Retrospectiva 2020 | Cruzeiro: veja números, compare as escalações e relembre tudo que aconteceu no ano cruzeirense

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Após um 2019 completamente turbulento e atípico, o cruzeirense imaginava que 2020 seria feita uma reconstrução do verdadeiro Cruzeiro. Porém, o torcedor sofreu com 2020. O ano foi anormal por várias razões, principalmente por causa da pandemia do coronavírus, e o torcedor do Cruzeiro tem várias reclamações futebolísticas a fazer. O time terminou o ano longe do objetivo, que era o título da Série B. Além disso, as outras competições também acarretaram eliminações vexatórias. Dentro de campo houve vários problemas e fora também, visto a enorme quantidade de contratações equivocadas.

Encerrando este ano, o blog fez um levantamento dos principais números, curiosidades e fatos que mexeram com o coração do cruzeirense. Veja, comente no fim da matéria e envie aos amigos!

Números gerais

O Cruzeiro disputou três competições, foi estranhamente eliminado do Mineiro e da Copa do Brasil e ainda está disputando a Série B. Um ano para ser esquecido no Cruzeiro. Desde 1957 o time azul celeste não ficava de fora do G-4 do Campeonato Mineiro e, em 2020, esta façanha foi alcançada. Na Copa do Brasil, o Cruzeiro perdeu de 2 a 0 diante da sua torcida, em março, e foi eliminado para o CRB. Na Série B, o Cruzeiro jogou pela 1ª vez e está fazendo história negativa: pode ser um dos raros times grandes do futebol brasileiro a permanecer por mais de uma temporada na divisão de acesso.

  • Geral: 48J; 19V, 16E e 13D; 59GP e 45GC; 50,7%;
  • Campeonato Mineiro: 12J; 7V, 2E e 3D; 19GP e 10GC; 63,9%; Eliminado na 1ª fase e disputou o Troféu Inconfidência;
  • Copa do Brasil: 4J; 3E e 1D; 4GP e 6GC; 25%; Eliminado na 2ª fase;
  • Campeonato Brasileiro: 32J; 12V, 11E e 9D; 36GP e 29GC; 48,9%; 11º lugar, mas em disputa.

Uma temporada muito ruim que ainda deve terminar com a permanência dramática na Série B. A título de comparação, o aproveitamento de 2019, ano do rebaixamento, foi de 47%, ou seja, o rendimento geral de 2020, mesmo sendo muito ruim, foi superior. Vale destacar que este ano teve menos jogos devido a pausa de 4 meses por causa do Coronavírus e a temporada deste 2020 terminará apenas em fevereiro de 2021.

Dados específicos

O Cruzeiro iniciou a temporada com um treinador, com um elenco e com uma gestão diferente da que terminou o ano. Porém, um fato se repetiu: o time abriu e fechou 2020 sem sofrer gols, dando ênfase ao ponto forte da equipe: a defesa. Tanto na vitória pelo Campeonato Mineiro, em janeiro, quanto no empate da última terça, 29, contra o Cuiabá, o time mineiro passou sem ser vazado.

  • Estreia: 22 de janeiro, contra o Boa Esporte, no Mineirão. Vitória por 2 a 0, com gols de Thiago e Welinton;
  • Última partida: 29 de dezembro, contra o Cuiabá, no Independência. Empate por 0 a 0.

Os números de uma equipe costumam ter uma diferença entre o desempenho em casa e fora de casa, visto que, boa parte dos times, é forte como mandante e tem problemas longe de casa. No entanto, a realidade do Cruzeiro, em 2020, foi diferente. O time mineiro teve desempenho semelhante como mandante e visitante, evidenciando os problemas do Cruzeiro dentro de casa. Na Série B, isso ficou claro, visto que a Raposa terminou 2020 como 4º pior mandante e 3º melhor visitante.

  • Como mandante: 24J; 10V, 7E e 7D; 33GP e 21GC; 51,3%;
  • Como visitante: 24J; 9V, 9E e 6D; 26GP e 24GC; 50%.

Outro dado que o Blog apurou foi a diferença entre o número de vitórias antes e depois da pausa do futebol, que aconteceu a partir da metade de março até o final de julho. O time teve quatro treinadores diferentes após a pausa – contando o interino Célio Lúcio – e adversários mais duros na Série B, visto que o Campeonato Mineiro tem times inferiores, ou seja, o aproveitamento melhorou mesmo no momento em que a dificuldade aumentou.

  • Antes da pausa do futebol: 12J; 4V, 4E e 4D; 15GP e 15GC; 44,4%
  • Depois da pausa do futebol: 36J; 15V, 12E e 9D; 44GP e 30GC; 52,7%.

