Com homenagem ao Rei, Atlético falha defensivamente, mas arranca empate por 2 a 2 com o Red Bull Bragantino

Homenagem de Hyoran a Reinaldo, ídolo do Atlético. Reprodução Twitter

O maior ídolo da história do Atlético comemorou nesta segunda, 11, mais um ano de vida, chegando aos 64 anos. Mas Reinaldo, mesmo com a bonita homenagem recebida no apagar das luzes, no gol de Hyoran, não deve ter ficado satisfeito com o empate do Galo com o Red Bull Bragantino, principalmente pelo gol perdido por Sasha – que o Rei, certamente, faria – e pelas falhas defensivas que acarretaram os dois gols do time paulista.

Nesta segunda, 11, Atlético e Red Bull Bragantino empataram por 2 a 2 no estádio Nabi Abi Chedid. Os gols foram marcados por Ricardo Ryller, Savarino, Edimar e Hyoran. Com o resultado desta 29ª rodada, o Galo e o Massa Bruta chegaram ao 6º empate em 6 jogos em Bragança Paulista. Além disso, o Atlético terminará o Brasileirão sem ser derrotado pelo Red Bull, visto que, no 1º turno, o Galo venceu o Bragantino por 2 a 1 no Mineirão.

Por causa do empate, o Atlético perdeu a grande chance de aproveitar as duas rodadas de tropeços dos favoritos São Paulo e Flamengo. Mesmo assim, com um ponto, o Atlético chegou aos 50 tentos em 28 jogos e está três pontos atrás do vice-líder Internacional e seis atrás do líder São Paulo. É importante ressaltar que o time de Sampaoli tem um jogo a menos do que os líderes. Em relação ao Grêmio e ao Flamengo, o Atlético disputou os mesmos 28 jogos e está apenas um ponto à frente dessas equipes. Já o Bragantino segue na 13ª posição e abriu seis pontos para o 17º e três para o 14º, ou seja, descolou um pouco do grande risco do rebaixamento.

O jogo e as atuações individuais

Uma partida igual merece um empate. O Atlético não teve uma atuação tão boa e pecou defensivamente. O Red Bull Bragantino passou de longe de ser a equipe criativa que passeou frente ao São Paulo, mas foi efetiva nas oportunidades que teve. Mesmo que a justiça e o futebol não andem juntos, o placar desta partida exemplificou o jogo igual e abaixo do esperado proporcionado pelos dois times. Com certeza, a chuva foi preponderante para a queda de ritmo de ambas as equipes, visto que o Galo e o Massa Bruta se destacam pela forma vertical em que atuam.

A atuação do Atlético foi boa no início dos tempos, principalmente na 2ª etapa, onde o time mineiro empatou a partida com rapidez e teve boas chances. O time pode ter sentido a falta de ritmo – 16 dias sem entrar em campo – mas alguns jogadores estiveram abaixo nesta noite. A principal questão que acarretou na perda de dois pontos nesta noite foi a atuação ruim da defesa. O Bragantino marcou, com tranquilidade, dois gols de bola aérea e aproveitou os erros atleticanos. É importante destacar que os dois atletas que fizeram gols em meio à defesa atleticana não são grandes cabeceadores – um volante e um lateral-esquerdo.

De ponto positivo na atuação atleticana, é possível destacar Hyoran e Guilherme Arana. O meio-campista correu bastante, cobriu as subidas do lateral-esquerdo e chamou a responsabilidade no momento tão importante – além da homenagem a Reinaldo, o ídolo máximo do atleticano. Já Arana correu bastante, teve cãimbra no final da partida e, mesmo assim, sofreu um pênalti muito importante. O principal ponto negativo do Atlético foi a partida de Guga, Junior Alonso e Réver. Os três marcadores do Galo erraram nos dois gols e prejudicaram o Atlético. Vargas e Sasha também não estavam em uma noite inspirada e pecaram na hora H – o chileno foi salvo por Savarino, no gol do venezuelano.

O primeiro tempo

Na escalação, Jorge Sampaoli fez o básico e não aprontou mais uma das suas surpresas rotineiras. A defesa e o ataque tiveram a mesma escalação, enquanto o meio-campo contou com a volta de Allan e Alan Franco. Com isso, a trinca no meio contou também com Hyoran, autor de um belo gol na partida anterior do Atlético, que aconteceu em 26 de dezembro do ano passado.

O Galo começou em cima, em um ritmo que lembrou aquele Atlético intenso que chegou à liderança do Brasileirão em meados de setembro. Aos 40 segundos, Savarino avançou pela direita e tocou para o meio. Eduardo Vargas arriscou e a bola bateu no travessão de Cleiton. O goleiro, que é cria da base atleticana, só ficou olhando e teve sorte na jogada.

Mas na jogada seguinte, Cleiton foi decisivo. Logo na sequência, no minuto 1, Allan recebeu no meio e finalizou de fora da área. O chute saiu forte da canhota do volante e o arqueiro do Red Bull Bragantino fez uma ótima defesa.

O 1º tempo foi bem parado e com as duas equipes sofrendo com o campo encharcado por causa da forte chuva em Bragança Paulista. O ímpeto atleticano de pressionar e atacar durou apenas os minutos iniciais e o jogo ficou bastante truncado. Aos 30, em rebote após escanteio cobrado por Arana, Savarino chutou muito bem, a bola desviou e Cleiton fez a defesa em dois tempos. Esta foi a única boa chance entre o minuto 1 e o 45.

O problema, para o atleticano, aconteceu aos 46 da 1ª etapa. Helinho trouxe da direita para o meio e fez um ótimo cruzamento. A bola foi forte e Ricardo Ryller entrou no meio da defesa atleticana. Réver e Guga ficaram parados e o volante entrou com tranquilidade e desviou a bola com a cabeça. Bola no canto, sem chances para Éverson. 1 a 0 no placar para o Red Bull Bragantino.

A 1ª etapa foi bem sem graça e o Massa Bruta terminou os 45 minutos iniciais com uma vantagem importante. Somando os dados das duas equipes, foram apenas sete finalizações e mais de 70 passes errados. O Atlético acertou somente um de doze tentativas de cruzamento no 1º tempo.

O segundo tempo

Após o intervalo, nenhuma das equipes fizeram substituições. O Atlético que tentou mudar a sua postura e buscar a virada. Aos 4, Allan pressionou e roubou a bola no campo de ataque. O volante tocou para Savarino, que driblou com facilidade o lateral-esquerdo. Após a finta, o venezuelano cruzou rasteiro, a bola passou por Vargas e chegou em Keno. O artilheiro do Atlético na temporada foi bater e furou. Um erro que o Galo não pode cometer.

Mesmo após este pecado de Keno, o Atlético seguiu atacando e foi recompensado com um gol. Aos 9, Hyoran começou a jogada, tocou para Keno e o ponta encontrou Guilherme Arana. A jogada pela esquerda funcionou e o camisa 13 cruzou rasteiro na área. A bola passou na frente de Vargas, dentro da pequena área, mas o chileno furou. Com o erro do camisa 10, a bola passou pela área e chegou na 2ª trave. Savarino entrou de carrinho e empurrou a bola para a rede. Um gol na raça. Um tento muito importante. 1 a 1 no placar do Nabi Abi Chedid.

Após o gol, o Atlético empolgou e seguiu na área adversária, incomodando o Red Bull Bragantino, que não havia chegado no ataque ainda. Todavia, quando chegou, marcou. Aos 20, Raul teve uma chance e finalizou de fora da área. A bola desviou em Junior Alonso e foi para o escanteio. Na cobrança feita por Claudinho, Edimar subiu na 1ª trave e cabeceou. O zagueiro Alonso não acompanhou e deixou o lateral-esquerdo testar sozinho. Bola na rede do Atlético. 2 a 1 no marcador.

O gol nocauteou o Atlético. A postura diferente que havia iniciado o 2º tempo desapareceu e voltou a forma de jogo cadenciada do 1º tempo. Jorge Sampaoli já havia colocado Jair em campo e depois ainda optou por Eduardo Sasha e Nathan. Mas as três substituições não deram efeito imediato e o jogo foi se desenhando em uma vitória do Massa Bruta.

No entanto, a partir dos 40 minutos da 2ª etapa, o jogo esquentou. Aos 41, em bola rebatida, Réver lançou Eduardo Sasha. O atacante saiu livre e viu Cleiton adiantado, mas tomou a decisão errada. Sasha dominou mal, levou a bola até o arqueiro do Bragantino e sequer finalizou. Uma grande oportunidade desperdiçada.

No minuto seguinte, Éverson fez uma grande defesa e deixou o Galo vivo na partida. Em cruzamento da esquerda, Réver tentou tirar com a parte de fora do pé e cortou muito mal. A bola sobrou para Morato, dentro da pequena área, e o camisa 38 finalizou. Éverson havia saído para abafar e pegou a bola com o rosto. Uma intervenção decisiva do arqueiro atleticano.

Com a defesa de Éverson, o Atlético buscou o empate. O Red Bull Bragantino fez muita cera e a partida teve muitos minutos de acréscimo. Aos 51, após corte mal feito de Claudinho para o meio da própria área, Guilherme Arana colocou o corpo na frente, tocou na bola e foi tocado por Ramires. O árbitro não marcou, mas foi chamado pelo VAR e assinalou pênalti para o Galo. Na cobrança, Hyoran pegou a bola e, com muita responsabilidade e coragem, bateu no ângulo direito de Cleiton, que caiu para o lado esquerdo. Gol de Hyoran, 2 a 2 no placar e uma bela homenagem a Reinaldo, o rei atleticano: com o punho cerrado e erguido, Hyoran decretou o empate.

O fim do jogo

Apito final e 2 a 2 no placar. Um jogo truncado por causa da forte chuva em Bragança Paulista, mas não há desculpas para as falhas defensivas e para o erro de Eduardo Sasha. Jorge Sampaoli sabe da sua responsabilidade e que o Atlético deve voltar a entregar um futebol mais vistoso. O início da partida deu até uma lembrança daquele Galo que encantou em setembro, mas o ímpeto passou rápido. Mais uma partida sem brilho.

Por causa das circunstâncias, o placar foi justo e razoável para o Atlético. Porém, vencer fora de casa será determinante para o Galo nesta reta final. Treine bola aérea e foque, Atlético!

O Galo volta a campo no próximo domingo, 17, às 18:15, contra o Atlético-GO, no Mineirão.

Números da partida
Red Bull Bragantino x Atlético
44%Posse de bola 56%
11 Finalizações 19
4 Finalizações no gol 6
6 Escanteios 6
0 Impedimentos 1
15 Faltas 11
2 Grandes oportunidades 2
1 Grandes oportunidades perdidas 0
389Passes 491
310(80%)Passes certos 412(84%)
Fonte: SofaScore.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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