Olhar Tático | Qual formação Cuca usou nos últimos anos? Como ele deve escalar o Atlético?

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

A grande dúvida que domina a cabeça de boa parte da torcida atleticana é qual será a escalação do Atlético na temporada 2021. O treinador Cuca comandou a equipe em apenas um jogo, frente ao Coimbra, e ainda não contava com todas as peças do ótimo elenco atleticano. O Galo tem opções e o treinador Alex Stival terá a melhor dor de cabeça possível no futebol.

Por isso, foi analisado os últimos cinco trabalhos do técnico para ver qual é o padrão da escalação do experiente treinador. A formação é, praticamente, padronizada: o esquema 4-2-3-1 é a base dos times de Cuca, porém algumas variações foram importantes nos últimos anos do técnico no futebol brasileiro. 

Obviamente, analisar os últimos trabalhos de Cuca “dá um norte” para a possível escalação de Cuca. Entretanto, o técnico terá liberdade para optar por outras ideias de jogo, levando em consideração o elenco atleticano. Confira o Olhar Tático e compartilhe com a massa atleticana!

Santos de 2020

A análise inicia pelo trabalho mais recente. Após a passagem de Jorge Sampaoli em 2019 e o curto comando de Jesualdo Ferreira, Cuca pegou um time desacreditado e chegou na final da Libertadores.

O time da Vila contava com um jogador-base: Alison. O volante era a sustentação da equipe de Cuca e ficava à frente da zaga. Ao seu lado, Diego Pituca ou Sandry eram escolhidos, porém, em alguns momentos como na final da Libertadores, Cuca optou pelos três “volantes”. Esta opção mudava um pouco do tradicional 4-2-3-1 usado na temporada santista, já que com Pituca e Sandry, o esquema tático se tornava um 4-3-3.

Os laterais do Santos atacavam, porém Felipe Jonatan tinha muito mais liberdade, enquanto Pará ficava mais preso, como mais um volante. 

Quando era utilizado apenas dois volantes de origem, Cuca retornava o seu time para a tradicional linha de três no meio-campo atrás do atacante. Marinho e Soteldo eram figuras carimbadas e contavam com Kaio Jorge na “referência”. Porém, a vaga centralizada era uma incógnita. Como dito anteriormente, algumas vezes Sandry ou Pituca modificaram este esquema, mas, para manter o 4-2-3-1, o venezuelano Soteldo foi utilizado em algumas oportunidades centralizado, abrindo espaço na ponta para outro jogador. Hulk ou Keno poderiam jogar desta forma?

São Paulo de 2019

Em 2019, Cuca retornou ao São Paulo e não teve muito destaque. Alexi Stival assumiu a equipe no fim do Campeonato Paulista e ficou até setembro daquele ano, quando foi demitido no meio do Brasileirão.

O Tricolor Paulista sob comando de Cuca contava com uma característica muito clara: dois laterais que apoiavam bastante. Igor Vinícius, pela direita, e Reinaldo, pela esquerda, eram alas que ajudavam muito na parte ofensiva. 

No meio-campo, Tchê Tchê tinha vaga, praticamente, garantida na dupla de volantes. Ao lado dele, Hudson e Luan brigavam pela vaga de 1º volante, dando liberdade aos laterais e ao meio-campista centralizado. O “camisa 10” era Daniel Alves ou Hernanes, já que os dois veteranos tiveram alguns problemas na temporada e se revezaram sob comando de Cuca.

Contando com dois volantes, um criador um pouco à frente e dois pontas velocistas, o São Paulo de Cuca também atuava no 4-2-3-1. Com alguns problemas para encaixar a equipe, o treinador tentou várias peças nas pontas e na referência, mas, convicto da sua ideia, continuou nesta formação tática até a sua saída.

Santos de 2018

Em 2018, Cuca assumiu a equipe paulista em julho e comandou até o fim da temporada, deixando o Santos na 10ª posição, atrás do Botafogo, mesmo contando com bons jogadores como Rodrygo, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa. 

Assim como na sua passagem em 2020, Cuca contava com Alison como seu 1º volante no meio-campo. Ao lado dele, Diego Pituca dava sustentação à organização do time da Vila e facilitava o apoio contínuo dos dois alas. Victor Ferraz e Dodô, atual jogador do Galo, tinham protagonismo nas laterais e atacavam bastante. 

Já na parte ofensiva, Cuca contava com um trio de atacantes fixo no 4-2-3-1 tradicional, ou seja, apenas uma vaga no ataque estava “aberta”. Rodrygo, atleta que está no Real Madrid-ESP, jogava pela direita, enquanto Bruno Henrique, destaque do Flamengo, era o ponta esquerda. Gabriel Barbosa, o Gabigol, era o camisa 9 da equipe e foi o grande artilheiro do Brasileirão.

Centralizado, como armador, Cuca escalou diversas vezes o uruguaio Carlos Sánchez, porém, quando o jogador não podia atuar, o técnico optava por centralizar algum ponta, como Bruno Henrique. Esta opção de usar três “pontas” na linha de três meio-campistas atrás do centroavante apareceu no mesmo Santos de 2020. Aparentemente, Cuca gosta da ideia de deixar um “atacante” como criador em algumas partidas, se não contar com um camisa 10.

Palmeiras de 2017

Em maio de 2017, Cuca assinou com o Palmeiras até o fim de 2018, porém após divergências internas e eliminação na Libertadores, o técnico deixou a equipe alviverde sem grande destaque.

O Palmeiras contava naquela temporada com um elenco muito forte e Cuca rodou bastante as suas peças, mas seguiu com seu tradicional 4-2-3-1 como base. Na lateral-direita, Jean, Mayke e Tchê Tchê brigavam por uma vaga, enquanto na esquerda, Egídio e o experiente Zé Roberto também disputavam o espaço. Os alas, como de costume, apoiavam com frequência.

O meio-campo contava com várias opções e Cuca variou bastante a formação inicial. Tchê Tchê e Jean também estavam brigando por vagas na dupla de volantes, mas esta intensa disputa contava com Bruno Henrique, Felipe Melo e Thiago Santos. Várias duplas diferentes foram formadas em 2017 usando estes jogadores. O armador era Moisés, porém a grande diferença do meio-campo de Cuca era a entrada de Guerra e Moisés juntos, que dava mais articulação ao Palmeiras. Em algumas oportunidades, o treinador sacava um volante e recuava Moisés ou Guerra, mas, em alguns jogos, Cuca tirou um ponta para colocar um meio-campista, deixando a equipe em um 4-2-2-2. 

No ataque, na maioria das vezes, o Palmeiras de Cuca contou com Roger Guedes ou Keno na esquerda e Dudu na direita. O ídolo palmeirense, Dudu, também foi utilizado no meio, centralizado, dando espaço para os dois pontas – Guedes e Keno – jogarem juntos. Mais uma vez, Cuca não fugia do seu 4-2-3-1, mas modificava a característica do “armador”.

Palmeiras de 2016

Para finalizar os últimos cinco trabalhos de Cuca, é importante destacar o ótimo desempenho em 2016, quando Cuca ergueu o seu último troféu. O Palmeiras de 2016 foi campeão do Brasileirão e o técnico que havia chegado no início do ano deixou a equipe logo após a importante conquista.

O time de Cuca tinha um trio de atacantes que, praticamente, impossibilitava qualquer mudança tática de Cuca. Dudu e Roger Guedes pelas pontas e Gabriel Jesus centralizado foram a base daquele Palmeiras campeão, todavia, estes atacantes trocavam muito de posição no ataque, ou seja, Cuca enxergava a possibilidade de explorar várias características dos seus atacantes.

O armador daquela equipe vencedora era Moisés e o time, como de costume nos trabalhos de Cuca, atuava em um 4-2-3-1. Com Moisés centralizado, o Palmeiras contava com uma dupla de volantes que dava liberdade aos alas. Gabriel, atual volante do Corinthians, e Thiago Santos disputavam a vaga de 1º volante e contava com a parceria de Jean ou Tchê Tchê. 

