010 e já entrou em campo em 402 jogos com a camisa azul celeste. O atleta conquistou duas vezes o Brasileirão e possui outras duas taças da Copa do Brasil, além de ser tetracampeão mineiro. Um jogador histórico da Raposa que preferiu continuar no time em 2020, mesmo após visualizar o momento que o Cruzeiro estava vivendo.

Léo é realmente um jogador diferente. Porém, mesmo estando na história de um clube tão grande como o Cruzeiro, a passagem do zagueiro está chegando ao fim. No último ano, o atleta foi titular até 19 de setembro, porém, desde então, Léo está se recuperando de uma lesão. O atleta foi até para os Estados Unidos e bancou o próprio tratamento, a fim de se recuperar. Desde o início de abril, Léo está na Toca da Raposa treinando para recuperar a forma física.

Porém, como discutido nos últimos dias, a rescisão entre o Cruzeiro e o atleta é uma possibilidade. Léo tem 33 anos, tem contrato até o fim de 2022 e chegou na Toca da Raposa com 22 anos. A rescisão do vínculo pode ser o melhor caminho para todos, inclusive para as joias da base. A possível saída de Léo evidencia a nova realidade da Raposa: é o momento dos meninos da base.

2020 x 2021

Se Léo deixar o Cruzeiro – novidades devem surgir em breve neste caso -, a movimentação irá acarretar um pensamento óbvio: o Cruzeiro resolveu, definitivamente, olhar para a sua base. Após perder Manoel para o Fluminense, contar com um zagueiro experiente como Léo era plausível. No entanto, a possibilidade de rescisão, como apurada por vários meios de comunicação, existe e pode acontecer nos próximos dias. Se houver o rompimento do contrato, o Cruzeiro deixa claro o seu novo pensamento de dar oportunidade aos garotos.

Atualmente, na zaga, a Raposa conta com Eduardo Brock e Ramon como defensores mais experientes e com Weverton e Paulo, duas crias da base. Weverton está sendo titular ao lado de Ramon e está se destacando. Para dar mais possibilidades para estes jogadores evoluírem e desafogar a parte financeira, a saída de Léo pode ser um bom caminho.

E esta mudança brusca de filosofia impacta porque o Cruzeiro vem de temporadas com muitos veteranos. Por exemplo, na última Série B, contra o Sampaio Corrêa, o Cruzeiro foi a campo com Fábio; Daniel Guedes, Ramon, Manoel e Giovanni; Henrique, Machado e Régis; Airton, Sassá e Arthur Caíke. Portanto, não tinha nenhum jogador criado na Toca da Raposa em campo e a equipe era muito mais velha que o plantel de 2021.

Neste ano, além de Weverton, o volante Adriano e o lateral-esquerdo Matheus Pereira são titulares indiscutíveis, ou seja, o Cruzeiro tem na sua espinha dorsal três atletas que foram criados em casa. Principalmente para equipes que estão com problemas financeiros, utilizar a base é o caminho ideal para fazer boas vendas e, consequentemente, lucrar bastante.

O momento é deles

Existe uma diferença clara entre o fim da última temporada e o início da atual: o treinador. Luiz Felipe Scolari dirigiu a equipe no término do último ano esportivo e optou por jogadores mais consolidados. A título de exemplo, antes da chegada de Felipão, Cacá era titular absoluto, mas se tornou banco daquele time e até deixou o Cruzeiro no início deste ano. Por outro lado, Felipe Conceição não começou o seu trabalho apostando nos garotos, mas conseguiu, rapidamente, enxergar que algumas joias eram as melhores opções.

Adriano perdeu apenas uma partida na temporada e é importante destacar que o motivo da ausência do volante foi desgaste. O jovem já somou 60% dos minutos da última temporada e ultrapassará a marca rapidamente, visto que é um pilar do meio-campo. Na última partida, frente ao Patrocinense, Adriano foi um dos destaques e está cada dia melhor na parte ofensiva, dando passes verticais.

Matheus Pereira teve muitas oscilações no fim da última temporada e no início da atual, mas o lateral-esquerdo jogou muito bem nas partidas derradeiras. O começo da sua carreira, em meio à Série B, foi uma chance grandiosa, mas complicada. Matheus teve muita personalidade e mostrou o seu talento. Mesmo com a concorrência de Alan Ruschel, a ala-esquerda é de Matheus Pereira.

O zagueiro Weverton foi a última joia a aparecer, porém o talentoso defensor já deixou claro que está preparado. Com muita qualidade na zaga e sabedoria na saída de jogo, Weverton entrou no lugar de Manoel e já se mostrou preparado para a função.

Além destes três titulares, o Cruzeiro já utilizou Geovane, Kaiki, Marco Antônio, Stênio e Thiago. O zagueiro Paulo também faz parte do elenco, mas ainda não teve chances.

Ir ao mercado?

O Cruzeiro tem um grande objetivo em 2021: voltar à Série A do Brasileirão. A mescla entre jogadores experientes como Fábio, Rômulo e Rafael Sobis e estas promessas pode alavancar a campanha cruzeirense na 2ª divisão deste ano. Entretanto, o elenco está preparado?

O Cruzeiro conta com boas peças de todas as idades e, cada dia mais, ganha confiança para apostar nas crias da base. Porém, alguns ajustes no elenco devem ser feitos. A equipe mineira tinha contratado Yeison Guzmán, mas o jogador desistiu. Logo, a diretoria havia enxergado uma carência no setor de meio-campo, principalmente na criação. Reforçar esse setor é preponderante.

Com todos estes problemas financeiros, a obrigação do Cruzeiro é não provocar novas dívidas e vender jogadores. E nisto o time azul celeste está na direção certa. Ao utilizar promessas, as vendas são facilitadas e podem acontecer em breve. Cabe à diretoria do Cruzeiro entender que os garotos precisam de respaldo para altos e baixos – algo comum para jogadores desta idade.

Portanto, ir ao mercado é uma ação que deve ser realizada, mas com cuidado para não aumentar os gastos e tampouco “esconder” alguns jovens talentosos. Além disso, a questão de Léo deve ser resolvida e, caso deixe o Cruzeiro, a torcida deverá homenagear o 18º atleta com mais jogos da história da equipe. Diretoria, ao trabalho e garotos, boa evolução!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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