Arthur Caíke deve sair do Cruzeiro no fim de janeiro por culpa da diretoria e do próprio jogador

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Por Pedro Bueno

Em 10 de agosto, o Cruzeiro anunciou a contratação por empréstimo do atacante Arthur Caíke. Com respaldo de Enderson Moreira, treinador da época, Arthur chegou e se tornou titular da Raposa com rapidez. Ney Franco e Felipão treinaram a equipe e o jogador foi perdendo espaço aos poucos. Não foi culpa dos treinadores, mas sim do desempenho ruim do atacante.

E a passagem de Arthur Caíke pela Raposa deve chegar ao fim neste janeiro. O atacante assinou com o Cruzeiro até o término da Série B e deve retornar ao Al Shabab, visto que o time árabe colocou um valor fixado altíssimo para a Raposa comprar o jogador. Segundo o Ge.com, o passe de Arthur Caíke está estipulado em 1,2 milhões de dólares, ou seja, o Cruzeiro, em crise, teria que desembolsar 6,2 milhões para contratar Arthur Caíke.

Por causa deste alto valor, Arthur Caíke deve se despedir da equipe mineira neste janeiro. A crise financeira já existente e a permanência do Cruzeiro na Série B devem prejudicar qualquer investimento cruzeirense. E investir esta quantia em Arthur Caíke vale a pena? Mas qual é a razão para assinar um contrato com este valor estipulado?

A decepção

A passagem de Arthur Caíke pode ser definida em uma palavra que coincide com a temporada cruzeirense: decepção. O atleta de 28 anos chegou bem recomendado por Enderson e, por causa da boa passagem pela Chapecoense, o torcedor do Cruzeiro imaginou que ele se destacaria na Série B.

Porém o atleta acabou desapontando. Até este momento, Arthur Caíke disputou 25 jogos com a camisa cruzeirense, marcou quatro gols e deu uma assistência, ou seja, participou de um gol a cada cinco partidas, uma média baixíssima para um atacante.

Os cruzeirenses imaginavam que Arthur Caíke iria apresentar muita movimentação e velocidade, no entanto, estas duas características foram esquecidas. Arthur se mostrou ser um atacante normal, sem nenhum diferencial mesmo diante de defesas mais fracas, e não fez por merecer um interesse cruzeirense em manter o atacante na próxima temporada.

Algumas estatísticas levantadas pelo SofaScore.com evidenciam o fraco desempenho de Arthur Caíke. Em média, o atacante deu 11 passes certos por partida e criou apenas uma grande chance em toda a Série B, isto é, o camisa 7 teve uma participação apagada na sua função. Arthur tocou pouco na bola, não criou boas oportunidades para os companheiros e não auxiliou o time.

Um dado que chama a atenção é a média de posse de bola perdida por Arthur. Segundo o SofaScore.com, ele teve média de 8,3 bolas perdidas por partida, ou seja, ele acerta, em média, 11 passes e perde a bola 8 vezes: números semelhantes e terríveis para um jogador que o torcedor tinha esperança em atuações melhores.

A questão financeira

Uma dúvida é se o Cruzeiro imaginava que contrataria Arthur Caíke para o próximo ano, pois ao assinar um contrato de empréstimo, em agosto, com valor estipulado em 6,2 milhões, a diretoria da Raposa praticamente afirmou que seriam apenas cinco meses com o jogador no elenco, visto a grande crise enfrentada pela equipe.

A quantia é muito alta para qualquer equipe que vive problemas financeiros como o Cruzeiro. Neste atual momento, com a provável permanência da equipe na Série B, a diretoria terá que enxugar ainda mais a parte financeira. Sendo assim, contratar Arthur em definitivo ficou impossível.

E, curiosamente, a diretoria foi salva pelo mau desempenho do atleta. Se o jogador tivesse sido um atleta importante para o Cruzeiro e a torcida estivesse suplicando pela sua permanência, o presidente iria se complicar em pagar 6,2 milhões de reais pelo camisa 7. A pressão seria enorme, mas como o jogador decepcionou, grande parte da torcida até concorda com a possível saída do atleta.

De quem é a culpa?

Portanto, o erro cometido pela diretoria em agosto, em assinar um empréstimo com o passe fixado tão alto, foi salvo pelas más atuações do atleta. Até quando a diretoria irá agir desta forma?

Sérgio Santos Rodrigues e Deivid concordaram com este valor com a ideia de não contratar o atleta? Certamente seria melhor ter negociado, ao fechar o empréstimo, um valor acessível para o atual momento da equipe. Se Arthur Caíke tivesse conquistado a torcida, a diretoria ficaria em uma situação complicada. Iria desfazer de um destaque ou iria aumentar as dívidas?

O “planejamento do Novo Cruzeiro” foi salvo pelas atuações ruins de Arthur Caíke. A saída do camisa 7 nem deixará saudades na torcida por causa dos números medíocres e da confiança que o Cruzeiro poderá encontrar jogadores melhores para a próxima temporada.

Nesta vez, a falta de organização da diretoria ficou escondida, já que o jogador decepcionou. Mas a pergunta que fica é: até quando a diretoria irá agir desta forma? A torcida tem o direito e a obrigação de cobrar explicações para este erro – aceitar valores impagáveis na atual situação – não se repetir nesta tão prometida “reconstrução cruzeirense”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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