Sem graça, sem gols e sem voltar para a briga: Atlético empata por 0 a 0 com o Fluminense

O último confronto entre Atlético e Fluminense não teve gols: 0 a 0 no Maracanã. Foto: Pedro Souza / Atlético

Faltou respeito com o torcedor. Os fãs de Atlético e Fluminense não mereciam um jogo tão sem graça em uma noite de quarta-feira. Certamente, alguns torcedores tiveram sono em diversos momentos da partida e o resultado também foi sonolento: um terrível 0 a 0 para as duas equipes. O jogo aconteceu desta forma por causa do ferrolho montado pelo Fluminense e a falta de qualidade e garra do time atleticano.

Nesta quarta, 10, Atlético e Fluminense não marcaram gols e saíram de campo com um empate. O placar do Maracanã marcou 0 a 0 neste jogo válido pela 35ª rodada do Brasileirão. Com isso, Atlético e Fluminense terminarão esta edição do Brasileirão com dois empates, já que, no 1º turno, as equipes empataram por 1 a 1 em Minas Gerais.

Por causa do empate sem graça, Atlético e Fluminense não conseguiram chegar nos objetivos da rodada. Já que todos os outros participantes do G-4 – Internacional, Flamengo e São Paulo – tropeçaram, os rivais da partida do Maracanã poderiam ganhar força na briga pelo título ou pela vaga direta da Libertadores. Mas o resultado deixou tudo do jeito que estava. O Atlético é o 3º, chegou aos 61 pontos e está cinco pontos atrás do líder Internacional, faltando nove pontos a serem disputados. Já o Tricolor Carioca está em 5º, conquistou 57 pontos e, se tivesse vencido, teria assumido a 4ª colocação do Brasileirão.

O jogo e as atuações individuais

Obviamente, a partida seria difícil, visto que, mesmo com um elenco limitado, o Fluminense está muito bem e complicaria mais uma vez o jogo contra o Atlético. No 1º turno, o Atlético havia sido surpreendido no Mineirão e teve muitas dificuldades, principalmente na 1ª etapa daquela partida, disputada em outubro. Porém, tirando os dois lances nos minutos finais, o Galo não teve dificuldades defensivas e teve controle da partida. A questão foi que o time mineiro não sabia o que fazer com a bola.

A equipe rodou muito a bola – foram 838 passes, número mais alto do Atlético no Brasileirão – porém esses toques aconteceram na intermediária e o time não conseguiu agredir. A posse de bola ineficiente é uma marca deste Atlético e não há um jogador que “coloque a bola debaixo do braço” e resolva a partida em um chute. E nesta partida sem brilho e criatividade coletiva, o Atlético precisava de algo assim.

Por causa da falta de raça da equipe e o nível abaixo do esperado, é possível citar poucos pontos positivos na partida. Éverson foi o grande destaque já que fez duas belas defesas nos minutos finais e o ponto conquistado é na conta do contestado goleiro. Já como ponto negativo, além da atuação coletiva, é necessário falar sobre a partida de Eduardo Vargas e Hyoran. Os dois jogadores estavam em outra voltagem e não conseguiram fazer, praticamente, nada em campo.

O primeiro tempo

A formação do Atlético teve uma modificação em relação à escalação contra o Goiás: Gabriel voltou para o banco, enquanto Guga retornou ao time titular. Sendo assim, o time de Jorge Sampaoli foi escalado com Éverson; Guga, Réver, Alonso e Arana; Allan, Alan Franco e Hyoran; Savarino, Sasha e Vargas.

A primeira chance que a bola teve a direção do gol aconteceu no minuto 15. Luiz Henrique, jovem atacante do Fluminense, fez a jogada pela direita e tentou o cruzamento, mas a bola foi bloqueada pela defesa atleticana. No rebote, Luiz conseguiu finalizar com a perna esquerda, porém Éverson encaixou no meio do gol.

Dois minutos depois, aos 17, o Galo chegou com Savarino. O venezuelano, que foi invertido para a ponta-esquerda, recebeu de Junior Alonso e trouxe da esquerda para dentro. A jogada característica dos pontas resultou em uma finalização ruim. O chute de Savarino foi para fora e não assustou Marcos Felipe.

O jogo teve um perfil durante o primeiro tempo: posse de bola ineficiente do Atlético e marcação compacta do Fluminense. O Galo teve 75% de posse de bola, no entanto, a transição lenta e a falta de criatividade foram os empecilhos para o time mineiro chegar ao gol do adversário: foram apenas três finalizações e nenhuma com direção.