Cuca contava bastante com estes dois jogadores devido às suas polivalências, já que um deles era usado na lateral-direita. Fabiano também brigava pela ala-direita, mas a segurança e inteligência de Jean e Tchê Tchê eram a preferência de Cuca. Na esquerda, Egídio tinha bastante liberdade para atacar, já que os volantes do 4-2-3-1 de Cuca faziam a cobertura. 

A análise do estilo de Cuca

Após detalhar os cinco últimos trabalhos de Cuca, é possível concluir que o seu esquema preferido é o 4-2-3-1 e que o treinador valoriza bastante o apoio dos alas. Isso foi visto pela massa atleticana em 2013, quando Alexi Stival foi campeão da Libertadores com Marcos Rocha e Richarlison ou Júnior César chegando bastante no campo ofensivo. Além disso, o time campeão da Libertadores também jogava no 4-2-3-1, já que Leandro Donizete e Pierre eram os volantes e o quarteto de ataque contava com Diego Tardelli e Bernard nas pontas, com Ronaldinho como armador e Jô na referência.

Obviamente, este padrão de jogo descrito sofreu alterações em diversas partidas de Cuca comandando as suas equipes. Entretanto, estes pontos detalhados anteriormente foram as principais características dos times treinados por Alexi Stival.

As equipes de Cuca contam, quase sempre, com dois zagueiros e dois volantes. Os alas têm a função de ir e voltar, enquanto o quarteto de ataque é quase padronizado no “Cucabol”. Ter dois pontas garante a amplitude, enquanto ter um armador e uma referência – que não necessariamente é um jogador de área – possibilita jogadas centralizadas.

O Atlético de 2021

Após analisar os últimos times de Cuca e o estilo do treinador atleticano, é necessário trazer estas informações para o atual time do Galo, a fim de ter uma ideia de como o Atlético será escalado por Cuca. É claro que são especulações e ideias, pois Cuca que está treinando e, certamente, irá encontrar o melhor Atlético possível. Contudo, com o estilo de jogo de Cuca é possível imaginar como será o Galo de 2021.

A possibilidade da equipe ser escalada em um 4-2-3-1 é grande e, na sua estreia, Cuca já deixou isso claro. Jair atuando ao lado de Allan com Nacho Fernández como armador foi o primeiro sinal da implementação do 4-2-3-1. 

Os jogadores

Portanto, na defesa – a escolha do goleiro independe da ideia tática de Cuca -, o Atlético irá contar com dois zagueiros fixos e dois alas que atacam bastante. Júnior Alonso, certamente será o defensor pela esquerda, enquanto Igor Rabello e Réver brigam pela vaga na direita. Nas laterais, Guga e Guilherme Arana tendem a ser escolhidos, visto que eles têm muita qualidade no campo ofensivo e principalmente Guga evoluiu bastante na defesa na última temporada.

No meio-campo, à frente da zaga, Cuca conta com várias opções. Allan e Jair foram as escolhas da 1ª partida, porém Alan Franco e Zaracho também gozam de muita qualidade neste setor e poderiam, tranquilamente, protagonizar uma dupla de volantes. Como armador e jogador centralizado da linha de três meio-campistas ofensivos, o Atlético conta com Nacho Fernández e, dificilmente, o argentino irá perder a sua vaga. Hyoran e Nathan correm por fora, mas, por causa da vontade e inteligência tática, os dois atletas podem buscar uma vaga na dupla de volantes.

Nas pontas, ao lado de Nacho Fernández, Cuca conta com Hulk e Keno como grandes candidatos às posições, porém Marrony e Savarino disputarão uma vaga devido ao ótimo início de temporada da promessa brasileira e da última temporada exemplar do venezuelano. É importante destacar que, como visto nos últimos trabalhos de Cuca, em uma possível ausência de Nacho, o armador, algum destes pontas podem ser centralizados na linha de três meio-campistas ofensivos. Como “referência”, Diego Tardelli, Eduardo Sasha e Eduardo Vargas disputam uma vaga centralizada. 

Um grande elenco e grandes disputas. Este é o Atlético de 2021!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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