Clube Apático Mineiro: com pouca vontade, Atlético empata com o Bahia em casa

Foto: Pedro Souza / Atlético

Muita apatia. Muita falta de vontade. Pouca qualidade. Pouca raça. O Atlético decepcionou os seus torcedores mais uma vez e não conseguiu vencer o Bahia em casa. O time abriu o placar, mas deu tanto espaço ao time baiano que, pelo desempenho dentro de campo, mereceu vencer. Éverson, nome tão criticado pela torcida, salvou em várias oportunidades e segurou o empate. Um resultado vergonhoso para a equipe de Jorge Sampaoli.

Neste sábado, 13, o Atlético empatou com o Bahia, em partida válida pela 36ª rodada do Brasileirão. O placar do Mineirão marcou 1 a 1 por causa dos gols de Eduardo Sasha e Rossi. Com isso, o Galo terminará o campeonato sem vencer o Bahia, já que o Tricolor de Aço venceu por 3 a 1 em casa, no 1º turno.

Com o resultado, o Atlético, praticamente, dá adeus ao título do Brasileirão e tem que prestar a atenção na vaga direta para a Libertadores. O Galo chegou aos 62 pontos e ficou em 3º. Se o líder Internacional vencer o Vasco neste domingo, 13, o Atlético estará matematicamente fora da disputa pelo título. Além disso, por causa dos jogos atrasados, o São Paulo pode ultrapassar o time de Sampaoli. Já o Bahia se manteve em 16º, chegou aos 38 pontos e se distanciou um pouco da zona do rebaixamento.

O jogo e as atuações individuais

A atuação desta noite não surpreendeu nenhum torcedor. Mesmo com muito mais qualidade e ainda na disputa pelo título, o Atlético entrou desta mesma forma nas últimas rodadas e, desta vez, acabou encontrando um adversário que queria vencer. Por isso, o Bahia teve mais chances, finalizou mais vezes dentro do gol e esteve mais próximo do triunfo. O motivo ainda não é possível concluir, porém a falta de vontade de quase todos os jogadores é notável.

O ponto mais criticado pela torcida atleticana no empate contra o Fluminense foi o grande número de passes de lado trocados durante o jogo. Nesta partida, para ser diferente, o Atlético ofereceu mais espaço ao adversário. Uma atuação vergonhosa contra um modesto time que está próximo de jogar a Série B. Um desempenho sem explicações e uma decepção para os torcedores que já viram este mesmo elenco com a mesma formação, com o mesmo treinador, com a mesma camisa, conseguindo feitos maiores. É inexplicável este fim de temporada do Atlético.

O único ponto positivo do Atlético foi, ironicamente, o jogador mais contestado. Éverson está sendo diariamente cobrado, mas salvou o Atlético nas últimas duas partidas. As suas defesas garantiram que o Galo não passasse vexames ainda maiores. Os pontos negativos do time mineiro são incontáveis, já que a equipe inteira foi mal e o treinador também errou nas mudanças. O principal ponto a ser destacado foi o sistema defensivo, onde todos os defensores de linha estiveram em uma noite terrível.

O primeiro tempo

Na formação inicial, Jorge Sampaoli fez três mudanças em relação à última partida: o suspenso Allan foi substituído por Jair; Alan Franco deu lugar a Nathan; Marrony entrou na vaga do contestado Vargas. Com isso, a escalação do Atlético teve Éverson, Guga, Réver, Alonso e Arana; Jair, Nathan e Hyoran; Savarino, Sasha e Marrony.

E quem chegou primeiro foi o Bahia. Antes mesmo de completar um minuto, o Tricolor de Aço chegou com Gabriel Novaes. O atacante ganhou na velocidade, com certa tranquilidade, na disputa com Réver e entrou na área pela esquerda. O camisa 39 cruzou rasteiro, Rodriguinho furou e a bola sobrou para Rossi. O ponta estava livre, teve tranquilidade para dominar e Éverson abafou no momento do chute. A finalização raspou na trave e foi para fora.

Aos 11, o Bahia não tinha a posse da bola, mas aproveitou um bom contragolpe. Rodriguinho começou a jogada e encontrou Nino Paraíba na direita. O rápido lateral acelerou e foi travado pela defesa atleticana. A bola sobrou para Gabriel Novaes e Éverson abafou. No rebote, Nino acertou o chute em Alonso. Em mais uma sobra, Rodriguinho também arriscou e, desta vez, Réver bloqueou a tentativa do Bahia.

