Além de resolver um “problema” no elenco, ao usar Hulk como camisa 9, o Atlético evita gastos desnecessários

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O resultado desta terça-feira, 28, não foi positivo só no placar, mas também na questão das atuações. A partida do Atlético frente ao América de Cali acalmou as diversas críticas – quase todas justas – sobre o trabalho de Cuca. Foram três pontos bem conquistados e merecidos, mesmo com o sofrimento dos minutos finais, o qual foi acarretado pelo erro infantil de Tchê Tchê, jogador que estava fazendo uma boa partida até essa falha.

Além da atuação coletiva, dois jogadores ganharam chance no último jogo e aproveitaram para se consolidar na equipe titular.

Matías Zaracho iniciou a temporada jogando muito bem, perdeu oportunidades com a chegada de Cuca e a torcida cobrou o retorno do argentino. Contra o América de Cali, Zaracho entrou como titular, deu muita dinâmica ao time atleticano e era o melhor em campo até o momento da sua lesão. Segundo o Atlético, o jovem meio-campista teve apenas um entorse no tornozelo direito e o tratamento intensivo inicia nesta quarta-feira, 28. Certamente, quando estiver recuperado, Zaracho será titular do Galo.

Outro atleta que aproveitou a oportunidade para mostrar que está pronto para ser titular foi Givanildo Vieira de Sousa. O atacante Hulk entrou no 2º tempo, jogou centralizado e marcou dois gols, além da ótima movimentação abrindo espaços e acelerando jogadas. Além de resolver um “problema” no elenco, ao utilizar Hulk como camisa 9, o Atlético evita gastos desnecessários.

A estrela

Hulk não é um atleta barato. Hulk é um jogador que chama a atenção. O atacante ex-Seleção Brasileira é um dos grandes nomes do futebol nacional para a temporada de 2021 e as suas primeiras atuações ruins atraíram desconfiança. O próprio jogador assumiu que estava abaixo do nível que ele pode jogar e estava se cobrando para atuar melhor. O desempenho da última partida foi bom e Hulk, enfim, chegou ao Atlético.

O problema de contar com uma estrela no elenco é o momento de deixar este jogador tão badalado no banco. Hulk recebe bastante e até mesmo os investidores do Galo não desejam ver o jogador no banco de reservas. O atacante reclamou publicamente, após o jogo contra o Athletic, sobre a falta de sequência – confira aqui detalhes dessa declaração. Isso é certo: para um jogador de 34 anos, forte fisicamente como Hulk, ficar no banco de reserva após voltar do futebol chinês não é o melhor caminho para adaptação.

No entanto, o atleta não tinha jogado bem em nenhuma partida pelo Atlético e, como todos sabem, no futebol, um jogador ganha a vaga dentro de campo e não em entrevistas. E, curiosamente, Hulk fez por merecer três dias após a sua entrevista e deve ser titular do Atlético nas próximas partidas.

O jogador conquistou o espaço após sair do banco, marcar dois gols e jogar bem contra o América de Cali, partida mais importante desta temporada atleticana, visto que um tropeço em casa na fase de grupos da Libertadores poderia acarretar uma eliminação precoce. Hulk jogou como centroavante, se movimentou bastante e ganhou o seu espaço. Além disso, a estrela do Atlético deve ficar fora do banco de reservas, resolvendo um “problema” interno entre o treinador Cuca e o atacante. Uma boa atuação pode ter resolvido uma questão interna e uma questão esportiva importante.

As atuações

Na verdade, as duas últimas atuações chamaram a atenção. Hulk foi destaque do 1º tempo contra o Athletic e da 2ª etapa frente ao América de Cali. O jogador atuou como referência nas duas partidas e, além de estar mais próximo do gol para balançar as redes, Hulk municiou os seus companheiros. Devido à sua força física incrível, o camisa 7 do Galo consegue, com certa facilidade, fazer o pivô sobre os defensores.

Esta característica foi detalhada pelo Blog Bola Pra Frente por meio de uma análise, em fevereiro, quando o atacante chegou. A função de centroavante para Hulk foi descrita como uma possibilidade curiosa e muito eficaz caso ele compreendesse como usar as suas características para ser o camisa 9 do Galo. E, aparentemente, ele compreendeu.

Além da força física, o “poder de fogo” do atacante atleticano é muito grande e o jogador estar perto da área é um risco para o adversário. Frente ao Athletic, o camisa 7 alvinegro não teve grandes chances, mas, contra o América de Cali, Hulk fez a sua parte e esteve bem posicionado. A única questão que ainda pode atrapalhar a sequência de boas atuações do atacante é a parte física, visto que Hulk fez bons 45 minutos apenas e necessita atuar mais de 60 minutos para ser titular. Esta questão deve ser analisada nos próximos jogos.

Gastos desnecessários

A utilização de Hulk como centroavante pode resolver o problema interno – a questão de deixar o atacante badalado no banco -, deve melhorar a parte esportiva com as boas atuações e tende a evitar gastos desnecessários do Atlético. Além de Diego Tardelli, Eduardo Sasha e Eduardo Vargas, o técnico Cuca ganhou uma nova opção para atuar centralizado e a tendência é que os pedidos por um novo centroavante diminuam.

No último final de semana, em 25 de abril, a Rádio Itatiaia trouxe a informação que o técnico Cuca havia pedido a contratação do atacante Amarildo, destaque da Caldense, 7ª colocada do Campeonato Mineiro. O treinador atleticano estava desejando um “camisa 9” e gostaria de contar com o atleta de 22 anos. Posteriormente, a Itatiaia afirmou que Amarildo foi contratado pelo Tombense e não deve se tornar jogador do Galo nesta temporada.

Mas o Atlético precisava de um novo jogador no ataque ou seria uma contratação desnecessária? Com tantas boas e badaladas opções no ataque, além das ótimas promessas da base, o Galo não tem nenhuma carência na parte ofensiva. Nos dois extremos, o elenco atleticano conta com pontas destros e canhotos, dribladores e finalizadores, joias e jogadores consolidados. Centralizado, como citado anteriormente, o time de BH possui atacantes rápidos, matadores e, a partir de agora, ganhou uma referência forte fisicamente.

É óbvio que o Atlético ainda não conta com um centroavante alto, cabeceador e tão característico, como Jô em 2013, quando Cuca passou pela primeira vez pelo time mineiro. No entanto, o futebol atual não obriga as equipes a utilizarem um jogador como este e o Galo tem um forte e polivalente elenco. Ao entender que o plantel é excelente e com várias possibilidades, Cuca pode deixar alguns pedidos de lado e ajudar o próprio clube, visto que, em meio aos problemas financeiros, evitar contratações é um ótimo caminho.

Ir ao mercado?

As dívidas atleticanas estão sendo esmiuçadas e isso é ótimo para o próprio clube. Mesmo assim, com ajuda dos investidores, o Atlético segue contratando bons jogadores. Nesta temporada, além do próprio Hulk, Dodô, Nacho Fernández e Tchê Tchê chegaram. Os pedidos para reforçar o centro do ataque existiram, como a Rádio Itatiaia noticiou, porém devem esfriar após as boas apresentações de Hulk.

E o Galo precisa ir ao mercado atualmente? O time conta com os problemas financeiros e não deve fazer grandes investimentos, mas contratações pontuais podem acontecer, principalmente se algum jogador for vendido. O Atlético tem metas no orçamento sobre vendas de atletas e isso pode acontecer.

Uma questão importante é dar sequência ao time para observar se serão necessários reforços, além de dar oportunidade para todos os jogadores. A defesa é o principal ponto que a massa atleticana pede por contratações, porém o mercado está escasso de zagueiros e o Galo contou com boas partidas de Igor Rabello nas últimas oportunidades.

O Atlético deve seguir potencializando o forte elenco construído. Existem várias opções dentro do próprio plantel. A forma de jogo interfere, mas é necessário tempo para algumas peças se encaixarem. Hulk aparenta estar pronto para jogar como um camisa 9 ao lado de Keno e Savarino. Além do problema interno de deixar uma estrela no banco, ter o atacante em campo é o melhor para o Atlético no âmbito esportivo e financeiro. Após estas últimas partidas, o super-herói atleticano, finalmente, chegou!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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