Sampaoli pode ser o 1º técnico a completar um Brasileirão pelo Atlético desde 2013. É hora de apostar no projeto ou demitir o treinador?

Jorge Sampaoli

Jorge Sampaoli/Bruno Cantini

Por Pedro Bueno

Os torcedores do Atlético desejavam um final de temporada mais vitorioso e, por isso, uma parte da torcida está decepcionada com o atual momento do time, acarretando até protestos nesta terça, 26, antes da partida contra o Santos. A torcida estava irritada após ver o Grêmio empatar, nos minutos finais, uma partida importantíssima, na última quarta, 20, e, no último sábado, 23, o atleticano assistiu uma apresentação vergonhosa, onde o modesto time do Vasco da Gama abriu 3 a 0 com 60 minutos de jogo. Por isso, a indignação e as cobranças dos torcedores são justas, mas é necessário ter cuidado. É o momento certo para trocar o treinador?

Jorge Sampaoli chegou em março, pediu vários reforços e esteve em lua de mel com o torcedor do Atlético em setembro e outubro, momento em que o Galo liderou o Brasileirão e estava praticando o melhor futebol da competição. No entanto, a irregularidade tomou conta do time atleticano e algumas decisões do treinador argentino são contestadas. A pressão ainda aumenta pela cultura futebolística de trocas de técnico no Brasil e pelo alto custo de Sampaoli e sua comissão.

Nesta terça, 26, após os protestos da torcida, o Galo venceu o Santos por 2 a 0, em uma boa atuação coletiva e com dois gols de Savarino. Atualmente, o Atlético está em 3º, com 57 pontos conquistados, e viu o Internacional abrir cinco pontos na liderança.

A questão principal é que a torcida cobra melhores atuações. Uma reivindicação justa. Mas sobre os pedidos de troca de treinador, o torcedor deve ter calma e olhar para trás. Mudar de treinador foi a realidade do Atlético na década e a única vez em que o técnico foi mantido para o ano seguinte, após treinar durante todo o Brasileirão, foi em 2012. No ano seguinte, Cuca completou mais um Brasileirão e conseguiu o título da Libertadores.

É hora de apostar no projeto ou demitir o treinador? Veja a ánalise e deixe a sua opinião nos comentários.

A lista de treinadores

Principalmente desde 2016, o Atlético vive uma incessante troca de técnicos. E estas mudanças não dão prosseguimento para trabalhos que poderiam recompensar o clube em breve. Alguns treinadores como Diego Aguirre e Roger Machado iniciaram a temporada, mas não aguentaram as turbulências iniciais e foram demitidos. O Atlético, durante a década passada, passou pela mão de vários técnicos interinos e outros “bombeiros”, os quais conseguiram apagar o fogo momentâneo, mas não deram continuidade.

Para relembrar o torcedor, iremos citar todos os treinadores desde a passagem de Cuca:

  • Cuca: chegou na metade de 2011 e treinou a equipe em 2012 e 2013;
  • Paulo Autuori: chegou no início de 2014 e treinou até o meio de 2014;
  • Levir Culpi: chegou no meio de 2014 e ficou até quase no final de 2015;
  • Diogo Giacomini: foi técnico interino no final de 2015, para substituir Levir, e no final de 2016, para substituir Marcelo Oliveira;
  • Diego Aguirre: chegou no início de 2016 e treinou até o meio de 2016;
  • Marcelo Oliveira: chegou no meio de 2016 e treinou até quase no final de 2016, quando foi substituído por Giacomini;
  • Roger Machado: chegou no início de 2017 e saiu no meio de 2017;
  • Rogério Micale: chegou no meio da temporada de 2017 e saiu rapidamente, em 2017;
  • Oswaldo de Oliveira: chegou no final de 2017 e saiu no início de 2018;
  • Thiago Larghi: assumiu como interino no meio de 2018, foi efetivado e saiu no meio do Brasileirão de 2018;
  • Levir Culpi: chegou no fim de 2018 e saiu no meio de 2019;
  • Rodrigo Santana: assumiu como interino no meio de 2019, foi efetivado e saiu no meio do Brasileirão de 2019;
  • Vagner Mancini: chegou no fim de 2019 e saiu no término de 2019;
  • Rafael Dudamel: chegou no início de 2020 e saiu em fevereiro do mesmo ano;
  • James Freitas: foi interino durante duas partidas na transição de Dudamel para Sampaoli em março de 2020;
  • Jorge Sampaoli: chegou em março de 2020.