Estatísticas dos jogadores

Com uma troca incessante de jogadores, o Cruzeiro não teve nenhum grande artilheiro e nem um grande garçom. Manoel e Rafael Sobis se consagraram como os artilheiros da equipe no ano após marcar cinco gols. Ambos chegaram em meio à disputa da Série B e são, juntamente com Fábio, os jogadores mais importantes da equipe, isto é, o time não havia planejado antes da Série B de contar com eles e eles acabaram como os artilheiros – planejamento vergonhoso. Maurício também deve ser citado, já que foi negociado com o Internacional após fazer também cinco gols no ano cruzeirense. Já com o maior número de assistências, Filipe Machado é o grande garçom. O jogador foi reserva durante boa parte da temporada, mas se destaca pela habilidade na bola parada. Por isso, deu sete assistências e se destacou.

  • Artilheiro do ano: Rafael Sobis e Manoel, com 5 gols;
  • Garçom do ano: Machado, com 7 assistências.

Como dito anteriormente, o Cruzeiro rodou bastante o elenco e não contou com titulares absolutos, exceto um atleta: Fábio Deivison Lopes Maciel. Em meio a um grande rodízio de 55 jogadores no ano, Fábio atuou em 46 dos 48 jogos de 2020 e foi o grande nome. E em 2021, certamente, ele será novamente o jogador que mais jogou, visto que o arqueiro segue em boa forma e, com certeza, jogará todas as partidas possíveis.

  • Jogadores utilizados: 55 atletas diferentes usados, onde 24 destes jogadores já saíram, incluindo Maurício, 5º atleta que mais jogou neste ano cruzeirense, mesmo tendo sido negociado com o Internacional;
  • Atleta mais usado: Fábio foi o jogador que mais jogou, com 46 jogos.

As contratações e as saídas das próprias contratações

Na tentativa de reformular a equipe, o Cruzeiro acabou fazendo várias negociações equivocadas que acarretaram neste ano ruim. Foram 23 contratações em 2020 – fora os vários retornos de jogadores por empréstimos – mas só 10 reforços terminarão a temporada sendo utilizados por Felipão. Primeiramente, vamos citar quando chegaram cada um dos 23 reforços e é importante destacar que os atletas em negrito permanecem sendo usados.

  • Janeiro: Everton Felipe, Filipe Machado, João Lucas, Jhonata Robert, Roberson;
  • Fevereiro: Marcelo Moreno;
  • Março: Angulo*, Jean, Marllon, Ramon;
  • Abril: Régis;
  • Junho: Raúl Cáceres;
  • Julho: Claudinho, Giovanni, Gui Mendes;
  • Agosto: Airton, Angulo*, Arthur Caíke, Daniel Guedes, Rafael Luiz;
  • Setembro: Giovanni Piccolomo, Matheus Índio;
  • Novembro: Rafael Sobis, William Pottker;
  • Maio, outubro e dezembro: ninguém foi contratado.

Dos 23 reforços, apenas 10 terminaram o ano sendo utilizados, um número baixíssimo que evidencia a organização mal feita pela diretoria e principalmente por Deivid, diretor de futebol do Cruzeiro. Os outros 13 jogadores, que foram contratados e não terminaram a temporada com o manto azul celeste, reservam histórias inusitadas. Dentre este grupo, 9 jogadores deixaram o Cruzeiro em 2020, mesmo ano em que chegaram. Eles estão listados abaixo, com os respectivos meses em que deixaram a Raposa.

  • Junho: Angulo;
  • Julho: Everton Felipe, Jhonata Robert;
  • Setembro: João Lucas;
  • Outubro: Angulo, Jean, Marllon;
  • Novembro: Matheus Índio, Roberson;
  • Janeiro: Régis.

A curiosidade fica ainda maior em dois nomes: Angulo e Matheus Índio. O ponta colombiano Angulo está citado duas vezes em cada lista porque ele chegou em março, saiu em junho, voltou em agosto e deixou o Cruzeiro novamente em outubro. Neste intervalo, o jogador emprestado pelo Palmeiras fez apenas uma partida. Uma imensa bagunça a passagem de Angulo pelo Cruzeiro. Já Matheus Índio chegou, treinou por dois meses na Toca e não foi inscrito imediatamente porque a Raposa estava impedida de inscrever jogadores. Quando a punição se encerrou, o jogador sequer foi anunciado e teve seu contrato rescindido.

São 9 jogadores que chegaram em 2020 e saíram. Os outros 4 atletas que terminaram a temporada longe do time foram: Claudinho, Daniel Guedes, Giovanni e Gui Mendes. Claudinho foi utilizado por Felipão, segue treinando, mas não entra em campo desde a 1ª rodada do 2º turno. Daniel Guedes chegou a fazer exames no Goiás, mas o Cruzeiro teria que romper o empréstimo com o lateral para ele ser emprestado pelo Santos. Guedes está apenas treinando, estando assim na mesma situação de Giovanni, que não faz mais parte dos planos. Já Gui Mendes foi contratado como aposta, visto que ele é uma promessa do Ituano. Só que ele foi remanejado para o time sub-20 e não figurou em nenhuma partida do time profissional.

