Em clássico fraco tecnicamente, o vice-líder América vence o 6º colocado Cruzeiro por 1 a 0

Foto: Mourão Panda / América

O jogo era bastante esperado por se tratar de duas equipes tradicionais do futebol mineiro. Porém, o clássico dos times de Belo Horizonte não contou com muito brilho de nenhuma das equipes. Méritos do América, equipe que abriu o placar, não deu chances para o rival e encontrou um Cruzeiro com muitos erros. Resultado: mais uma derrota da Raposa e o time azul celeste se encontra fora da zona de classificação para a fase final do Mineiro. Enquanto isso, o Coelho é o vice-líder e segue na caça ao Atlético.

Neste domingo, 21, o América venceu o Cruzeiro por 1 a 0 no Independência graças ao gol de Joseph, no 1º tempo. O jogo válido pela 5ª rodada do Campeonato Mineiro de 2021 ficará marcado como a última partida das equipes antes de mais uma paralisação do futebol mineiro devido à pandemia do coronavírus.

Com a vitória, o Coelho reassumiu a vice-liderança do estadual e está na caça ao líder Atlético, time que conquistou todos os 15 pontos disputados. O América está em 2º com 12 tentos e tem quatro pontos de vantagem em relação à Caldense, primeira equipe fora da zona de classificação para a fase final. Já o Cruzeiro entrará na paralisação do futebol mineiro em 6º, longe do objetivo de se classificar para a fase final. Com apenas sete pontos conquistados, a Raposa foi ultrapassada pelo Athletic e pela Tombense.

O jogo e as atuações individuais

Um jogo regular do América e uma vitória merecida. Uma partida terrível do Cruzeiro e uma derrota justa. Com um nível técnico baixo, o clássico entre as equipes de BH deixou um recado claro: mesmo desfalcado, o Coelho tem uma estrutura e uma forma de jogo, enquanto a Raposa não tem nada parecido. Com apenas uma finalização correta na partida – e é importante destacar que foi, praticamente, um recuo para Cavichioli -, o Cruzeiro teve uma atuação horrível e entrou na paralisação do futebol bastante pressionado.

A título de comparação, o jogo do Cruzeiro foi ruim devido à má atuação do meio-campo, enquanto o América teve um bom desempenho por causa da organização dos meias. Durante toda a partida, Sabino, Juninho e Alê conseguiram ser a base do time americano e, além de marcarem com efetividade, os meio-campistas do Coelho atacavam o tempo todo. Já a Raposa não contou com uma estrutura no meio-campo e a tentativa de Felipe Conceição – o técnico colocou Jadson e Alan Ruschel na criação – não foi boa para a marcação e muito menos para o ataque.

Como ponto positivo das equipes, é possível destacar o ótimo jogo de Gustavinho e Marcelo Toscano. Os atletas americanos estão aproveitando as chances e criaram boas oportunidades na partida. Pelo lado cruzeirense, Adriano se destaca em meio a um fraco meio-campo, pois o jovem atleta tem a responsabilidade de “carregar o piano” e auxiliar na criação, visto que seus companheiros não ajudaram. Quanto aos pontos negativos, além da atuação coletiva da Raposa, o nervosismo de Matheus Pereira chama a atenção, já que o atleta é talentoso, porém recebe muitos cartões. Outra questão negativa destacável são as escolhas equivocadas de Felipe Conceição.

O primeiro tempo

Os dois rivais mexeram nas suas respectivas escalações. O América foi escalado por Lisca com duas grandes ausências: Ademir e Messias. Os dois destaques estão negociando a sua saída do Coelho. Por isso, o time americano contou com Matheus Cavichioli, Joseph, Bauermann, Anderson e João Paulo; Sabino, Alê e Juninho; Gustavinho, Marcelo Toscano e Rodolfo. Já o Cruzeiro apresentou duas substituições no meio-campo. A escalação da Raposa teve Fábio, Raúl Cáceres, Ramon, Brock e Matheus Pereira; Adriano, Jadson e Alan Ruschel; Felipe Augusto, Marcelo Moreno e Airton.

O jogo começou bem morno – ou melhor dizendo, bem ruim . Por exemplo, até o minuto 25, o América havia finalizado três vezes, onde duas finalizações foram oriundas de faltas e nenhum dos chutes tiveram a direção do gol. Já o Cruzeiro finalizou pela primeira vez aos 42 minutos – em um chute ruim de Eduardo Brock – e cometeu 10 faltas em 25 minutos, um número altíssimo.

O América obrigou Fábio a fazer uma boa defesa pela primeira vez aos 33 da 1ª etapa. Em boa trama pela direita, Alê tocou para Juninho e o meio-campista, que estava dentro da área, tocou para trás, encontrando Sabino. O camisa 17 arriscou bem de longa distância, mas Fábio, no meio do gol, espalmou para fora.

Aos 35, o Coelho chegou novamente e, desta vez, a rede balançou. Marcelo Toscano, camisa 10 do América, tentou um passe forte no meio e a bola bateu em Ramon. Com o desvio, a bola caiu nos pés de Joseph e o lateral-direito do América bateu bem, no canto direito de Fábio. O arremate foi bonito, Joseph marcou o gol e a arbitragem confirmou, mesmo com a posição irregular do jogador americano. Como o Campeonato Mineiro não conta com o VAR, o gol foi confirmado pela decisão do bandeirinha. 1 a 0 para o América em um 1º tempo totalmente dominado pelo Coelho.

Após sair em desvantagem, o Cruzeiro tentou ter a posse de bola, mas foi o Coelho que chegou com perigo. Aos 44, em contragolpe, Gustavinho tocou para Alê e o camisa 11 viu Rodolfo livre na ponta-direita. Matheus Pereira e Ruschel ficaram marcando a bola e esqueceram o camisa 9 nas costas. Rodolfo recebeu e bateu forte. Fábio fez grande defesa. No minuto 47, em boa jogada ensaiada na falta, a defesa do Cruzeiro foi surpreendida por Juninho e o volante tentou cruzar rasteiro. O goleiro da Raposa antecipou e deu números finais ao primeiro tempo.

O segundo tempo

Mesmo com um desempenho pífio na 1ª etapa – apenas uma finalização nos 45 minutos iniciais -, o técnico Felipe Conceição não mexeu no Cruzeiro após o intervalo. Com isso, o América seguiu incomodando. Aos 2, em boa jogada pela esquerda, Marcelo Toscano levou para o meio e finalizou. Fábio, em dois tempos, defendeu. Dois minutos depois, Rodolfo recebeu na área, driblou Eduardo Brock e bateu no canto esquerdo do goleiro cruzeirense. Fábio, novamente, encaixou.

Com amplo domínio do Coelho, o time de Lisca chegou novamente com muito perigo. Aos 8, Alê fez uma boa jogada pela esquerda e tocou para Gustavinho. O jovem atleta do América entrou na área com velocidade e cruzou para trás. Marcelo Toscano chegou batendo e acertou o travessão de Fábio, em uma jogada que o América teve muita liberdade. No rebote, Alê sofreu uma falta na meia-lua, mas a infração foi mal cobrada por Toscano.

A desvantagem no placar e o mau desempenho obrigou Felipe Conceição a mexer no time. Aos 10, Airton, Jadson e Ruschel saíram para a entrada de Bruno José, Matheus Barbosa e Marcinho. No minuto 15, as mudanças quase deram um efeito imediato. Em contragolpe rápido, Felipe Augusto foi lançado por Eduardo Brock e tocou para Marcinho, dentro da área. O jogador, que havia acabado de entrar, finalizou de perna esquerda e a bola foi para a linha de fundo.

Com a necessidade de buscar o resultado, o Cruzeiro chegou duas vezes entre os minutos 23 e 26. Primeiramente, Matheus Pereira fez o cruzamento e a bola encontrou a direção do gol. Mesmo surpreendido, Matheus Cavichioli fez uma boa defesa. Depois deste lance, a Raposa voltou a levar perigo aos 26, mas sem contar com intervenção do goleiro americano. Neste lance, após boa trama, Matheus Pereira fez o cruzamento e Felipe Augusto tentou de bicicleta. A tentativa não foi boa e caiu nos pés de Bruno José, mas o ponta chutou sem força, nos braços de Cavichioli – esta foi a primeira finalização cruzeirense com direção da meta do Coelho.

Os times foram promovendo substituições, mas o jogo continuava com o mesmo desenho: o Cruzeiro, mesmo sem organização, tentava buscar o gol, enquanto o América defendia bem. Lances importantes não aconteceram até o minuto 47 da 2ª etapa, quando, no intervalo de um minuto, Matheus Pereira recebeu dois amarelos e, consequentemente, o cartão vermelho. A expulsão aconteceu após Matheus dar uma leve cotovelada em Léo Passos.

Com a expulsão e com o nervosismo cruzeirense, o América tentou aproveitar. Aos 49, após erro de Eduardo Brock na saída de bola, Léo Passos avançou pela direita, entrou na área e foi derrubado por Brock. Como Passos estava preparando o arremate, o zagueiro do Cruzeiro foi expulso diretamente. Na cobrança, o próprio Léo Passos bateu e errou o rumo do gol, definindo o placar de 1 a 0 para a sua equipe, o América.

O fim do jogo

O Cruzeiro melhorou na 2ª etapa, mas a melhora não resultou em mais agressão ao gol americano. Com um chute certo na partida, a Raposa deve repensar bastante nas escolhas e na forma com que o time entrou em campo neste importante jogo. Já o América precisa de reforços, visto que o elenco ainda é fraco para a Série A, mas a estrutura tática de Lisca segue sendo um trunfo do time. A partir de agora, a missão do treinador é arrumar algumas questões para o time ser mais efetivo no ataque – foram sete finalizações no alvo, mas apenas um gol feito.

Devido à paralisação do futebol mineiro, não é possível afirmar quando será realizada a próxima partida de América e Cruzeiro. 

Números da partida
América x Cruzeiro
48% Posse de bola 52%
13 Finalizações 9
7 Finalizações no gol 1
3 Escanteios 6
4 Impedimentos 1
19 Faltas 20
286 Passes 388
242 (84,6%) Passes certos 349 (90%)
Fonte: Footstats

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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