Desde a passagem de Cuca, o Atlético contou com 14 treinadores em 16 passagens diferentes – Giacomini, como interino, e Levir, como treinador, treinaram a equipe duas vezes neste intervalo de 2014 a 2020. O time mineiro trocou de comando várias vezes no meio de competições importantes, fator que, certamente, prejudicou o desempenho do time.

O torcedor e todos os apaixonados por futebol sabem que ficar nestas mudanças é prejudicial: depois da saída de Roger Machado, em 2017, até a chegada de Jorge Sampaoli, em 2020, o Atlético somou oito treinadores e zero títulos. E desde a saída de Levir Culpi, em 2015, o Galo ergueu apenas duas taças do Campeonato Mineiro.

Por isso, a cobrança em cima de Sampaoli é para vencer um grande título. O Brasileirão, título que não é conquistado pelo Atlético desde 1971, é o maior objetivo. No entanto, este ciclo vicioso pode levar o Galo, mais uma vez, a várias trocas no comando e, consequentemente, nenhum grande projeto.

Os erros de Sampaoli

Certamente, até o próprio Jorge Sampaoli reconhece os seus erros. E são vários. Porém, os erros de um treinador não são exclusividade do comando atleticano. Desde os grandes técnicos, como Pep Guardiola e Jürgen Klopp, até os treinadores da base, todos são contestados e cometem erros: escolher um jogador ou uma formação nunca será unanimidade.

Para muitos torcedores, o principal erro cometido por Jorge Sampaoli é a utilização de alguns jogadores. O mais criticado é o goleiro Éverson. O arqueiro foi um pedido de Sampaoli, mesmo com Rafael no elenco, e, desde que chegou, Éverson não ficou no banco. Rafael é pedido, constantemente, pela torcida e o Blog até já fez uma matéria, no início do Brasileirão, sobre o duelo dos goleiros. O arqueiro ex-Cruzeiro tem números bem melhores debaixo da trave, enquanto o goleiro ex-Santos é elogiado pela qualidade na saída com os pés. Ao valorizar apenas isso, Sampaoli está cometendo um erro, segundo boa parte da torcida.

Outro ponto que os atleticanos estão falando é sobre o retorno de Diego Tardelli. Nesta questão, a torcida está mais dividida, porém cada dia mais, atleticanos cobram o técnico Jorge Sampaoli pela a não escalação do ídolo. Ele se lesionou, retornou aos treinos em 15 de dezembro e, desde esta data, está só treinando. A torcida gostaria de ver o camisa 9 entre os relacionados, mas Sampaoli prefere não o colocar no banco. O argentino alega que o atacante ainda não tem condições físicas.

Alguns torcedores ainda contestam a ideia de jogo de Jorge Sampaoli. Quando bem praticada, a filosofia do treinador enche os olhos de qualquer amante do futebol, no entanto, como qualquer ideia no esporte, o jeito das equipes de Sampaoli jogar tem problemas. A defesa – com jogadores não tão rápidos – atuando em linha alta, a falta de triangulações em algumas partidas e a forma ofensiva de atacar por apenas um lado – a extremidade de Keno e Arana – são os principais pontos táticos criticados. E Sampaoli sabe que terá que corrigir isso.

Além disso, a falta de proximidade entre o torcedor e o técnico estão esfriando esta relação. Jorge Sampaoli não teve contato direto com a massa atleticana e o carisma, com certeza, faz falta nesta relação entre os fãs e o treinador. Erros permanecerão acontecendo, já que o treinador argentino é humano, porém ele também deve entender a pressão que existe para a utilização de alguns jogadores.

O que seria da atual temporada sem Sampaoli?

Sampaoli errou? Sim, muitas vezes. Ele acertou? É possível afirmar que ele acertou mais vezes do que errou e, devido a isso, o saldo é positivo. É importante pensar na reformulação feita no Atlético neste ano – foram quase vinte reforços e incontáveis saídas – além de uma troca brusca de filosofia.

O Atlético encerrou 2019 com Vagner Mancini no comando. O contrato se encerrou e chegou Rafael Dudamel. O venezuelano ficou dois meses no comando do Atlético e foi demitido. O trabalho era muito ruim, o Atlético estava apresentando um futebol pífio e Dudamel conseguiu a façanha de ser eliminado para o Afogados, na Copa do Brasil, e para o Unión-ARG, na Copa Sul-Americana.