A troca de treinadores

O Cruzeiro contou com quatro treinadores efetivos e um interino em 2020. E, coincidentemente, todos foram criticados pela mesma razão: a qualidade. O Cruzeiro foi comandado por vários treinadores e o resultado foi o mesmo futebol ineficiente apresentado desde a primeira partida até o empate contra o Cuiabá. Talvez, o grande problema do Cruzeiro não esteja no comando e, sim, dentro de campo.

Porém, falando exclusivamente dos treinadores, é necessário citar o início ruim com Adilson, a ilusão com Enderson, que logo resultou em uma série de partidas ruins e, consequentemente, a demissão, o náufrago com Ney Franco e a ascensão com Felipão, treinador que colocou o Cruzeiro na briga pelo improvável acesso. E essa pequena chance de retorno à elite aconteceu por causa do desempenho pífio de Ney Franco, treinador que dificilmente voltará a comandar o Cruzeiro.

  • Adílson Batista: 12J; 4V, 4E e 4D; 15GP e 15GC; 44,4%;
  • Enderson Moreira: 12J; 6V, 3E e 3D; 17GP e 10GC; 58,3%;
  • Ney Franco: 7J; 2V, 1E e 4D; 6GP e 7GC; 33,3%
  • Célio Lúcio (interino): 1J; 1E; 0GP e 0GC; 33,3%
  • Luiz Felipe Scolari: 16J; 7V, 7E e 2D; 21GP e 13GC; 58,3%.

A diferença nas escalações

Por causa da enorme rotação de jogadores, o Cruzeiro teve diversas escalações diferentes durante a temporada (não é possível afirmar, porém a estética das artes do Twitter para anunciar as escalações também deve ter tido rotações de “estagiários”, porque foi bastante modificado ao longo do ano, como veremos a seguir).

À esquerda, a escalação para a 1ª partida de 2020 e, à direita, a formação para o último jogo de 2020. Fonte: Twitter do Cruzeiro.

Ao comparar a primeira escalação – para o jogo contra o Boa Esporte, em janeiro – com a última – para o confronto frente ao Cuiabá, na última terça – é possível visualizar a grande rotatividade: apenas Adriano e Fábio foram titulares nas duas partidas e o volante teve um longo período como reserva na temporada. Além disso, 13 dos 22 jogadores relacionados na primeira partida e o treinador Adílson Batista deixaram a equipe durante o ano.

À esquerda, a escalação para a última partida antes da pausa do futebol e, à direita, a 1ª formação após o retorno do futebol. Fonte: Twitter do Cruzeiro.

Outro levantamento que o Blog fez foi a comparação entre as escalações pré e pós-pausa do futebol, visto que o Cruzeiro se reformulou bastante na parada devido à pandemia. Apenas Fábio, Marllon, Jean, Ariel Cabral e Thiago estavam nas duas escalações, porém, é importante ressaltar que Marllon, Jean e Ariel deixaram a equipe em 2020. Na escalação contra o Coimbra, em março, 12 dos 20 atletas saíram do Cruzeiro neste ano. Já na formação para o jogo frente ao URT, 8 dos 21 deixaram a equipe, mesmo estando em julho e a Série B iniciando em agosto. O planejamento de equipe de 2020 não foi bem feito…

Análise final

Uma análise sobre o Cruzeiro em 2020 deve começar desmentindo a frase tão prometida: não houve um Novo Cruzeiro e, muito menos, uma reconstrução. A Raposa conviveu com vários problemas semelhantes aos de 2019 e a permanência na Série B é mais um recado que o ano foi frustrado. Não houve evolução, tiveram poucos acertos e o objetivo de retornar à Série A está longe. Um ano, praticamente, jogado no lixo no campo esportivo.

Uma pena para os torcedores de um gigante como o Cruzeiro, porém a má administração anterior e os erros consecutivos da atual diretoria acarretaram essa situação. Assim como boa parte do mundo – por causa do coronavírus – os cruzeirenses desejam apagar o ano de 2020 e iniciar uma nova história, em 2021.

Contratações equivocadas, trocas inexplicáveis de treinadores, manutenção de diretores mesmo sem o apoio da torcida e outros problemas que evidenciam o ano ruim. 2021 será mais um ano na Série B e, certamente, não será fácil. Esta retrospectiva serve para relembrar alguns pontos e expor alguns fatos que necessitam de retomar na cabeça do torcedor. Infelizmente, o 2020 cruzeirense aconteceu para ser totalmente esquecido. Trabalhe por um 2021 melhor, Cruzeiro!

O Blog Bola Pra Frente deseja para todos vocês um Feliz Ano Novo e um 2021 com muita saúde, felicidade e paz para todos nós. Um abraço e seguiremos com muito futebol mineiro por aqui neste novo ano!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.