O Atlético tinha dificuldade para furar a muralha do Fluminense e a bola não chegava na área do rival carioca. A única finalização do Galo dentro da área do adversário aconteceu aos 45. Em escanteio mal cobrado por Hyoran, Eduardo Sasha tentou escorar e Savarino furou. A bola sobrou na entrada da área e Alonso cruzou. O chileno Eduardo Vargas dominou no peito, finalizou e acabou isolando. Lance final de uma primeira etapa sonolenta.

O segundo tempo

Jorge Sampaoli não mexeu as peças, mas mudou a posição de Savarino após o intervalo: Savarino retornou para o lado direito e Vargas foi para a esquerda. E a primeira boa jogada aconteceu com o venezuelano. No minuto 5, após bola dividida na entrada da área do Fluminense, Alan Franco ficou caído, mas o Atlético deu sequência na jogada. A bola ficou com Guga e o lateral encontrou Savarino. O ponta cruzou e Eduardo Sasha entrou cabeceando. A bola foi para fora.

Como o jogo estava na mesma situação – Fluminense esperando e Atlético com a bola, contudo, sem criatividade – o técnico Jorge Sampaoli decidiu trocar Eduardo Sasha e Hyoran por Marrony e Nathan. Com isso, Vargas foi centralizado e deixou a ponta-esquerda. As modificações não surtiram efeito imediato e o técnico argentino apostou em Tardelli, no lugar de Vargas, e Calebe substituiu Alan Franco.

Durante este segundo tempo desanimado, o Galo chegou na finalização de Eduardo Vargas, no minuto 14. O chileno trouxe para o meio e arriscou, mas a bola desviou em Matheus Ferraz. Aos 26, o Fluminense chegou com o jovem John Kennedy. O atacante, cria da base do time carioca, acelerou, foi fechado por Guga e ficou sem espaço para finalizar. Ele tentou chutar, furou e tentou cavar o pênalti após encostar em Junior Alonso. O árbitro Luiz Flávio de Oliveira não marcou.

A única boa chance da partida aconteceu no minuto 32. Em grande trama pela esquerda, o Atlético quase marcou um gol com Savarino. Nathan começou a jogada, tocou para Tardelli e o camisa 9 encontrou, como um pivô, o lateral Arana. O ala, que joga como meio-campista, lançou Marrony e o camisa 38 cruzou rasteiro. A bola passou pela defesa do Fluminense e quase chegou nos pés de Savarino. A melhor trama atleticana foi um cruzamento sem sucesso por causa de poucos metros.

O jogo morno foi se encaminhando para o final e, ironicamente, esquentou. Aos 45, Arana cruzou e encontrou Diego Tardelli. O atacante dividiu de cabeça com Matheus Ferraz e a bola foi pela linha de fundo. Na jogada seguinte, Guga inverteu da direita para a esquerda e encontrou Arana. O camisa 13 do Galo finalizou de fora da área e obrigou Matheus Ferraz a fazer uma boa defesa.

Depois dessas chances, o Fluminense agrediu pela 1ª vez na partida. Aos 47, em contra-ataque cedido por um erro de Tardelli, o Tricolor Carioca acelerou pelo meio e a bola chegou nos pés de Fernando Pacheco. O camisa 16 estava livre no lado direito da defesa atleticana e bateu. Éverson havia saído muito bem e abafou o adversário, impedindo qualquer finalização do jogador do Fluminense. Aos 52, em excelente chute de Michel Araújo de fora da área, o goleiro atleticano fez outra grande defesa e garantiu o empate.

O fim do jogo

O jogo terminou empatado por duas razões: por causa das boas defesas feitas por Éverson nos minutos finais e, principalmente, devido a falta de vontade do Atlético. Os jogadores não mostraram raça e a apatia foi vista no placar sem graça. Consequentemente, com este empate sem graça, o Galo não retornou com força para a briga e o principal objetivo continua sendo a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. Raça para vencer, Atlético!

O Galo volta a campo no próximo sábado, às 19 horas, contra o Bahia, no Mineirão.

Números da partida
Fluminense x Atlético
27% Posse de bola 73%
10 Finalizações 8
3 Finalizações no gol 1
6 Escanteios 6
3 Impedimentos 1
8 Faltas 13
1 Grandes oportunidades 0
1 Grandes oportunidades perdidas 0
307 Passes 838
235 (77%)Passes certos 753 (90%)
Fonte: SofaScore.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Claúdio Rodolfo

Eu preferia o Abelão do que esse técnico.