Após a demissão de Dudamel, a diretoria atleticana buscou Sampaoli. O treinador argentino é um dos técnicos mais conceituados na América do Sul, mas não abre mão das suas convicções. Talvez, por este motivo, Sampaoli não se adaptou ao futebol europeu, onde treinou o Sevilla-ESP. A filosofia do treinador é complexa e os treinamentos, certamente, são bem fortes. Leva tempo.

E o resultado para o time mineiro chegou mais cedo do que o normal. Grandes técnicos teóricos como Sampaoli necessitam mais de uma temporada para implementar sua forma de jogo. Como o futebol brasileiro é imediatista, Sampaoli pode ser queimado pela falta de um grande título.

Não é certo que a filosofia de Sampaoli irá render títulos ao Atlético, mas é consenso geral que, com a equipe de Dudamel, o Galo estaria disputando em outra parte da tabela: a zona do rebaixamento. O time atleticano melhorou muito durante a mesma temporada, reformulou o elenco ruim e velho que tinha e tem um futuro.

Apostar no projeto ou demitir?

Existe uma linha tênue entre besta e bestial. Sampaoli já foi o gênio e hoje, para uma parcela da torcida, é um problema da equipe. Três jogos ruins são sobrepostos por uma goleada aplicada? Ou, três boas partidas são escondidas por uma goleada sofrida? Não deveria ser assim. O resultadismo é algo que está inerente ao torcedor e, em algumas oportunidades, a ideia de jogo e a filosofia fica atrás do resultado de uma única partida.

Desde 2013, o Atlético não inicia e termina um Brasileirão com o mesmo treinador. Cuca foi o último a conseguir esta façanha. A dança das cadeiras é persistente no Atlético e não faz bem à instituição. Jorge Sampaoli, se concluir este Brasileirão, será o primeiro depois de Cuca. É necessário destacar novamente: a última vez em que um técnico foi mantido no Atlético após treinar durante todo um Campeonato Brasileiro foi em 2012. A resposta foi entregue no ano seguinte: o Atlético foi campeão da Libertadores de 2013.

É melhor apostar no projeto de Sampaoli, juntamente com os investidores, ou demitir para um final de Campeonato Brasileiro com outro treinador é a melhor saída? A pergunta que fica é essa. Para substituir Sampaoli, o Atlético teria bastante dificuldade no mercado, visto que poucos treinadores considerados bons estão livres.

É necessário ter cuidado para não decidir sobre uma demissão pensando apenas no presente e não visar o futuro. Ter Sampaoli é caro, porém, ele é um dos treinadores mais renomados do futebol sulamericano. O torcedor deve e está correto em cobrar melhores atuações. As últimas atuações não animaram o atleticano e quem cobrar, pacificamente, estará correto.

Mas, é importante que o torcedor esteja pensando no futuro. Tirar Sampaoli não pode ser o melhor caminho para a temporada 2021 – que iniciará no fim de fevereiro, logo após o término do Brasileirão – e o torcedor do Galo, com certeza, não deseja mais uma temporada sem grandes títulos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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saulo antonio melo siqueira

Renome não ganha títulos. É renomado por ser um babaca no gramado. Ator de comédia pastelão. Ridículo. Incompetente. Desestabilizador. Ator de quarta categoria. Vaza babaca.

Eddie Fern

a instituição Galo deve ser paciente se quiser virar as páginas de amadorismo mostradas em vários anos recentes.
Dirigente ‘bão’ não pode ignorar exigência de torcedores chatos (muitas vezes eles tem razão).
Dirigente ‘bão’ tem de ter coragem de manter uma linha de trabalho com o mesmo treinador e tomar medidas para conquistar a parceria de uma maioria da torcida. Aí os protestos poderão ser base para aquela conversa de “vamos resolver” e não discussão besta.
Tem de ser igual a um casamento, oras. Vamos escutar o que o outro tem pra falar e fazer o que for preciso pra corrigir o que tiver de ser corrigido. Senão dá crise e divórcio.
Se o Sampaolli está antipático e não quer mudar o jeito, o Galo que arranje um porta-voz ou relações públicas pra falar no lugar dele e trazer a torcida junto, pro bem dela e pro bem do Clube.

Lindinho da B

Agora tem que ficar com esse duende de jardim, até o final do campeonato. Não me venham falar que este foguete molhado está fazendo um grande trabalho no Galo. Quem está fazendo um grande trabalho é o Abel Braga que será campeão Brasileiro com o Inter sem ter investido 200mm. O Renato Gaúcho no Grêmio.
Esse foguete molhado está fazendo o Galo brigar para garantir uma vaguinha para a Libertadores 2021.