Em atuação fraca, o líder Atlético sofre para vencer o rebaixado Boa Esporte por 2 a 1

Foto: Pedro Souza / Atlético

Analisando apenas as estatísticas, vários torcedores podem não concordar com a definição de atuação fraca, visto que o time da capital finalizou 24 vezes e o goleiro adversário foi o grande nome do jogo. No entanto, o Atlético conta com ótimos jogadores, tem grandes objetivos na temporada e não pode se contentar com mais uma atuação deste nível contra um adversário rebaixado no estadual. Cuca fez mudanças estranhas nesta partida e, felizmente para a massa atleticana, conseguiu buscar a vitória no fim do 2º tempo, em um gol irregular. A parte positiva da partida é que o Galo se garantiu na liderança da fase inicial do estadual.

Neste domingo, 18, o Atlético venceu o Boa Esporte por 2 a 1 graças aos gols de Eduardo Vargas e Guilherme Arana – Tiaguinho marcou para o time do interior. O jogo realizado no Mineirão foi válido pela 10ª rodada do estadual e deu fim a duas disputas importantes do Mineiro de 2021: a liderança e o rebaixamento.

Com o resultado, os extremos foram confirmados. Enquanto o Atlético se garantiu como líder da fase inicial, o Boa Esporte se afirmou como o outro time rebaixado ao Módulo II do Mineiro, se juntando ao Coimbra. O Galo chegou aos 25 pontos em 30 disputados e é o melhor time da fase inicial do Mineiro. Portanto, terá a vantagem de jogar por dois empates na semifinal e numa possível decisão. Já o Boa Esporte ficou com apenas 5 pontos e está em 11º.

O jogo e as atuações individuais

O Atlético segue sem convencer a todos. O time tem potencial para encantar, principalmente contra equipes modestas como o Boa Esporte, mas segue sem cumprir a sua obrigação nas últimas rodadas. Após perder o clássico para o Cruzeiro, a torcida atleticana esperava uma postura melhor em campo, mas acabou vendo um time no mesmo nível baixo de atuação, sem raça e as perspectivas para o início da Libertadores – na próxima quarta, 21 – não são as melhores.

A postura sonolenta do Atlético pode ser analisada com dados dos primeiros 25 minutos de jogo: o Galo foi finalizar pela primeira vez no gol adversário aos 21, logo após sofrer o gol, ou seja, o time de Cuca precisou ver suas redes balançarem para acordar no duelo. E é importante destacar que em nove partidas no Mineiro, o Boa Esporte havia marcado apenas cinco gols, tendo o 2º pior ataque e a 2ª pior campanha. Com todas as suas responsabilidades, o Atlético deveria ter jogado melhor e derrotado o adversário com facilidade.

Como ponto positivo, vale destacar o talento do jovem Sávio. Mesmo com alguns erros, a promessa atleticana jogou 45 minutos e mostrou, novamente, ter confiança na sua habilidade. O menino de 17 anos é uma joia a ser lapidada. Outros destaques positivos foram Éverson, Guilherme Arana e Nacho Fernández, atletas que levaram o Atlético, mesmo em uma atuação ruim, à vitória. Além da atuação coletiva, os destaques negativos ficam para o jogo de Alonso, Keno e Réver, atletas que possuem qualidade, mas não atuaram bem. Eduardo Vargas tentou bastante, marcou dois gols e obrigou o grande goleiro adversário a fazer boas defesas, mas não pode perder tantas chances claras.

Atlético x Boa Esporte

O Atlético entrou em campo com algumas novidades. O técnico Cuca contava com Igor Rabello e Hulk suspensos e Diego Tardelli e Jair machucados. Além disso, o venezuelano Savarino foi preservado por questões físicas. Por isso, o Galo contou com Éverson, Guga, Réver, Alonso e Arana; Tchê Tchê, Allan, Dylan Borrero e Nacho Fernández; Keno e Vargas.

1º tempo

Demorou, mas esquentou

O jogo começou bem morno. Até o minuto 20, o Atlético havia finalizado duas vezes – ambas sem a direção correta – e o Boa Esporte não tinha arrematado. O jogo demorou a ficar bom, mas esquentou de uma vez só.

Aos 20, Réver saiu para disputar a bola aérea na intermediária e perdeu. A bola sobrou e foi dividida por Alonso e Romeu. O camisa 8 ganhou com facilidade do zagueiro paraguaio, Dieguinho ficou com a bola, acelerou pelo meio e, dentro da meia-lua, bateu para o gol. O chute do atacante acertou a trave e voltou nas costas de Éverson. Com esse desvio, a bola sobrou nos pés de Tiaguinho, atleta que empurrou para as redes e abriu o placar: 1 a 0 surpreendente para o Boa Esporte.

Após sofrer o gol, o Atlético acordou e começou a ser mais agressivo. Aos 21, Nacho Fernández cobrou falta na cabeça de Keno e o camisa 11 cabeceou no meio do gol. Esta foi a primeira finalização correta do Galo na partida. Três minutos depois, Nacho bateu uma falta com muita curva e obrigou o goleiro Carlos Miguel a fazer grande defesa.

Bola chilena na rede do Boa

O Galo balançou as redes duas vezes entre os minutos 25 e 29, mas o primeiro gol foi anulado. Aos 25, Guilherme Arana foi ao fundo e cruzou. Vargas estava no meio da área e tentou raspar no cruzamento, mas não conseguiu e a bola sobrou para Dylan Borrero. O colombiano tocou para o meio e Vargas deu uma linda “puxeta”, marcando o gol atleticano. Porém, o auxiliar assinalou o impedimento do atacante chileno e o comentarista de arbitragem da TV Globo, Paulo César de Oliveira, disse que a marcação foi correta, visto que Vargas estava um pouco adiantado após o toque de Borrero.

