O Cruzeiro venceu e seguirá na Série B. Confira três pontos importantes para um planejamento melhor da próxima temporada

O presidente Sérgio Santos Rodrigues, um dos responsáveis por este 2020 trágico do Cruzeiro. Foto: Igor Sales / Cruzeiro

A temporada mais melancólica da história do Cruzeiro Esporte Clube chegou ao fim. Mesmo restando dois jogos na Série B, a Raposa não tem mais objetivos, visto que garantiu a permanência na Série B na noite desta quarta, 20, depois de vencer o Operário por 2 a 1. O acesso à elite do futebol brasileiro já era impossível desde o jogo contra o Juventude.

E, a partir de hoje, é necessário que a diretoria comece a colocar o Cruzeiro nos trilhos novamente. O ano de 2020 na Raposa foi vergonhoso e todos os erros cometidos não podem ser repetidos na próxima temporada. O Campeonato Mineiro inicia em 28 de fevereiro e a diretoria da equipe azul celeste tem mais de um mês para fazer um planejamento de verdade. 

Por causa do tamanho da instituição, o cruzeirense suplica que seja feito um planejamento bem feito e pensando na atual realidade do time. Investir em jogadores caros não é a melhor saída, pois o time pode ficar sem pagar salários devido ao investimento. É necessário ter pé no chão, entender a realidade e trilhar um novo caminho no restante de 2021.

Por isso o Blog trouxe três pontos importantes para o início de planejamento de Sérgio Santos Rodrigues e companhia, mas antes, o Blog detalhou a partida que acabou com os riscos de rebaixamento. Confira!

O jogo

O Cruzeiro venceu o Operário por 2 a 1, em partida realizada na noite desta quarta-feira, 20, no Independência. Os gols foram marcados por Rafael Sobis, William Pottker e Ricardo Bueno. Com o resultado, a Raposa conquistou uma dobradinha sobre o Fantasma, visto que, no 1º turno, a equipe mineira venceu por 1 a 0. 

A vitória cruzeirense deixou o time de Felipão na 13ª posição, com 47 pontos, oito tentos à frente da 1º equipe dentro do Z-4 – o Figueirense – ou seja, encerrando qualquer chance de rebaixamento, já que faltam apenas dois jogos nesta temporada. Com isso, o Cruzeiro está garantido na próxima Série B. Já o Operário perdeu uma grande chance de se aproximar do G-4 e está em 9º, com 51 pontos. A equipe paranaense ainda sonha com o acesso, mas deve ganhar as duas partidas e torcer por uma grande e complicada combinação de resultados.

Em campo, a Raposa fez mais um jogo ruim e segue sem criatividade, mas o Cruzeiro teve raça e conseguiu buscar a vitória importante. Um ponto positivo, além da vontade da equipe, foi a atuação de William Pottker, nome tão contestado que fez um bom jogo e se credencia para ser um jogador importante na próxima temporada. 

O Cruzeiro abriu o placar aos 32 do 1º tempo. A defesa do Operário tirou a bola e Manoel, no campo de defesa, rebateu de cabeça. O cabeceio do zagueiro foi muito longo, o último defensor do Fantasma errou o tempo da bola e Rafael Sobis aproveitou. O camisa 23 saiu livre, chapelou o goleiro e empurrou para as redes, mesmo dividindo com o adversário. Mais um golaço na conta do artilheiro da temporada cruzeirense.

O Operário diminuiu e chegou a virar na 2ª etapa, mas o 2º gol foi anulado. Aos 9, Jean Carlo acelerou da direita para o meio e deixou de calcanhar para Ricardo Bueno. O centroavante ex-Atlético finalizou de fora da área, a bola desviou na cabeça de Manoel e foi no canto de Fábio. Um belo gol. E três minutos depois, o Fantasma chegou a virar a partida em gol de Pedro Ken, ex-Cruzeiro. Em cruzamento da direita, Pedro Ken saiu da marcação de Machado, cabeceou sozinho e fez vigorar a lei do ex. Porém, o juiz marcou uma falta em Machado. O comentarista de arbitragem da TV Globo falou que foi lance normal, uma disputa de espaço, mas o árbitro anulou o gol. 

E o Cruzeiro, equipe que não tinha nada a ver com isso e precisava da vitória, aproveitou a brecha que teve e marcou o seu gol. No minuto 31 do 2º tempo, Manoel lançou do campo de defesa e encontrou William Pottker em velocidade. O camisa 11 da Raposa dominou e bateu na saída do goleiro. Um gol importante e que decretou a permanência. 2 a 1 no placar. 

Decidir o treinador

A temporada cruzeirense em campo terminou após este gol de William Pottker. As duas últimas partidas serão protocolares e a Raposa deve começar a traçar o restante de 2021, já que o estadual tem início em 28 de fevereiro e o Cruzeiro deseja estar bem na disputa. E o primeiro passo para colocar a equipe nos trilhos e iniciar um planejamento correto deve ser a decisão do treinador da equipe.

