Há exatos 10 anos, Atlético anunciava um dos jogadores mais importantes da sua história: Leonardo Silva

Foto: Marcos Ribolli

A década atleticana se confunde com a carreira de Leonardo Silva. O zagueiro chegou em janeiro de 2011 e se aposentou no fim de 2019, estando presente em nove temporadas com a camisa alvinegra. Por causa disso e pelo imenso talento do zagueiro, é possível afirmar: Leonardo Silva é um dos atletas mais importantes da história do Atlético.

Além do talento defensivo, Leonardo Silva marcou história pelos gols, visto o seu tempo de bola incrível e o seu faro de gol nas jogadas aéreas. Não existe um atleticano que não lembra do cabeceio de Leonardo Silva, aos 41 do 2º tempo, na partida contra o Olímpia, na final da Libertadores de 2013.

Leonardo Fabiano da Silva e Silva é especial. Hoje com 41 anos, Léo está trabalhando no Atlético como coordenador do time de transição, uma forma do ídolo seguir junto ao Galo. O atleticano é grato por tudo que Leonardo Silva fez pelo time e a linda história entre o zagueiro e a equipe alvinegra merece mais detalhes. Confira!

A contratação

Em 5 de janeiro de 2011, há exatos 10 anos, Alexandre Kalil anunciava, por meio do seu Twitter, a contratação de Giovanni, ex-goleiro atleticano que era reserva de Victor na conquista da Libertadores, e de Leonardo Silva, jogador que estava no Cruzeiro e chegou até a usar a faixa de capitão da Raposa.

Contratar o capitão do maior rival não é uma movimentação normal, visto que a torcida cruzeirense ficou nervosa com a saída do excelente zagueiro e os atleticanos, na época, ficaram desconfiados pela chegada de um ex-Cruzeiro. Porém, em pouco tempo Leonardo Silva deixou claro que a investida do Atlético valeu a pena.

O zagueiro deixou o Cruzeiro por questões salariais e depois de uma temporada sendo pouco utilizado. Em 2010, Leonardo Silva conviveu com vários problemas de lesão no joelho direito e o Atlético resolveu investir no zagueiro de 31 anos, com vários problemas físicos. Uma contratação ousada que rendeu uma história linda. Uma “tacada de mestre” do Atlético.

Os números

Em nove temporadas (2011-2019), Leonardo Silva não teve muitos problemas físicos e fez 390 partidas com a camisa atleticana, uma média superior a 43 jogos por ano. O zagueiro venceu 203 partidas pelo Galo, empatou 85 vezes e saiu derrotado de campo em 102 oportunidades, encerrando a sua trajetória no Atlético com aproveitamento de 59,3%.

A passagem do ídolo ficou marcada por três títulos inéditos e uma das melhores – se não a melhor – década da história do Galo. Léo foi campeão da Libertadores de 2013, da Copa do Brasil de 2014 e da Recopa Sul-Americana de 2014. Além disso, o zagueiro ergueu a taça de quatro campeonatos estaduais (2012, 2013, 2015 e 2017). No Campeonato Brasileiro, o Atlético de Leonardo Silva teve três bons desempenhos – 2012, 2015 e 2016 – mas o título, infelizmente para o atleta e para o torcedor, não foi conquistado.

Léo Silva ficou marcado pela sua qualidade defensiva, característica principal para um zagueiro, mas também por ser artilheiro, mesmo jogando na defesa. A bola aérea era um trunfo do gigante de 1,92 de altura. Foram 36 gols marcados com a camisa alvinegra, se tornando assim o zagueiro que mais marcou gols pelo Atlético. Já no Brasileirão, Léo Silva fez 33 gols na carreira e divide o posto de zagueiro-artilheiro da história da competição com Réver, atual zagueiro atleticano e companheiro na conquista da Libertadores de 2013.

O gol contra o Fluminense

Dentre os gols de Leonardo Silva fica complicado citar apenas um ou outro. São 36 gols marcantes de um zagueiro que tinha o dom de se posicionar bem em meio aos adversários. Leonardo Silva resolveu vários jogos e colocou o Atlético em boas condições em diversas vezes – além de marcar “como atacante”, o zagueiro sempre fazia a sua parte na defesa.

Um dos gols mais marcantes de Leonardo Silva foi o tento frente ao Fluminense. Em 21 de outubro de 2012, o Galo e o Tricolor das Laranjeiras apresentavam o futebol mais vistoso do Brasil e brigavam pela ponta do Brasileirão. O Fluminense era o líder, contava com Wellington Nem e Fred em grande fase, mas o Atlético estava jogando no Independência, o caldeirão atleticano na época, com a presença do gênio Ronaldinho Gaúcho.

O resultado foi um dos grandes jogos da década do Brasileirão e, com certeza, a grande partida daquela edição. O placar de 3 a 2 deixou o Atlético mais próximo do líder Fluminense, mas a equipe carioca acabou sendo campeã. Em resumo, uma grande partida, com show de Ronaldinho, dois gols de Jô e um golaço de cabeça de Leonardo Silva.

É raro, mas existem gols bonitos de cabeça. E Leonardo Silva marcou nesta partida, aos 47 da 2ª etapa. A partida estava empatada em 2 a 2, quando Ronaldinho cruzou com perfeição na área e o zagueiro atleticano estava entrando de frente para a meta de Diego Cavalieri. O cabeceio de Léo Silva foi no ângulo e fez o Horto pulsar. Um gol incrível. Um cabeceio lindo. Um gol de um ídolo.

O gol contra o Olímpia

O gol mais importante da história do Atlético. O tento que levou o Galo para a prorrogação e depois fez o Galo ser campeão da América nos pênaltis – que contou com uma boa cobrança de Leonardo Silva também.

24 de julho de 2013. Final da Libertadores contra o Olímpia. O Mineirão estava lotado e o atleticano estava ansioso pelo título mais importante da sua história. Jô abriu o placar no início da 2ª etapa e a vitória por 1 a 0 deixava o Atlético distante do título. Porém, a magia estava presente na cabeça de Leonardo Silva.

A bola foi levantada da esquerda para o meio da área e Leonardo Silva caiu na área pedindo pênalti. A tentativa de cavar uma penalidade máxima foi frustrada, no entanto, o zagueiro atleticano levantou rapidamente e estava na segunda trave quando Bernard cruzou. Léo não cabeceou. Ele amorteceu a bola para ela morrer no contrapé do goleiro Martín Silva.

A bola fez o movimento certo, impediu qualquer intervenção de algum jogador do Olímpia e chegou na “bochecha da rede”, no lado esquerdo do goleiro Martín Silva. Uma bola indefensável. Um cabeceio para a eternidade. Copiando a narração de Cléber Machado, locutor da TV Globo naquela partida: “ a cabeçada do Leonardoooooo pro goooool”. Uma narração incrível para um gol antológico de um zagueiro histórico.

A idolatria

Todos os atleticanos acreditaram e Leonardo Silva também. Uma década de muitas glórias, muitas vitórias que ficarão na história e uma liderança incrível do zagueiro-artilheiro. Léo Silva foi muito mais que um bom zagueiro. Também foi muito mais que um defensor que marcava gols. Leonardo Fabiano da Silva e Silva foi um símbolo de uma geração que realmente acreditou no impossível e “libertou” o Atlético.

A idolatria passa pelo talento e pela liderança de Léo Silva. O zagueiro esteve presente nos piores e nos melhores momentos do Atlético na década. Ele venceu vários títulos, mas esteve presente no 6 a 1 para o rival e no desastre contra o Raja Casablanca no Mundial de Clubes. E, mesmo com esses deslizes, Léo esteve presente e não se omitiu. Por isso, Leonardo Silva é um dos maiores da história.

Há exatos 10 anos, o Atlético anunciava um dos maiores defensores que já vestiram este manto. Léo Silva está presente, para muitos, na melhor formação da história do Atlético, juntamente com Luizinho, zagueiro genial da década de 80. Os dois atletas são os zagueiros que mais honraram a camisa do Galo e estão no patamar de ídolos da equipe mineira.

Leonardo Silva se aposentou e permaneceu trabalhando no Atlético. Mas, mesmo se deixar de estar presente no dia a dia atleticano, Leonardo Silva sempre estará na memória, no coração e, principalmente, nas comemorações do torcedor do Galo. Um jogador histórico. Um defensor que sempre esteve no lugar certo. Leonardo Silva, o zagueiro-artilheiro que marcou época. Simplesmente, um ídolo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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