No entanto, o chileno estava querendo marcar o seu gol e fez aos 29 da 1ª etapa. Em cobrança de escanteio curto, Arana cruzou na 2ª trave e Alonso escorou para o meio. Após a boa assistência do zagueiro paraguaio, Vargas deu um toque e tirou o goleiro Carlos Miguel da jogada. Com o gol livre, o atacante chileno e dono da camisa 10 do Galo empurrou para o fundo das redes. Gol de Vargas e gol de empate do Atlético: 1 a 1 no placar.

O jogo deu uma esfriada e tiveram várias faltas do Boa Esporte, principalmente em Nacho Fernández. Com dificuldade na organização, o Atlético chegou apenas no minuto 46. Guilherme Arana tocou para Tchê Tchê e o volante ajeitou para Eduardo Vargas. O autor do 1º gol estava dentro da meia-lua e chutou forte. O goleiro Carlos Miguel fez uma defesa incrível e decretou o empate no placar do 1º tempo.

2º tempo

Os 45 minutos finais começaram com duas substituições de Cuca e uma destas modificações foi bem curiosa. O técnico do Atlético tirou Guga e colocou Mariano, em uma mudança na lateral direita. Já o jovem Sávio entrou na vaga de Alonso e Cuca mudou o posicionamento de vários jogadores. Allan foi remanejado para a zaga, Tchê Tchê ficou fixo como primeiro volante e Dylan foi recuado, dando a ponta-direita para Sávio.

Oportunidades perdidas

O Atlético entrou no 2º tempo com maior ímpeto ofensivo, contudo a desorganização continuou acontecendo e o Galo perdeu algumas boas chances. Aos 3, Nacho fez grande jogada após escanteio curto e tocou para Sávio. A promessa atleticana bateu forte de fora da área e a tentativa teve desvio. No minuto seguinte, Arana foi ao fundo e cruzou para a área. Sávio novamente apareceu, subiu muito e cabeceou. A bola passou perto, assustando o goleiro Carlos Miguel.

No minuto 14, o Atlético fez uma boa jogada ensaiada. Nacho Fernández bateu uma falta lateral e encontrou Arana na intermediária. O lateral-esquerdo arriscou de longe e a tentativa tirou tinta do gol do Boa Esporte. A finalização foi muito boa e passou bem perto da meta. No minuto seguinte, Sávio deixou Vargas em ótimas condições. O chileno entrou na área e bateu cruzado, mas encontrou Carlos Miguel, novamente, muito bem posicionado. Outra boa defesa do destaque do Boa.

E Vargas ainda perdeu uma boa chance no minuto 16. Após passe de Nacho para Dylan Borrero, o colombiano cruzou muito bem para Eduardo Vargas e o chileno perdeu uma grande chance. O camisa 10 estava dentro da pequena área, tentou tirar do goleiro e tirou do gol também. Uma grande chance perdida.

Modificações e quase gol do Boa

Devido ao placar indesejado, o técnico Cuca tentou mexer na equipe. Aos 24, Sasha e Marrony entraram no lugar de Dylan Borrero e Eduardo Vargas. Nove minutos depois, Keno saiu para a entrada de Nathan.

As substituições atleticanas quase deram um resultado claro aos 28 do 2º tempo. Sávio fez ótima jogada pela esquerda e cruzou para Marrony. O artilheiro atleticano no Mineiro – juntamente com Nacho e Vargas – cabeceou bem, mas Carlos Miguel fez mais uma defesa. E Marrony quase marcou no minuto 36, quando Guilherme Arana cruzou, a bola desviou e o camisa 38 do Galo tentou de cabeça. Desta vez, a bola passou perto do gol do Boa Esporte.

Em meio às tentativas atleticanas, o Boa Esporte chegou muito perto de marcar o gol da vitória. Aos 35, um minuto antes do 2º arremate de Marrony, o goleiro Éverson fez uma grande defesa. Após cruzamento na área, a bola passou por todos e Marrony tentou tirar. Jefferson aproveitou a falha do atacante atleticano e deu um voleio na bola. O goleiro do Galo saiu para abafar e fez uma excelente intervenção com o rosto. Uma baita defesa de Éverson!

Minutos finais e o gol da vitória

O Atlético precisava vencer para se garantir na 1ª posição e o triunfo era o resultado esperado pela diferença dos elencos. Já o Boa Esporte desejava derrotar o poderoso rival porque seria rebaixado com qualquer tropeço. Logo, os dois times queriam vencer e o jogo ficou aberto.A equipe que tem mais talento chegou mais perto e conseguiu o objetivo.

Aos 40, após cruzamento de Mariano, Réver cabeceou e Carlos Miguel fez mais uma grande defesa. No entanto, aos 43, o grande goleiro do Boa Esporte não conseguiu evitar o gol atleticano.

Nacho Fernández estava entrando na área e foi derrubado por Dieguinho. O atacante do Boa tocou na perna do argentino, causando o famoso “trança-pé”. O árbitro marcou o pênalti, porém Paulo César de Oliveira, comentarista de arbitragem da Globo, disse que a marcação foi equivocada, já que a falta aconteceu fora da área. Como o Mineiro não conta com o VAR na fase inicial, o pênalti para o Atlético definiu a partida.

Guilherme Arana cobrou no ângulo esquerdo de Carlos Miguel, sem chances para o goleiro que pulou para o lado direito. Gol da vitória atleticana: 2 a 1 no placar e fim de jogo.

Números da partida
Atlético x Boa Esporte

68% Posse de bola 32%
24 Finalizações 11
9 Finalizações no gol 4
21 Escanteios 2
3 Impedimentos 0
13 Faltas 18
515Passes 143
489 (95%) Passes certos 123 (86%)
Fonte: Footstats

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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