Com a 1ª expulsão de Fábio pela equipe, Cruzeiro empata com o Náutico, em partida sem graça e sem gols

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O lance mais animado da partida foi, certamente, a expulsão de Fábio, aos 5 do 1º tempo. O restante do jogo foi bem sem graça e a ausência de gols acabou dando ênfase à partida ruim. E o resultado de 0 a 0 foi bom para as duas equipes e, por isso, os times acabaram não se expondo. O Cruzeiro tropeçou pela 13ª vez em casa nesta Série B, mas está apenas cumprindo tabela nestas rodadas finais. Já o Náutico, com o empate, conseguiu se livrar do risco do rebaixamento. 

Neste domingo, 24, Cruzeiro e Náutico empataram por 0 a 0, no Independência, em partida válida pela 37ª rodada da Série B. Com isso, a Raposa e o Timbu encerrarão o campeonato sem vitórias no duelo direto, visto que os dois jogos ficaram empatados – no 1º turno, o empate de 1 a 1 aconteceu nos Aflitos.

Por causa do resultado, a Raposa ganhou uma posição e assumiu a 12ª colocação da Série B, ultrapassando o Guarani. Com 48 pontos, o Cruzeiro ainda tem chances de terminar a Série B deste ano na primeira parte da tabela, mas depende de uma combinação de resultados na rodada final. Já o Náutico segue em 15º e ao alcançar os 43 pontos, o time pernambucano abriu quatro de diferença para o Figueirense, ou seja, o Timbu não corre riscos de ser rebaixado para a Série C. 

O jogo e as atuações individuais

A partida foi ruim para os torcedores e boa para as equipes dentro de campo, já que o Cruzeiro não tem mais objetivos e o Náutico precisava apenas de pontuar nesta rodada. Por causa disso, os times se respeitaram bastante e o Náutico chegou somente em um bom chute de Vinicius, que balançou o travessão de Victor Eudes. E o goleiro cruzeirense estava em campo por uma situação curiosa e única: Fábio foi expulso.

Em 922 jogos pela Raposa, o goleiro histórico nunca havia sido expulso. A primeira vez aconteceu após Fábio sair da área e desarmar Kieza com a mão. O árbitro demorou, hesitou e quase cometeu um erro, mas acertou – graças ao 4º árbitro – e expulsou o goleiro da Raposa. Com um a menos, o Cruzeiro recuou ainda mais e não ficou com a bola: 77% da posse de bola foi do Náutico e 23% para a equipe mineira, pior número do Cruzeiro nesta Série B. 

As atuações individuais passaram despercebidas em meio a este jogo pacato e fraco tecnicamente. Giovanni Piccolomo foi um dos melhores jogadores do Cruzeiro e tentou algumas jogadas no ataque. Um ponto a destacar é que os únicos atletas pendurados – Airton e Ramon – tomaram o 3º amarelo e entraram de férias mais cedo. Uma advertência curiosa. Em resumo, o Cruzeiro fez um jogo protocolar e o pensamento deve ser na próxima edição da Série B.

O primeiro tempo

Mesmo sem grandes objetivos na partida, Luiz Felipe Scolari não fez testes e colocou em campo a formação tradicional. A única mudança foi a entrada de Jadson no lugar do volante Machado, já que o camisa 25 estava suspenso. Por isso, o Cruzeiro entrou em campo com Fábio, Raúl Cáceres, Manoel, Ramon e Matheus Pereira; Adriano, Jadson e Giovanni Piccolomo; Airton, Rafael Sobis e William Pottker.

Porém, esta escalação durou apenas cinco minutos. O Cruzeiro começou em cima, mas, aos 5, um lance polêmico marcou a partida. Kieza recebeu um belo lançamento em meio aos zagueiros da Raposa, estava em posição legal e acelerou livre. Fábio saiu e abafou o atacante do Náutico fora da área. No momento, o árbitro mandou seguir a jogada, porém a imagem deixou claro que o experiente goleiro cruzeirense tirou com a mão, mesmo estando fora da sua área.

Como o juiz da partida, Flávio Rodrigues de Sousa, não havia marcado a infração evidente, o 4º árbitro Gabriel Murta Barbosa Maciel chamou o juiz principal e afirmou que Fábio pegou com a mão fora da área. Ele estava convicto e, por isso, o árbitro expulsou o goleiro cruzeirense. Esta comunicação entre os árbitros incendiou o banco da Raposa, que reclamou sobre uma suposta interferência externa. Felipão tomou um cartão amarelo por causa da sua reclamação incessante.

Devido a expulsão de Fábio, Felipão tirou Rafael Sobis e colocou Victor Eudes. Com isso, a Raposa perdeu seus dois jogadores mais qualificados e experientes logo no início da partida. A falta, muito próxima do gol do Cruzeiro, foi cobrada apenas aos 12. Na cobrança, Jean Carlos arriscou, o chute foi forte e passou perto da meta do jovem Victor Eudes. 

O restante do 1º tempo foi bem travado. A Raposa recuou e ficou esperando o adversário, visto a inferioridade numérica. O Náutico teve a bola – 70% de posse de bola – mas por causa da limitação, o time pernambucano não conseguiu criar boas chances.

O Cruzeiro chegou aos 14, em cruzamento de Giovanni e cabeceio de Manoel. A bola passou perto da meta do Timbu. No minuto 19, Kieza teve uma boa chance novamente. Ele tentou encobrir o goleiro Victor Eudes, com o cabeceio, após boa trama pelo meio, mas a bola foi para fora. Após muitas faltas e vários cartões, Matheus Pereira trouxe para o meio e finalizou, aos 48. O goleiro do Náutico encaixou e ligou um grande contragolpe. Jean Carlos acelerou pela direita e finalizou. Victor Eudes fez a defesa e acabou com um 1º tempo ruim e com um lance bem conturbado.

O segundo tempo

As equipes voltaram com as mesmas escalações, mas logo no primeiro minuto da 2ª etapa, o Cruzeiro teve uma grande chance. Em escanteio cobrado por Matheus Pereira, pela esquerda, Ramon subiu e cabeceou. A finalização com a cabeça do zagueiro foi bem forte e Anderson fez uma linda defesa, evitando o gol cruzeirense.

Mostrando uma possível evolução do Cruzeiro na etapa final, a Raposa chegou mais uma vez. Giovanni Piccolomo, aos 5, recebeu a bola no meio e, mesmo estando de longa distância, o camisa 94 arriscou. A bola passou muito perto do travessão do goleiro Anderson.

Com a necessidade de pontuar para sobreviver na Série B, o Náutico foi para o ataque e cresceu na partida. Aos 15, Vinicius fez uma grande jogada. O camisa 70 partiu da esquerda para o meio e arriscou de fora da área. A finalização foi muito boa e balançou o travessão de Victor Eudes.

No minuto 24, Jean Carlos também finalizou de fora da área e levou perigo ao gol cruzeirense. O chute do destaque do Timbu foi no canto direito do goleiro Victor Eudes e o arqueiro fez a defesa. Dois minutos depois, o lateral-esquerdo Bryan, que foi invertido para a direita após a entrada de Kevyn, fez o cruzamento para o seu companheiro de ala. Kevyn entrou e cabeceou, mas a bola foi para fora.

O jogo foi se arrastando. O Cruzeiro chegou em uma cobrança muito ruim de falta de Pottker, aos 34 da 2ª etapa. O Náutico teve a bola durante todo o jogo, porém não conseguiu criar grandes chances e a partida foi se encerrando sem gols.

O fim do jogo

Um placar sem gols. Um jogo sem graça. Uma atuação protocolar das duas equipes. O jogo aconteceu no horário nobre do futebol nos domingos – 16 horas – mas o futebol não foi nada nobre. O Cruzeiro segue com problemas e isso deve ser combatido para a próxima temporada. Primeiramente, o irritado técnico cruzeirense, Luiz Felipe Scolari, deve conversar com a diretoria e decidir sobre a sua permanência. Depois disso, o Cruzeiro deve começar a enxergar os erros de 2020 para não acontecer novamente.

O Cruzeiro volta a campo na próxima sexta, às 21:30, contra o Paraná, em Curitiba, na última rodada da Série B.

Números da partida
Cruzeiro
x Náutico
23% Posse de bola 77%
9 Finalizações 11
2 Finalizações no gol 3
3 Escanteios 6
0 Impedimentos 1
16 Faltas 15
166 Passes 552
116(70%) Passes certos 486(88%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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