Vergonha! Cruzeiro perde em casa para o Oeste e terminará a Série B sem derrotar a pior equipe da competição

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Não existe outra palavra para representar a partida desta noite. Vergonha foi o sentimento de todos os torcedores que acompanharam mais uma derrota em casa: o 12º tropeço em 17 jogos como mandante na Série B. A vergonha do Cruzeiro ainda é maior porque a equipe conseguiu a façanha de empatar no 1º turno e perder no returno para o Oeste, a pior equipe da competição. Foram cinco pontos perdidos para o lanterna. Simplesmente, vergonhoso. 

Nesta quarta, 13, em horário nobre da televisão brasileira, o Cruzeiro perdeu para o Oeste por 1 a 0 no Independência. Por causa desta derrota, a Raposa terminará o Brasileirão sem vencer o 20º colocado e virtual rebaixado da Série B, visto que o Oeste empatou em casa e derrotou o Cruzeiro fora de casa nesta edição. Quatro pontos conquistados contra a equipe mais tradicional da Série B. Um grande – talvez o único – bom resultado do Oeste na competição.

Com a derrota, o Cruzeiro perdeu a grande chance de se aproximar do G-4, já que as equipes que estão disputando o acesso tropeçaram. O Cuiabá empatou e o CSA e o Juventude perderam. Por causa da derrota, o Cruzeiro permanece na 13ª posição, com 44 pontos e está oito pontos atrás do G-4 e oito pontos à frente do Z-4. É, definitivamente, fim de campeonato para a Raposa. Já o lanterna Oeste permanece vivo, com 26 pontos, mas se encontra em uma situação delicada: está 12 pontos atrás do 1º time fora do Z-4 restando 12 pontos a serem disputados.

O jogo e as atuações individuais

Uma partida ridícula da equipe cruzeirense. É notória a crise do Cruzeiro, principalmente depois da entrevista pós-jogo de Rafael Sobis, onde o atacante disse que a imprensa sabe apenas 10% dos problemas internos da Raposa, mas o resultado desta noite é injustificável. O Cruzeiro conseguiu a façanha de perder em casa para o Oeste – a equipe paulista havia vencido somente um jogo como visitante nesta Série B.

As turbulências internas, como o atraso salarial, com certeza, foram cruciais para esta atuação. Mas a falta de criatividade assusta desde o início da temporada. Rafael Sobis é o único atleta que tenta algo diferente e nesta partida foi responsável por seis das 17 finalizações do Cruzeiro. O 1º tempo da Raposa foi medonho e a estratégia não funcionou novamente, já que a modesta equipe do Oeste teve oportunidades de ganhar com um placar mais amplo, mas parou na defesa cruzeirense. 

Como ponto positivo do jogo ficam as boas entradas de Claudinho e Stênio, principalmente do meio-campista criador. Claudinho deu uma dinâmica diferente à organização. Adriano também fez uma boa partida e acertou vários passes importantes. Já de ponto negativo fica a atuação coletiva do 1º tempo, onde o Cruzeiro não conseguiu fazer nada. Marcelo Moreno não ganhou nenhuma bola de cabeça e os pontas, Welinton e Airton, sequer aceleraram para tramar uma jogada diferente.

O primeiro tempo

Na escalação, Luiz Felipe Scolari modificou a equipe por causa das expulsões de Giovanni Piccolomo e William Pottker. Marcelo Moreno e Welinton foram os escolhidos para substituir os atletas suspensos. Com isso, Rafael Sobis foi recuado para exercer a função de criação que estava sendo feita por Giovanni. Além destas duas mexidas logo na formação inicial, Manoel também retornou ao time titular após cumprir suspensão na última partida.

O Cruzeiro, como era esperado, começou em cima e teve as melhores chances. Nos primeiros minutos, a Raposa chegou em cobranças de falta de Rafael Sobis. Aos 4, em falta lateral, Sobis cobrou direto e o goleiro Caíque França rebateu. Cinco minutos depois, o camisa 23 bateu uma falta – desta vez, a infração foi cometida no centro – e assustou o goleiro adversário, pois a bola passou perto da trave. 

Após essas chances, o Cruzeiro seguiu com a bola no pé, entretanto sem poder de fogo. A equipe mineira não conseguia agredir o Oeste e o time paulista seguia na sua proposta: ficar fechado e encontrar um contragolpe fatal. E o Rubrão chegou. Aos 26, Pedrinho arrancou pelo meio e achou Caio na ponta-direita. O meio-campista bateu cruzado – não foi possível concluir se ele tentou cruzar ou chutar – e a bola passou perto da meta de Fábio.

E na parte ofensiva cruzeirense somente um jogador cruzeirense estava aparecendo para o jogo: Rafael Sobis. No minuto 32, Adriano encontrou o artilheiro da Raposa e ele deu um lindo drible dentro da área. O marcador “passou lotado” e Sobis bateu forte com a canhota. Caíque espalmou. Dois minutos depois, o mesmo Rafael Sobis arriscou de longa distância. A bola foi rasteira e no canto. O arqueiro do Oeste fez boa defesa.

