A campanha histórica do América na Copa do Brasil 2020

Foto após a histórica classificação para a semifinal. Foto: Twitter do América

Classificações inesperadas, atuações brilhantes e uma eliminação triste, contudo, justa. O América esteve entre os quatro melhores times da competição e merece um destaque especial. Em 2020, o América chegou nas semifinais da Copa do Brasil. Uma equipe batalhadora, com muita vontade e que conseguiu um feito inimaginável. Parabéns, América!

A Copa do Brasil começou a incluir os times que jogam a Libertadores – teoricamente, as equipes mais fortes – em 2013 e, desde então, nenhum time da Série B – teoricamente, equipes mais fracas – havia chegado tão longe. O América mostrou que estava pronto para fazer história. E fez uma linda história, que, certamente, todos os americanos recordarão com muito orgulho pelo resto da vida.

Nesta quarta, 30, o América perdeu de 2 a 0 para o Palmeiras e deu adeus ao sonho de vencer a Copa do Brasil. Ao vencer a batalha da semifinal, o time paulista se tornou finalista da competição, porém o Coelho chegou muito longe, representou Minas Gerais e fez muito bonito, coroando uma gestão muito boa que confiou em Lisca durante todo o ano.

O América teve uma campanha incrível que renderá histórias eternas e consequências positivas tanto na questão esportiva quanto na parte financeira. Por isso, o Blog irá detalhar cinco pontos que fazem parte da grande façanha do América na Copa do Brasil 2020. Comemore, americano!

As fases iniciais

Entre os semifinalistas – América, Grêmio, Palmeiras e São Paulo – apenas o time mineiro disputou a competição desde a 1ª fase, já que todos os rivais estavam na Libertadores e entraram nas oitavas de finais. Por isso, o América iniciou a sua caminhada no dia 05/02, antes mesmo da pausa do futebol, e empatou com o Santos-AP por 1 a 1, fora de casa. Nesta fase, em caso de empate, o time mais forte se classifica. Logo, o América passou para a 2ª fase.

O próximo confronto foi contra o Operário em 05 de março. Como a equipe paranaense também disputa a Série B, na teoria o Coelho teria mais dificuldades na 2ª fase. Porém, o América venceu tranquilamente por 2 a 0 fora de casa e se classificou para a 3ª fase, onde enfrentou a Ferroviária. Em jogos de ida e volta, disputados em 11 de março e 25 de agosto – por causa da longa pausa devido à pandemia – o América empatou sem gols fora de casa e bateu a Ferroviária no Independência por 1 a 0.

Com isso, o América chegou na 4ª fase e notou que se tornava, a partir daquele momento, o representante de Minas Gerais, visto que os tradicionais Atlético e Cruzeiro já estavam eliminados. E o Coelho representou muito bem. Nesta fase, disputada nos dias 16 e 22 de setembro, o América empatou por 2 a 2, fora de casa, e venceu por 3 a 1, no Horto, contra a forte equipe da Ponte Preta, que também está na briga para retornar à Série A.

A classificação contra o Corinthians

Após eliminar estes quatro adversários que estão longe da elite do futebol brasileiro, chegou o momento do América enfrentar os times mais tradicionais. E o time mineiro não sentiu a pressão. Com a entrada de todos os participantes da Libertadores, a Copa do Brasil ganhou qualidade nas oitavas de final e o Coelho também melhorou o seu nível de atuação, disputando com desempenho semelhante ao dos grandes times. 

No sorteio, o América descobriu que enfrentaria o Corinthians, time que detém três troféus da Copa do Brasil. Além disso, a primeira partida seria na Neo Química Arena, casa do Timão e o América não havia derrotado o Corinthians em São Paulo na sua história. Porém, o Coelho não sentiu este peso e venceu. O placar de 1 a 0 foi construído graças a uma excelente substituição de Lisca, que colocou Neto Berola e Marcelo Toscano nos minutos finais. Berola cruzou e Toscano marcou aos 44 do segundo tempo. 

 Na volta, já no Independência, o americano até se assustou, quando Fágner marcou de pênalti, no minuto 15 do 2º tempo. No entanto, Rodolfo, artilheiro da equipe, empatou também em penalidade máxima e definiu a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. Vale ressaltar que esta fase já seria histórica para o Coelho, pois a equipe nunca havia estado entre os oito melhores do torneio de mata-mata. 

A emoção frente ao Internacional

Nas quartas de final, o América encontrou o Internacional, equipe que foi líder de boa parte do Brasileirão, mas estava em baixa após perder Eduardo Coudet, treinador argentino elogiadíssimo pela sua qualidade. Aproveitando este “desfalque”, o América surpreendeu logo no jogo da ida e venceu por 1 a 0, em uma bela cabeçada de Rodolfo, no início do 1º tempo. O placar de 1 a 0 no 1º jogo tranquilizou o Coelho.