Luiz Felipe Scolari chegou em outubro e assinou até o fim de 2022, prometendo um projeto a longo prazo. Mesmo com a permanência na Série B, objetivo estabelecido e ressaltado diversas vezes pelo próprio treinador, a continuação do trabalho do técnico é dúvida na Toca da Raposa. Como detalhado aqui, Felipão está insatisfeito por causa das promessas não cumpridas e pelos atrasos salariais, fator que prejudica o bem-estar da equipe. Além disso, Scolari já criticou várias vezes o número de jogadores inexperientes no plantel. 

E neste ponto está a questão que deve ser discutida: para 2021, o Cruzeiro deseja um técnico que queira trabalhar com jogadores jovens, sem expressão ou com medalhões? Felipão, como ele mesmo disse em algumas entrevistas, almeja um time com jogadores renomados e mais experientes, porém o salário alto e a falta de vontade para atuar bem em uma Série B podem ser empecilhos para a contratação destes atletas. Ter jogadores baratos, com perspectiva de venda e que conheçam a Série B pode ser o melhor caminho. 

Por isso, se faz necessário definir quem será o treinador, já que o primeiro passo é compreender a filosofia do treinador. Se seguir com Felipão, a diretoria deve ser realista sobre a situação do clube e tentar entrar em um acordo sobre os atletas. Se for para o mercado buscar um novo técnico, Felipe Conceição, treinador que está no Guarani e se destacou no América em 2019, é um nome forte e teria uma filosofia bem diferente de Scolari. Nas próximas semanas, a diretoria deve decidir quem comandará o Cruzeiro em 2021. Aguardaremos. 

Reformular elenco e definir os alvos

Após definir o treinador, a Raposa deve sentar com o técnico e olhar o atual elenco. Vários jogadores demonstraram que não tem nível ou vontade para ajudar o Cruzeiro na próxima temporada. Não faz sentido estes atletas ocuparem vagas de jogadores da base ou atletas mais baratos. 

Jogadores como Sassá e Marcelo Moreno têm salário acima do teto salarial de 150 mil e teriam que passar por uma nova adequação. Por isso, é importante que o novo diretor de futebol, André Mazzuco, defina quais jogadores seguirão sendo utilizados, já que alguns não fazem sentido continuar. Por exemplo, Sassá não participou de gols desde que voltou à Raposa e não entregou sequer 10% do futebol esperado. Faz sentido manter?

Alguns atletas como Machado e Manoel estão com contrato próximo do fim e podem não continuar, já que se destacaram. O zagueiro Manoel foi a grande surpresa da equipe, tem um salário alto e, certamente, terá propostas de times da Série A. Com contrato encerrando em junho, Manoel pode sair do Cruzeiro, deixando uma lacuna na defesa cruzeirense. 

Depois de reformular e determinar quem irá sair, a Raposa deve definir os alvos. Mazzuco já disse que irá olhar para o mercado sul-americano e a própria Série B pode servir bons nomes em times modestos, como Lucas Crispim, destaque do Guarani treinado por Felipe Conceição. Para determinar os jogadores que serão alvos, a diretoria deve ter uma conversa séria com o treinador, já que o Cruzeiro fez 23 contratações em 2020 e 13 jogadores saíram antes do término da temporada. Planejar para evitar isso é o único caminho.

Organizar a parte financeira

Por fim dos três passos iniciais, chega a parte mais complicada, contudo, a mais importante: a organização financeira. Não basta trazer jogadores caros – mesmo sem taxa de transferência – ou assinar com treinador que ganha bem, se o time não conseguir bancar o mínimo: salários.

O exemplo deste final de temporada deve servir para não se repetir em 2021. A diretoria cruzeirense entrou em janeiro com chances de subir, mas devendo duas folhas e meia de salário e o 13º salário. O time se revoltou pela falta de pagamento, jogadores entraram com pedido de rescisão imediata e o desempenho, logicamente, foi ainda pior. Pagar salários é o mínimo que uma instituição deve fazer.

Portanto, para um planejamento eficaz, a diretoria deve pensar no tamanho dos seus investimentos e ver se conseguirá bancar os salários até o fim da temporada. Evitar qualquer desentendimento entre atletas e diretoria é o melhor caminho para um bom ambiente e, consequentemente, bons resultados.

Sérgio Santos Rodrigues e o restante da sua diretoria terá muito trabalho neste início de ano. Mas, somente se o planejamento for bem feito, o Cruzeiro conseguirá voltar à elite do futebol brasileiro. Novos erros, como os deslizes cometidos em 2020, podem deixar a Raposa mais um ano afundado na Série B. 

É necessário cobrar a diretoria e perguntar o porquê de várias ações. O torcedor é o maior patrimônio do clube e, por isso, tem o direito de querer um futuro mais competitivo. Um planejamento melhor é o pedido dos cruzeirenses. Em breve, veremos como será feito isso. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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