Com falta de domínio do meio-campo, o Cruzeiro foi dando espaço ao Oeste. E foi castigado por isso aos 40. Manoel tentou uma ligação direta para Airton receber de costas. O ponta dividiu a bola com o defensor adversário e ficou caído, pedindo falta. O árbitro mandou seguir e o Oeste teve facilidade para chegar no ataque. Caio inverteu rapidamente e encontrou o lateral-direito Raí Ramos. O ala foi ao fundo e cruzou na cabeça do centroavante Fábio. O atleta, que mede 1,92 de altura, cabeceou e balançou as redes do seu xará. Gol de Fábio em Fábio. Gol do lanterna Oeste. 1 a 0 no placar do Independência e fim de 1º tempo.

O segundo tempo

Logo no intervalo, Felipão reconheceu seus erros na formação inicial e promoveu mudanças. Claudinho e Stênio entraram nas vagas de Airton e Marcelo Moreno, retornando ao esquema tradicional, onde Rafael Sobis é o falso 9. Claudinho, que não jogava desde a 1ª rodada do 2º turno, em 06 de novembro, entrou para ser o jogador mais criativo e o jovem Stênio entrou como ponta, a sua posição de origem e que estava executando no início da Série B com Enderson Moreira – o garoto de 17 anos se lesionou em agosto e estava fora desde então.

Com a necessidade de virar a partida, o Cruzeiro foi adiantando o seu time e, consequentemente, deu mais espaço ao Oeste. Aos 9, Caio encontrou o atacante Fábio nas costas da defesa do Cruzeiro. O autor do 1º gol hesitou na hora da batida e foi travado por Matheus Pereira.

No lance seguinte,no minuto 10, a Raposa iniciou uma blitz que assustou a equipe paulista. Após “bate rebate” na área, a bola sobrou para Filipe Machado. Da intermediária, o camisa 25 arriscou e acertou o “pé” da trave. Um excelente chute de Machado. Aos 13, Claudinho fez uma boa jogada pela esquerda e tocou para Rafael Sobis dentro da área. O camisa 23 bateu e o goleiro Caíque França fez outra boa defesa.

Aos 16, uma rara jogada trabalhada do Cruzeiro. A excelente trama começou em uma tabela entre Adriano e Claudinho. O volante encontrou Rafael Sobis em meio à marcação do Oeste e o atacante tentou finalizar, mas errou a direção do arremate. Três minutos depois, Welinton partiu da direita para o meio e chutou com a perna esquerda. A bola bateu na mão do zagueiro Vitão, mas o braço estava colado ao corpo e, por isso, não foi assinalado o pênalti.

A Raposa aparentava estar ainda mais nervosa, enquanto o Oeste esperava por mais um contra-ataque perfeito. Os minutos foram passando e a pressão aumentava em cima do Cruzeiro. E em uma escapada aos 33, o Rubrão chegou próximo de definir o placar. O lateral-direito Raí Ramos acelerou pela ponta esquerda e chegou dentro da área cruzeirense. O defensor viu Fábio executar o seu melhor fundamento – sair nos pés do atacante – e Raí Ramos chutou em cima do goleiro, perdendo uma chance importante.

Aos 41, Pedrinho, destaque do Oeste na partida, foi lançado e driblou Fábio, mas o auxiliar já havia marcado impedimento. Nas imagens da transmissão da TV Globo, foi possível ver que o camisa 11 do Oeste estava na mesma linha e poderia ter feito o 2º gol do Oeste. Felipão tentou mudar a equipe com as entradas de Patrick Brey e Sassá, mas os próprios históricos recentes dos atletas evidenciam que as alterações não iriam surtir efeito.

O fim do jogo

Fim de um vexame marcante no centenário da Raposa. Mais uma partida que mancha a linda história cruzeirense. A fase atual é tenebrosa, mas derrotas como esta para o Oeste deixam feridas ainda maiores. O torcedor, certamente, espera que estas feridas acarretem mudanças para um 2021 melhor. O presidente Sérgio Santos Rodrigues ainda não se pronunciou sobre o momento e, como dito por Sobis, ainda não é possível ter conhecimento sobre boa parte dos problemas. A única coisa que o torcedor implora é que estes problemas sejam resolvidos e o Cruzeiro volte a ser temido em Minas Gerais. Atualmente, a própria equipe tem medo de jogar em BH. Até quando? 

O Cruzeiro volta a campo no próximo sábado, 16, às 19 horas, contra o Juventude, no estádio Alfredo Jaconi.

Números da partida
Cruzeiro
x Oeste
68% Posse de bola 32%
17 Finalizações 7
6 Finalizações no gol 2
7 Escanteios 4
1 Impedimentos 2
14 Faltas 15
532 Passes 241
440(83%) Passes certos 164(68%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários