Cera, expulsões e pouco futebol: Cruzeiro espanta o risco da Série C e vence o Sampaio Corrêa, mesmo com 29 chutes do rival

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Um jogo movimentado, contudo, ruim. Faltou futebol e sobrou expulsões, ceras e chutes errados do Sampaio. William Pottker foi expulso infantilmente no início da 2ª etapa, Giovanni Piccolomo levou cartão vermelho mesmo após ser substituído e a partida ficou tensa. Com a vantagem no placar desde o minuto 3 da 1ª etapa, o Cruzeiro fez cera, esperou o adversário e viu um Sampaio Corrêa tentar várias vezes – 29 finalizações – mas sem efetividade. Portanto, um jogo vencido na raça, na vontade e os três pontos livraram o Cruzeiro do fantasma do rebaixamento para a Série C.

Nesta sexta, 08, o Cruzeiro venceu o Sampaio Corrêa por 1 a 0, em partida válida pela 33ª rodada da Série B e disputada no estádio Castelão, casa da equipe maranhense. O gol foi marcado por William Pottker e, com isso, a Raposa devolveu a vitória da Bolívia Querida de 2 a 1 no 1º turno.

Com o resultado, o Cruzeiro espantou, de vez, qualquer possibilidade de ser rebaixado para a Série C, já que chegou aos 44 pontos e abriu oito pontos para o 1º time dentro do Z-4, o Figueirense. Esta é a mesma distância para o G-4, já que o 4º colocado CSA tem 52 pontos e a Raposa, com os 44 tentos, alcançou apenas a 11ª posição nesta rodada. Já o Sampaio amargou a 5ª derrota seguida e, praticamente, pôs fim no sonho do acesso à elite do futebol brasileiro. A equipe perdeu uma posição e é o 9º colocado com 45 pontos. 

O jogo e as atuações individuais

As próximas cinco rodadas serão usadas para testes e para o cruzeirense mais otimista sonhar com um improvável acesso. Existem possibilidades matemáticas, mas é heresia dizer que a Raposa, com este futebol apresentado, conseguirá vencer cinco das últimas cinco partidas – e contar com placares favoráveis na parte de cima da tabela.

A atuação cruzeirense foi, mais uma vez, bem abaixo do potencial e responsabilidade da equipe. Mesmo no 1º tempo, quando ainda estava 11 contra 11, o time de Felipão havia recuado e se acovardado contra o modesto clube maranhense. É o estilo de Felipão, no entanto, deixar o Sampaio criar boas chances, como no 1º tempo, e finalizar tantas bolas, como no 2º tempo, mostram erros da equipe azul celeste. As próximas rodadas devem ser utilizadas para testes em uma tentativa de melhorar a equipe. 

O ponto positivo foi a raça e determinação de alguns atletas após o time ficar em situação adversa. Fábio foi determinante com, pelo menos, três grandes defesas. Ramon e Matheus Pereira salvaram a melhor chance da partida, nos chutes de Caio Dantas na 1ª etapa. Marcelo Moreno entrou para segurar a bola no ataque e usou muito bem a sua força física. Já de ponto negativo fica todas as escolhas ofensivas – exceto o primeiro lance da partida, o gol – já que o Cruzeiro pouco fez e o goleiro Gustavo, praticamente, não trabalhou. 

O primeiro tempo

Na escalação, Luiz Felipe Scolari fez o básico e manteve a formação que está se consolidando. No lugar do suspenso Manoel, Cacá retornou ao time titular após 10 partidas consecutivas no banco de reservas. Outro que retomou a titularidade foi Airton. O ponta substituiu Arthur Caíke, atacante que foi muito mal na última partida.

E a mudança ofensiva de Felipão deu resultado logo aos 3 minutos do 1º tempo. Giovanni Piccolomo recebeu a bola de Rafael Sobis, no meio, e deu um lindo passe com a canhota para Airton. O ponta acelerou – como de costume – e cruzou rasteiro para William Pottker, atacante que entrava como um centroavante. Pottker bateu forte e balançou as redes do Sampaio Corrêa. Com apenas três minutos de partida, o Cruzeiro colocou 1 a 0 no placar.

Com a vantagem no marcador, a equipe de Felipão se posicionou mais defensivamente, aguardando possíveis contragolpes. O Sampaio Corrêa foi se encaixando e teve as melhores chances da primeira etapa, além das estatísticas bem superiores – 63 % de posse de bola nos 45 minutos iniciais. 

Aos 21, Vinicius Kiss iniciou a jogada pelo centro e tocou para Roney. O ponta, que já havia desperdiçado uma chance por não ter finalizado rapidamente, não hesitou desta vez e colocou perigo no gol de Fábio. Roney trouxe da esquerda para direita, passou por Raúl Cáceres e arriscou. A bola foi para fora.

Dois minutos depois, o goleiro do Sampaio, Gustavo, proporcionou um boa chance para Rafael Sobis. O arqueiro errou a troca de passes com Joécio e a bola caiu no pé do atacante da Raposa. Sobis arriscou, tentando aproveitar a saída equivocada do goleiro, mas o chute saiu errado. O artilheiro do Cruzeiro teve outra chance, aos 39. Rafael Sobis recebeu um lançamento e saiu livre, mas deixou o zagueiro Daniel Felipe se recuperar. O defensor travou e impediu o chute de Sobis. 