O Atlético tinha a bola, mas quem chegava mais com perigo era o Tricolor. Porém, o Galo aproveitou a boa chance que teve e abriu a vantagem. No minuto 19, Jair inverteu e achou Guilherme Arana na esquerda. O camisa 13 fez um lindo cruzamento e encontrou a cabeça de Eduardo Sasha. O atacante estava livre e testou firme, sem chances para o goleiro Matheus Claus. 1 a 0 para o Atlético no Mineirão e 8º gol feito por Sasha no Brasileirão.

O jogo estava morno e o Galo estava rodando a bola. Mesmo assim, o time mineiro não conseguia agredir e também não finalizava no gol adversário. A vantagem atleticana e a necessidade de pontuar do time do Bahia fez com que o Tricolor saísse para o jogo, atacando com mais jogadores nos contragolpes.

Aos 41, Nino fez boa jogada pela direita e a defesa do Galo fechou. A bola caiu nos pés de Rodriguinho e o experiente meio-campista finalizou. O chute passou perto da trave direita de Éverson. Dois minutos depois, Jair errou o passe para Réver e acabou dando no pé do atacante Gabriel Novaes. O atacante de 21 anos colocou a bola na frente e, novamente, ganhou de Réver na velocidade – com muita tranquilidade. Ele chegou frente a frente com Éverson e o goleiro atleticano fez uma ótima defesa, salvando o empate e indo para o intervalo com a vantagem.

O segundo tempo

Os times voltaram para campo e apenas o Atlético mexeu: Alan Franco entrou no lugar de Nathan. Porém, mesmo sem alterações, o Bahia mudou um quesito importantíssimo: não desperdiçou a chance que teve. No 1º minuto do 2º tempo, os defensores do Tricolor tiraram o perigo e criaram um contragolpe surpreendente. A bola foi para o lado esquerdo e Rossi conseguiu acelerar nas costas de Junior Alonso. O zagueiro paraguaio teve a oportunidade, mas não cometeu a falta. Por isso, Rossi entrou na área e finalizou livre. Desta vez, o arremate do camisa 11 foi no ângulo e o goleiro Éverson não teve chances. 1 a 1 no placar.

Com a necessidade de vencer, o Atlético teve que voltar a dominar as ações ofensivas. Aos 8, a bola foi muito bem virada da direita para a esquerda e Marrony dominou dentro da área. Marcado por Nino Paraíba, o camisa 38 do Galo tocou para Arana e o lateral atleticano chutou rasteiro. A bola desviou no zagueiro do Bahia e foi pela linha de fundo.

O jogo teve minutos sem criatividade até esquentar novamente. Aos 24, Elton, jogador que havia acabado de entrar, arriscou de fora da área, após receber de Rossi. O chute de Elton acertou o travessão e assustou o Atlético. Como forma de resposta, o Galo chegou. Arana tocou para Jair e o volante cruzou. Hyoran raspou na bola e o cabeceio passou muito perto da meta baiana.

No minuto 27, Mateus Claus fez a defesa mais linda da partida. Alan Franco fez um bom cruzamento da direita, a bola foi desviada e Marrony cabeceou no contrapé do goleiro do Bahia. Em um movimento lindo, Claus fez uma bela defesa e salvou o Tricolor de Aço. Seis minutos depois, aos 33, Guga errou bisonhamente e entregou no pé de Gabriel Novaes. Mais uma vez, o atacante do Bahia acelerou, passou com facilidade por Réver e finalizou cruzado. Éverson pulou e fez boa defesa.

Depois deste lance, o Atlético dominou, mas a falta de criatividade afastou o Galo do gol do adversário. O placar foi se arrastando e o clima nervoso tomou conta da partida. Houve até discussões, mas o marcador não foi alterado: 1 a 1.

O fim do jogo

Fim de uma partida que representa o fim de temporada atleticana: apática, sem raça e sem qualidade. O futebol atleticano desapareceu e o torcedor tem todo o direito de cobrar uma explicação. O desempenho do time é inexistente e mudanças devem acontecer. A postura dos jogadores que deveriam honrar a camisa alvinegra está sendo vergonhosa nas últimas partidas. É necessário descobrir a razão dos erros, garantir a classificação direta para a Libertadores e pensar em uma temporada melhor em 2021. Não é terra arrasada, mas é terra bastante mexida e precisando de uma reestruturação. Ao trabalho, Atlético!

O Atlético volta a campo no próximo domingo, 21, às 16 horas, contra o Sport, na Ilha do Retiro.

Números da partida
Atlético x Bahia
71% Posse de bola 29%
21 Finalizações 13
4 Finalizações no gol 5
6 Escanteios 2
1 Impedimentos 1
10 Faltas 9
1 Grandes oportunidades 4
0 Grandes oportunidades perdidas 3
741 Passes 301
671(91%) Passes certos 232(77%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários