Muita garra, vontade e merecimento! Cruzeiro vence o Atlético por 1 a 0 no clássico mineiro

A comemoração de Airton mostra o que diferenciou as equipes: a vontade. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Um placar surpreendente para quem não acompanhou a partida. Um placar justíssimo para quem viu o jogo que contou com apenas um time com vontade. Mesmo com menos investimento, com menos qualidade e com objetivo bem diferente, o Cruzeiro se impôs desde o primeiro minuto e mereceu a vitória sobre o rival Atlético. O Galo de Cuca esteve, durante os 90 minutos, em uma atuação irreconhecível, desorganizada e o desempenho deve ser reavaliado.

Neste domingo, 11, no clássico que comemora os 100 anos da rivalidade, o Cruzeiro venceu o Atlético por 1 a 0 graças ao gol de Airton. O jogo, que foi válido pela 9ª rodada do Mineiro, foi realizado no Mineirão e contou com uma justa vitória cruzeirense. 

Com o resultado, o Cruzeiro assumiu, pelo menos temporariamente, a vice-liderança do estadual. A equipe de Felipe Conceição alcançou os 17 pontos e ultrapassou o América, mas o Coelho ainda joga neste domingo e pode retomar o 2º lugar. Já o Atlético segue com 21 pontos e viu a diferença para o 2º colocado diminuir para quatro pontos, ou seja, ainda precisará de uma vitória para se garantir na 1ª posição da fase inicial do Mineiro.

O jogo e as atuações individuais

Em todo clássico, Minas Gerais se divide em um lado azul celeste e em um lado alvinegro. Na metade cruzeirense, a vitória foi importante demais para ganhar confiança e entender que a equipe conseguirá seus objetivos com esta determinação. Já do outro lado do estado, a torcida atleticana tem todo o direito de ficar preocupada, já que o time não conseguiu se mostrar organizado na partida. Enfim, um clássico de um time só e, surpreendentemente, da equipe que conta com um elenco mais modesto. 

Muitas pessoas falaram sobre o favoritismo atleticano e a possibilidade de uma goleada, mas outras pessoas fizeram questão de ressaltar que este favoritismo não ganha o jogo. O recado está no placar. O Atlético tem mais time, mais investimento e uma possível temporada mais vitoriosa, mas apenas no papel não é possível vencer jogos, competições e muito menos clássicos. Fique atento, Atlético!

Já o Cruzeiro deixou claro, desde o início da partida, que estava entendendo do que se tratava aquela partida. A partir do minuto inicial até o apito final, o Cruzeiro mostrou muita raça, vontade e qualidade, visto que aproveitou a única chance clara que teve – com Airton -, enquanto o Galo perdeu a sua grande oportunidade – com Vargas, em grande defesa de Fábio.

O primeiro tempo

As escalações

O Cruzeiro, mandante da partida, entrou em campo com força máxima, já que o zagueiro Manoel pediu para deixar a equipe. Com isso, a Raposa foi escalada com Fábio, Raúl Cáceres, Weverton, Ramon e Matheus Pereira; Adriano, Matheus Barbosa e Marcinho; Airton, Rafael Sobis e Bruno José.

Já o Atlético de Cuca colocou em campo uma formação modificada, já que Tchê Tchê foi escalado e o clássico marcou a estreia do volante com a camisa atleticana. Logo, o Galo entrou no duelo frente ao Cruzeiro com Éverson, Guga, Igor Rabello, Alonso e Arana; Allan, Tchê Tchê e Nacho Fernández; Savarino, Vargas e Keno.

Início “truncado

A primeira boa chegada aconteceu aos 11 minutos da 1ª etapa. O lateral-direito atleticano, Guga, foi ao fundo e fez o cruzamento para trás, encontrando Eduardo Vargas. O camisa 10 do Galo estava dentro da meia-lua e arriscou. O chute do chileno subiu muito e passou por cima da meta de Fábio.

Aos 13, o atacante do Galo teve outra chance. Nacho Fernández recebeu no meio e viu a infiltração de Vargas. O passe do argentino chegou no atacante chileno e Eduardo Vargas chutou, novamente. Nesta oportunidade, Fábio fez a defesa em dois tempos e salvou a Raposa.

O início do 1º tempo foi muito “truncado”, já que o Cruzeiro fez uma marcação pressão e o Atlético não estava fazendo uma saída de jogo eficaz. A organização atleticana estava ruim e o time cruzeirense equilibrou a partida, com direito a muitas faltas cometidas. A título de exemplo, até o minuto 20, o Cruzeiro havia cometido oito faltas, enquanto o Atlético tinha feito quatro faltas e finalizado duas vezes, ou seja, os únicos arremates destes minutos iniciais foram de Eduardo Vargas.

Minutos finais horrorosos

Aos 34, Igor Rabello cometeu uma falta ao levantar o pé muito alto dentro da meia-lua. Com uma falta tão próxima do gol, o Cruzeiro teve a sua melhor chance no 1º tempo. O camisa 10 e líder técnico da equipe, Rafael Sobis, cobrou a falta de forma rasteira e Éverson fez a defesa. 