O Sampaio, com amplo domínio ofensivo, chegou em boa trama individual de Robson, no minuto 33. O camisa 11 acelerou pela direita, driblou Matheus Pereira – o lateral ficou caído – e finalizou com a perna esquerda. Fábio fez uma grande intervenção e salvou o Cruzeiro.

Aos 44, o Sampaio Corrêa teve a grande chance da partida. Roney deu um lindo passe de calcanhar para Eloir, que chegou no fundo e cruzou. Caio Dantas, artilheiro do Sampaio, cabeceou no contrapé de Fábio, no entanto encontrou o peito de Matheus Pereira. O lateral salvou na 1ª chance e Ramon na 2ª oportunidade de Caio, já que o camisa 9 aproveitou o rebote seguinte e bateu com a perna direita. A bola explodiu no zagueiro cruzeirense. No minuto 45, Marcinho acelerou e tocou para o centroavante da Bolívia Querida. Caio tentou dominar, mas a bola escapou. Matheus Pereira aproveitou e roubou a bola do atacante.

O segundo tempo

Com a equipe atuando mal, mesmo com a vantagem no placar, e por causa dos problemas físicos de Giovanni Piccolomo, Felipão optou por Jadsom Silva no lugar do meio-campista. Giovanni conseguiu a façanha de ser expulso no minuto 15 da 2ª etapa, mesmo estando no banco. Certamente, o camisa 94 reclamou acintosamente com a arbitragem.

E nem foi possível analisar se a formação imaginada por Felipão iria dar certo, já que no minuto 5 da 2ª etapa, William Pottker foi expulso de forma infantil. Aos 4, ele havia recebido um cartão por um pontapé e por chutar a bola para longe após a marcação do árbitro. No minuto seguinte, após uma falta favorável ao Cruzeiro, Pottker reclamou com o juiz, recebeu o 2º amarelo e, consequentemente, o cartão vermelho. Uma sequência de lances inexplicáveis de William Pottker. 

As polêmicas de arbitragem tomaram conta dos minutos iniciais. Com a bola rolando, poucas chances foram criadas até os 30 minutos. Filipe Machado, aos 20, bateu uma falta, buscando o ângulo, mas o goleiro Gustavo fez a defesa.

No minuto 27, o Sampaio teve uma boa chance em meio à conturbada etapa final. Caio Dantas fez boa jogada pela esquerda, driblou o zagueiro, mas cruzou mal. Mesmo assim, a bola chegou em Robson. O camisa 11 hesitou para bater e optou por tocar para trás. Marcinho recebeu e bateu mascado. Um lance muito confuso que deixou claro a baixa qualidade do Sampaio Corrêa.

O Cruzeiro não conseguiu jogar no final da partida e, em todos os momentos possíveis, os atletas da equipe mineira fizeram cera, tentando ganhar o máximo de tempo. O Sampaio Corrêa tem um time bem limitado e conseguiu criar nos minutos finais na base do famoso “abafa”.

Aos 43, Roney tocou para Caio Dantas, na trama dos dois melhores jogadores da Bolívia Querida na partida. O artilheiro da Série B girou e bateu forte na meta de Fábio, que fez uma bela defesa. No escanteio seguinte, a bola rebateu algumas vezes e ficou viva na área. Jackson acertou uma linda bicicleta e Fábio pegou com o queixo, fazendo uma intervenção improvável e difícil.

Por causa da cera que o Cruzeiro fez durante toda a 2ª etapa, o árbitro da partida deu nove minutos de acréscimos. Porém, este tempo extra foi de muitos cruzamentos do Sampaio, chutes bloqueados e experiência do Cruzeiro, que conseguiu segurar a vitória.

O fim do jogo

Analisando apenas o resultado e os minutos finais, com a vantagem no placar e a desvantagem numérica, é, perfeitamente, aceitável a atuação do Cruzeiro. Porém, o time fez muito pouco em campo e teve sorte de estar enfrentando uma equipe fraca e que vive um momento muito ruim. A Raposa repetiu a fórmula de jogo que não deu certo contra o Avaí e Ponte Preta: recuou após fazer o gol, sofreu com bombardeios desnecessários do rival e teve Fábio como destaque. Nesta partida, a vitória foi mais demérito do Sampaio do que mérito da Raposa. 

A realidade é essa, infelizmente para os apaixonados por esta camisa centenária. Mudanças devem ser iniciadas a partir deste jogo, visto que o objetivo tão repetido por Felipão – permanência na Série B – foi conquistado e é melhor pensar no restante de 2021. O Cruzeiro terá que trabalhar e o primeiro passo é na montagem da equipe. Foco, Cruzeiro!

A Raposa volta a campo na próxima quarta-feira, 13, às 21:30, contra o lanterna Oeste, no Independência.

Números da partida
Sampaio Corrêa x Cruzeiro

69% Posse de bola 31%
29 Finalizações 9
6 Finalizações no gol 2
5 Escanteios 3
6 Impedimentos 3
11 Faltas 11
1 Grandes chances 0
1 Grandes chances perdidas 0
580 Passes 258
501(89%) Passes certos 174(67%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários