Matematicamente na Série B! Cruzeiro perde para o Juventude por 1 a 0 e não tem mais chances de subir

Foto: Igor Sales/Cruzeiro

Era questão de tempo e aconteceu neste sábado, 16 de janeiro de 2021. Após uma campanha vergonhosa, o Cruzeiro não tem mais chances matemáticas de voltar à Série A. Pela 1ª vez na história da Série B de pontos corridos (2006-2020), um dos 12 grandes times brasileiros não consegue retornar à elite do futebol brasileiro após ser rebaixado. Uma temporada perdida de uma instituição tão vitoriosa. Uma campanha vexatória. Um novo Cruzeiro inexistente. Fim de sonho para a Raposa.

Neste sábado, 16, o Cruzeiro perdeu para o Juventude por 1 a 0 no estádio Alfredo Jaconi, em partida válida pela 35ª rodada da Série B. O gol foi marcado por Rafael Grampola no 1º tempo, em pênalti cometido por Matheus Pereira. Por causa da vitória, a Raposa encerrará o campeonato sem vencer o Ju – as equipes empataram no 1º turno – e o Juventude chega ao 5º jogo seguido invicto no duelo.

Com o resultado, a chance matemática do Cruzeiro subir para a Série A tornou-se inexistente. A equipe está em 14º, com 44 pontos, e está onze tentos atrás do próprio Juventude, time que está na 4ª posição, com 55 pontos. O Cruzeiro perdeu uma posição porque o Confiança venceu o rebaixado Oeste e deixou a Raposa em 14º. A diferença para o Z-4 é de seis pontos e como restam apenas três jogos – nove pontos possíveis – o risco de cair para a Série C existe, mas é bem pequeno. O Juventude, como dito anteriormente, entrou no G-4 e abriu dois pontos para o CSA, rival direto pela 4ª vaga.

O jogo e as atuações individuais

Pela situação extracampo e pelas atuações vergonhosas dentro de campo, a matemática apenas demorou a concretizar algo evidente: o Cruzeiro ficará na Série B. Existem chances matemáticas da equipe ser rebaixada, mas, na prática, a Raposa deve começar a olhar para o restante do ano. A nova temporada necessitará de um Cruzeiro melhor e mais forte, já que a equipe perdeu mais um jogo – a 11ª derrota na divisão de acesso – e vários jogadores não devem ficar para a próxima temporada.

Sobre o jogo desta noite, a Raposa teve uma atuação sem brilho e só teve alguns raros momentos de bom futebol. A equipe fez o goleiro Marcelo Carné trabalhar poucas vezes e assustou o rival apenas em uma bola na trave de William Pottker. O campo molhado, com certeza, atrapalhou, mas o Cruzeiro foi mais uma vez o mesmo time inoperante e sem criatividade. Foram 35 rodadas de Série B com este diagnóstico e nenhuma mudança.

De ponto positivo das atuações individuais, é possível destacar o jogo de Rafael Sobis – mais uma vez – e William Pottker. O atacante tão contestado, que estava suspenso na partida contra o Oeste, chamou a responsabilidade e teve a bola em diversos momentos importantes – inclusive, foi do seu pé esquerdo que saiu a finalização mais perigosa da Raposa, a qual bateu na trave. Já de ponto negativo, além do jogo coletivo ruim, a atuação de Machado e Matheus Pereira chamaram a atenção, visto que eles são jogadores importantes. O volante não estava com o pé calibrado e errou, praticamente, todos os cruzamentos e o lateral foi substituído no intervalo após cometer um pênalti infantil e errar diversos desarmes.

O primeiro tempo

Na escalação, Luiz Felipe Scolari não surpreendeu a torcida azul celeste. O Cruzeiro entrou em campo com a escalação que os torcedores estão se acostumando: Fábio, Raúl Cáceres, Ramon, Manoel e Matheus Pereira; Adriano, Machado e Giovanni Piccolomo; Airton, Rafael Sobis e William Pottker.

A partida começou bem morna. Certamente, o campo encharcado e o gramado ruim prejudicaram o desempenho durante toda a partida e os primeiros minutos foram importantes para os atletas se adaptarem. A primeira boa finalização aconteceu aos 9. William Pottker estava na direita e tocou para Giovanni Piccolomo. O camisa 94 arriscou com a perna esquerda e o goleiro Marcelo Carné encaixou.

Mesmo com o estado do gramado, Capixaba fez uma grande jogada individual e foi importantíssimo no gol do Juventude. Aos 20, o ponta velocista trouxe para o meio, driblou Matheus Pereira e entrou na área. Como havia sido driblado, o lateral cruzeirense agarrou Capixaba e cometeu o pênalti. Um lance bobo e o árbitro marcou sem hesitar. Na cobrança, o centroavante Rafael Grampola bateu no meio e viu Fábio cair no canto esquerdo do goleiro. Um importante gol de pênalti. 1 a 0 para o Juventude.

