Cuca é anunciado como o novo treinador do Atlético, mesmo com protestos de uma parte da torcida

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Após alguns dias de muitas especulações, o Atlético oficializou nesta sexta, 05, o retorno do técnico campeão da Libertadores de 2013. Alex Stival, ou melhor, Cuca é o novo treinador do Galo, assinou com o time alvinegro até 2022 e substituirá, novamente, Jorge Sampaoli. Mesmo com um histórico positivo no Atlético, uma parte da torcida teve rejeição à contratação devido à condenação de violência sexual contra pessoa vulnerável de Cuca em 1987. 

O treinador deve chegar nos próximos dias para iniciar a sua 2ª passagem no Atlético. Em 2011, Cuca foi anunciado pela 1ª vez e dirigiu o time alvinegro até o fim de 2013, quando deixou a equipe de forma turbulenta depois do Mundial de Clubes. Comandando o Galo, Alex Stival fez 153 partidas, venceu 80 jogos, houve empate em 34 oportunidades e saiu de campo derrotado 39 vezes, tendo assim, um aproveitamento de 59,7%. Pelo Atlético, o técnico foi campeão da Libertadores de 2013 e dos Campeonatos Mineiros de 2012 e 2013.

Cuca foi o treinador do Santos em 2020 e levou o time da Vila à final da Libertadores, onde foi expulso e prejudicou a sua equipe nos minutos finais. Porém, o treinador é um dos grandes responsáveis pela temporada surpreendente do Santos no ano passado. Curiosamente, Cuca assumiu o time paulista na temporada seguinte à passagem de Jorge Sampaoli. A história se repete e o torcedor mineiro deseja que, desta vez, o time treinado por Cuca seja campeão da Libertadores.

O novo técnico atleticano chega em um momento importante: reforços foram anunciados e a expectativa de títulos em 2021 é grande. Por isso, o trabalho deve ser bem feito e, com um treinador desde o início da temporada, as chances aumentam. A equipe titular se apresentará no mesmo dia que o técnico e eles começarão o trabalho para uma temporada cheia: além do Campeonato Mineiro, o Atlético disputará o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Libertadores.

A rejeição nas redes sociais

Mesmo com um histórico vitorioso pelo Atlético, Cuca não foi unanimidade em meio à torcida atleticana nas redes sociais. O interesse em Renato Gaúcho – que não foi para frente por falta de interesse do técnico do Grêmio – e a estratégia de jogo de Cuca são pontos de dentro do campo que levantaram a discussão entre os torcedores sobre a vinda do técnico.

Porém, a principal questão que fez os torcedores atleticanos se perguntarem sobre a parte positiva da contratação de Cuca é a condenação de violência sexual contra pessoa vulnerável do treinador. O caso ficou silenciado por muitos anos, mas após o escândalo envolvendo Robinho, no fim do último ano, a sentença de estupro do treinador voltou à tona. 

Em 1987, Cuca era jogador do Grêmio e foi para a Suíça, em uma excursão para jogar amistosos. Cuca e mais três jogadores se envolveram sexualmente com uma menina de 13 anos, ficaram presos por um mês e foram condenados pela Justiça do país europeu. O crime cometido foi violência sexual contra pessoa vulnerável, a sentença foi emitida em 1989 e prescreveu em 2004, já que o Brasil não extradita seus cidadãos e Cuca ficou sem entrar na Suíça até o ano em que a sentença prescreveu para não ser preso. A história está completa aqui e detalhada pelo jornalista Breiller Pires.

Após algumas reivindicações da torcida atleticana, a repercussão fez com que Cuca se pronunciasse sobre o assunto após muitos anos silenciando esta história. O treinador gravou um vídeo para a jornalista Marília Ruiz e tentou explicar a situação. Segundo ele, ele é inocente. Porém, segundo detalhes da matéria de Breiller, na época do caso, Cuca falava que tinha ficado com a impressão que a moça tinha 18 anos, justificativa bem divergente da atual. Além disso, o jornalista Juca Kfouri detalhou aqui outra parte da história que contradiz a fala recente de Cuca.

Enfim, o treinador se posicionou porque estamos vivendo uma época que, felizmente, somos cobrados pelos erros cometidos. O torcedor sempre diz que o futebol não é apenas um jogo, pois envolve paixão e vários fatores extracampo. Então relevar um tema tão sério como violência sexual não faz parte da atual sociedade e não deve estar próximo do esporte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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