No minuto 41, o Atlético reclamou de um toque na mão de Matheus Pereira. Na entrada da área, Keno arriscou e a bola bateu no braço do lateral cruzeirense. O juiz mandou o jogo seguir por entender que o braço estava colado ao corpo. Porém, o comentarista de arbitragem da TV Globo, Paulo César Oliveira, observou que o braço estava aberto e bloqueou a jogada, ou seja, o pênalti deveria ter sido marcado, segundo o comentário de PC Oliveira.

Os minutos finais da 1ª etapa foram horrorosos pelo nível técnico, visto que apenas faltas eram cometidas e os times não conseguiam mostrar organização. Mérito do Cruzeiro, equipe que tem menos qualidade e equilibrou a partida com muita raça e determinação. Até por isso, a equipe azul celeste terminou o 1º tempo com cinco finalizações contra apenas três do Atlético.

O segundo tempo

Finalmente, o clássico

Sem modificações após o intervalo, o Cruzeiro voltou melhor, mas foi o Atlético que chegou primeiro. Aos 7, o ataque atleticano obrigou o goleiro Fábio a fazer uma grande defesa. O armador Nacho Fernández encontrou Eduardo Vargas nas costas da marcação cruzeirense e o chileno entrou na área com liberdade. Vargas chutou cruzado e Fábio fez uma excepcional intervenção.

No minuto seguinte, o Cruzeiro conseguiu um escanteio após tentativa de Bruno José. Na cobrança, Ramon e Alonso disputaram a bola e o zagueiro do Cruzeiro caiu pedindo pênalti. O árbitro, novamente, não marcou e mandou seguir a partida. No entanto, mais uma vez, o comentarista de arbitragem da TV Globo enxergou que houve falta e o árbitro deveria ter assinalado o pênalti. Uma penalidade máxima mal marcada para cada lado.

O Atlético chegou novamente duas vezes até o minuto 15. Aos 10, Nacho Fernández bateu escanteio e Keno cabeceou na primeira trave. A tentativa do camisa 11 do Galo passou perto do gol de Fábio. Aos 12, Hulk, atleta que havia acabado de entrar, tocou para Vargas e o chileno bateu cruzado. A bola entrou, mas o bandeirinha já havia assinalado impedimento do atacante do Atlético.

A imagem do Cruzeiro resplandece

Enquanto a equipe alvinegra tentava chegar, mas sem grande ímpeto, o clube azul celeste mostrou que estava focado no jogo e abriu o placar aos 17. Em excelente trama de Matheus Pereira e Rafael Sobis, o camisa 10 foi marcado por Igor Rabello e o zagueiro deixou uma brecha na defesa. Com muita inteligência e com um toque único, Sobis deixou Airton na cara do goleiro e o camisa 7 do Cruzeiro chapou no canto esquerdo de Éverson. Uma finalização primorosa do ponta cruzeirense. Gol de Airton e muita vibração na comemoração. 1 a 0 para a Raposa.

E o Cruzeiro quase ampliou o placar cinco minutos depois. Aos 22, Rafael Sobis foi ao fundo e cruzou para Bruno José. O camisa 16 do Cruzeiro dividiu com a defesa atleticana e conseguiu finalizar. A bola passou próxima do gol de Éverson e assustou a torcida do Galo.

Minutos finais tensos

O Atlético, carregando a obrigação de vencer o clássico, ficou mais tenso nos minutos finais e, consequentemente, a criação ficou ainda pior. Uma boa chegada do Galo aconteceu aos 28, quando Nacho Fernández aproveitou uma sobra na intermediária e bateu com a “chapa do pé”. A finalização foi boa e passou perto do gol de Fábio.

Com muitas modificações, Atlético e Cruzeiro apresentaram o mesmo futebol dos minutos iniciais: Atlético desorganizado e o Cruzeiro bem aguerrido, mostrando muita vontade na marcação. O Galo, mesmo precisando do resultado, não conseguiu chegar com perigo ao gol de Fábio. O único lance mais animado dos minutos finais foi o desentendimento entre Hulk e William Pottker, onde os dois atacantes foram expulsos.

O fim do jogo

Um recado para todos os atleticanos: o time precisa evoluir bastante para lutar pelos objetivos traçados. A equipe se mostrou desorganizada, sem alma e mereceu a derrota. Já para os cruzeirenses, o recado é o seguinte: aproveitem a vitória no clássico e dêem continuidade ao bom momento. A equipe azul celeste chegou a terceira vitória consecutiva, não sofre gols desde 21 de março e está mostrando evolução. O processo é longo, mas se a Raposa conseguir mais atuações com o nível do duelo desta tarde, o objetivo do Cruzeiro pode ser alcançado. 

O Atlético volta a campo no próximo domingo, 18, às 16 horas, contra o Boa Esporte, no Mineirão. Já a Raposa joga na próxima quarta, 14, às 21:30, frente ao América-RN, em Natal, pela Copa do Brasil. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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