O 1º tempo foi se arrastando sem nenhuma criatividade de ambas as equipes – foram apenas seis finalizações nos 45 minutos iniciais. Por causa da importância da partida para o Juventude, a equipe ficou administrando a vantagem, sem se expor. Já a Raposa tentou sair, mas não conseguiu aproveitar os seus 59% de posse de bola no 1º tempo. Aos 40, o Cruzeiro teve um raro lance perigoso. Machado cobrou uma falta na ala-direita e William Pottker cabeceou livre, mas a bola foi para fora.

O segundo tempo

Após o intervalo, o Juventude fez a sua 3ª substituição – Capixaba e Wellington haviam saído no 1º tempo por causa de lesão – e o Cruzeiro mudou pela 1ª vez. No time gaúcho, Rogério, ponta ex-São Paulo, saiu para a entrada de Roberto. Já na Raposa, Matheus Pereira deixou a equipe e Rafael Luiz entrou. O jovem lateral-direito jogou pela esquerda e entrou em campo pela primeira vez no 2º turno.

Aos 4, o Cruzeiro chegou a balançar as redes do adversário, mas o auxiliar anulou o gol. Em boa jogada de Raúl Cáceres pelo meio, o lateral cruzou e encontrou Rafael Sobis na área. O camisa 23 dominou no peito e bateu forte no canto esquerdo do goleiro do Juventude. Sobis marcou o gol, mas, no momento do passe, o tronco do atacante estava à frente, segundo a comentarista de arbitragem da transmissão do SporTV. Um lance muito complicado e infeliz para os cruzeirenses.

Por causa da desvantagem no placar, a Raposa tinha a obrigação de buscar o gol. E a Raposa chegou, mais uma vez, com Rafael Sobis. Aos 12, o meio-campista Giovanni Piccolomo tentou tocar para William Pottker, todavia o lateral-esquerdo do Juventude interceptou o passe de carrinho. A bola sobrou no pé de Rafael Sobis, de fora da área, e o camisa 23 arriscou com a perna direita. O chute tinha endereço e Marcelo Carné fez uma linda defesa.

A necessidade do resultado fez o Cruzeiro sair mais e, consequentemente, a equipe mineira deu mais espaços. Aos 18, Rafael Grampola foi lançado e, teoricamente, Manoel interceptaria a bola. Entretanto, o zagueiro escorregou no campo encharcado e o centroavante do Juventude pôde acelerar. O atacante canhoto entrou na área e, por causa da marcação de Ramon, teve que trazer para a perna direita. A finalização não foi boa e o Ju perdeu uma boa chance. No lance seguinte, a Raposa chegou com Pottker. O camisa 11 recebeu na direita, trouxe para o meio e bateu forte. A bola não teve direção.

No minuto 26, o Cruzeiro assustou o Juventude e a jogada foi, novamente, com Rafael Sobis. Em bom cruzamento de William Pottker, na segunda trave, Sobis entrou e testou. O cabeceio foi para fora. Dois minutos depois, o Juventude chegou em lançamento de Matheusinho para Roberto. O camisa 19 da equipe gaúcha bateu de primeira, mas a bola foi para fora.

Mesmo sem muito talento das duas equipes, o 2º tempo foi movimentado e reservou momentos eletrizantes nos minutos finais. Aos 41, em cruzamento da direita, Machado apareceu na área e cabeceou. Carné encaixou e impediu o gol de empate cruzeirense. No minuto seguinte, o Cruzeiro chegou muito perto de empatar o jogo. Em trama individual de William Pottker, o atacante finalizou forte, de fora da área, e acertou a trave. No rebote, a bola passou perto de Rafael Sobis, porém a defesa do Juventude aliviou e tirou para longe.

O fim do jogo

Apito final e fim de um sonho. O Juventude venceu, abriu onze pontos para o Cruzeiro e decretou o óbvio: a permanência da Raposa na Série B. O time segue sem ações ofensivas, não consegue ter domínio da partida – mesmo com mais posse de bola e mais finalizações – e não fez por merecer o acesso. Mais um ano de Série B será deprimente para os torcedores e muito prejudicial para o clube, tanto na parte esportiva quanto no setor financeiro. Entretanto, o Cruzeiro e o seu planejamento inexistente mereceram isso. Foco no restante do ano, Raposa!

O Cruzeiro volta a campo na próxima quarta, 20, às 21:30, contra o Operário, no Independência.

Números da partida
Juventude x Cruzeiro

35% Posse de bola 65%
7 Finalizações 18
3 Finalizações no gol 3
1 Escanteios 8
2 Impedimentos 6
18 Faltas 10
1 Grandes chances 0
0 Finalizações na trave 1
280 Passes 482
195(70%) Passes certos 393(82%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários