Após importante mudança da CBF, Cruzeiro deve ter ainda mais cuidado para não repetir um erro de 2020

O presidente Sérgio Santos Rodrigues e o ex-técnico do Cruzeiro, Ney Franco. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Na última semana, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou uma importantíssima mudança no futebol brasileiro. Com aprovação dos clubes da Série A, B e C, as três principais divisões terão uma regra que restringe a quantidade de treinadores em uma temporada: cada equipe poderá demitir apenas um treinador durante a competição e cada treinador poderá se demitir somente uma vez. 

Estas mudanças foram aprovadas na última semana pelas três principais divisões do Campeonato Brasileiro. Na Série A, devido ao poder financeiro e segurança que poucos treinadores serão atraídos por outros times, a votação entre os clubes foi equilibrada e o placar marcou 11 a 9 para a limitação de trocas. Dentre as equipes mineiras, América e Atlético votaram a favor desta mudança.

Já na Série B, a votação foi quase unânime, deixando claro que a segurança imposta pela regra é positiva aos times com menor aporte financeiro: os treinadores terão dificuldade para deixar as equipes quando receberem propostas financeiras melhores. O placar da votação marcou 18 a 2.

O Cruzeiro votou a favor da mudança e não poderá demitir dois treinadores durante a Série B. É importante frisar que isso aconteceu em 2020 e a temporada do Cruzeiro por pouco não foi pior. Por isso, após esta importante mudança, o Cruzeiro deve ter ainda mais cuidado para não repetir um erro de 2020.

A mudança

Primeiramente, é importante detalhar como funcionará esta importante regra de limite de trocas de treinadores que vigorará a partir do início do Brasileirão A, B e C.

Como dito pela CBF, o clube começará o Brasileirão com um técnico inscrito e, caso demita este treinador, poderá inscrever apenas mais um técnico. Em caso de segunda demissão, o profissional substituto tem que estar trabalhando no clube há pelo menos seis meses. Em caso de pedido de demissão por parte do treinador, o clube não sofrerá limitação para inscrever um novo técnico.

Por outro lado, como detalhado pela CBF, o técnico, uma vez inscrito no Brasileirão por um clube, só poderá se demitir uma vez, caso queira treinar outra equipe que dispute a competição. Se pedir demissão novamente, ele não poderá ser inscrito por outro time. Se for demitido pelo clube, o técnico não sofrerá limitação quanto à sua contratação por um novo time.

Portanto, resumindo a nova regra:

  • se o clube demitir dois treinadores, a equipe não poderá contratar outro técnico e terá que usar um “interino”;
  • se um time demitir um treinador e o próximo técnico pedir demissão, a equipe poderá contratar um terceiro técnico, visto que foi o comandante que pediu demissão;
  • um técnico poderá treinar quantas equipes ele desejar, caso ele seja demitido nestes times; a restrição é para casos de demissão pedida pelo próprio treinador.

O erro cruzeirense

A diretoria cruzeirense votou a favor desta mudança e entrou em consenso com a maioria dos clubes da Série B. Porém, é importante destacar que esta mesma diretoria do Cruzeiro deve ter um enorme cuidado para não repetir um erro de 2020, pois, nesta temporada, não haverá a possibilidade de corrigir devido a esta nova regra. 

Na temporada passada, o Cruzeiro iniciou a campanha na Série B com o treinador Enderson Moreira e somou 11 pontos em oito partidas. Então, a Raposa demitiu o treinador e contratou Ney Franco. O 2º técnico conseguiu a façanha de conseguir apenas sete pontos em sete jogos e o Cruzeiro também demitiu Ney Franco. Após estas passagens ruins, a Raposa era vice-lanterna e contratou Felipão. O treinador pentacampeão mundial salvou o Cruzeiro e conseguiu 35 pontos em 21 jogos, deixando a Raposa no meio de tabela.

Por isso é importante que o planejamento seja bem estruturado nesta temporada, já que a contratação de Felipão não seria possível com a nova limitação. Neste ano, o Cruzeiro não poderá fazer como em 2020 quando demitiu dois treinadores e contratou um novo técnico. Se a regra existisse na última temporada, a solução para a Raposa após a saída de Ney Franco seria usar um técnico interino em todo o 2º turno da competição.

Atenção, Cruzeiro!

Com o planejamento muito equivocado da última temporada e se a nova limitação de trocas de técnicos existisse em 2020, certamente, estaríamos falando sobre a participação do Cruzeiro na Série C em 2021, já que o aproveitamento de Ney Franco era terrível e a utilização de um técnico “caseiro” poderia não ser tão salvadora como a passagem de Felipão.

Logo, em 2021, a Raposa deve ter mais atenção nas suas decisões, a fim de não fracassar mais uma vez. Felipe Conceição já está pressionado devido às más atuações, mas a diretoria deve ter pulso firme para decidir o caminho do Cruzeiro. 

A nova regra é muito importante para educar equipes brasileiras que demitem técnicos diversas vezes em um ano, como o Cruzeiro, time que utilizou cinco treinadores em 2020 – quatro efetivos e um interino. Por isso, a Raposa deve se planejar para não se equivocar novamente nas decisões. Errar uma vez é normal. Repetir os erros evidencia que nada foi compreendido e a esperança da torcida azul celeste é que o desempenho terrível de 2020 tenha deixado marcas positivas na gestão cruzeirense.

É importante aguardar, mas a mudança da CBF faz com que a Raposa tenha mais cuidado nas suas decisões. Fique atento, Cruzeiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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