Entretanto, a tranquilidade não evitou uma emoção gigante nos minutos finais da partida de volta. Enquanto o jogo se desenhava para um empate sem gols, que classificaria o América, o Internacional “achou um gol” após a bola rebater em um lance de bola parada e Yuri Alberto marcar no minuto 50. Com o empate, a partida foi para os pênaltis.

Thiago Galhardo, artilheiro do Brasileirão, perdeu o pênalti e os americanos – exceto Daniel Borges – foram acertando. Com isso, a decisão foi para as cobranças alternadas. Na 7ª batida, Juninho marcou para o América e Uendel chutou para a fora, desclassificando a sua equipe. Com isso, o América conseguiu se classificar para a semifinal da Copa do Brasil 2020. 

Eliminação para o forte time do Palmeiras

Após “ eliminar quatro taças” – três do Corinthians e uma do Internacional – o América encontrou o tricampeão Palmeiras. O forte time estava vivendo o melhor momento da temporada antes de encontrar o Coelho, já que a troca de Vanderlei Luxemburgo para Abel Ferreira surtiu efeito rapidamente. Contra um dos melhores elencos do Brasil e atuando bem, o América não teria facilidade. E, infelizmente para os americanos, realmente não teve. 

Na primeira partida, o América teve uma ótima atuação no Allianz Parque, casa do Verdão, e conseguiu evitar qualquer ataque perigoso do Palmeiras, ou seja, a estratégia de Lisca neutralizou o adversário. Em erro bisonho do zagueiro Emerson Santos, Ademir aproveitou e marcou o gol americano, aos 20 da 1ª etapa. Depois disso, o Coelho conseguiu continuar em cima, porém, em uma desatenção defensiva, Gustavo Gómez empatou a partida. O 1 a 1 permaneceu no placar até o término e o confronto foi aberto para Minas Gerais. 

Na volta, América e Palmeiras proporcionaram um primeiro tempo ruim, já que as duas equipes não estavam querendo se expor e permaneceram fechados, com 0 a 0 no placar e o confronto indo para os pênaltis. No início da segunda etapa, o Coelho chegou mais, finalizou duas bolas com perigo, porém, após atacar mais, o time de Lisca foi castigado. Aos 23, Luiz Adriano, em uma jogada de muito talento, e Rony, já no minuto 39, marcaram para o Palmeiras e definiram a classificação triste, contudo, justa para o time paulista.

O Palmeiras foi defensivamente perfeito e aproveitou as chances no ataque e usou da melhor forma o seu elenco tão superior. O América chegou nesta fase por bater de frente com grandes equipes e se comportou muito bem como um franco-atirador. Estar entre os quatro melhores times da Copa do Brasil era inimaginável e o Coelho fez por merecer. O time deve sair da competição de cabeça erguida e vislumbrando um futuro tão bom quanto esta campanha histórica.

Os destaques e a premiação

Não foi sorte, não foi acaso e muito menos bobeira dos rivais que acarretou a histórica colocação do América na Copa do Brasil. O Coelho chegou na semifinal por causa de muito trabalho, organização e vontade de fazer história. O time mereceu e algumas peças se destacaram.

O treinador Lisca encabeça a lista, pois, com o seu jeito “de doido”, conseguiu cativar vários amantes do futebol. O seu time atuou muito bem durante a competição e, mesmo com um elenco curto, conseguiu chegar longe por causa da determinação tática: todos os jogadores auxiliam na marcação e estão dispostos a atacar na mesma intensidade. Lisca conseguiu montar uma equipe muito competitiva e, certamente, mudou de patamar na prateleira dos treinadores.

Entre os jogadores, é possível destacar três nomes: Messias, Ademir e Rodolfo. O zagueiro Messias foi o grande destaque defensivo e tirou várias bolas aéreas, além de estar sempre bem nos desarmes. Ademir, “o fumacinha”, chamou a atenção na ponta-direita pela sua velocidade, habilidade e determinação. Já Rodolfo foi o grande oportunista do Coelho e marcou seis gols nesta Copa do Brasil, sendo um dos artilheiros da competição, juntamente com Brenner, Léo Gamalho e Nenê, três atletas que já foram eliminados também.

Na parte esportiva, estes atletas se destacaram em meio a um time muito coletivo que mereceu esta façanha. E este feito histórico irá alavancar as finanças americanas por causa da premiação milionária: o América arrecadou 20 milhões e, certamente, a gestão consciente seguirá fazendo bons investimentos em prol de um Coelho ainda melhor.

Uma campanha histórica merece destaques sempre. O América contrariou todas as previsões, chegou longe e foi uma das quatro melhores equipes da Copa do Brasil 2020. Um resultado incrível que elucida que o América está pronto para saltos ainda maiores. Vem 2021, o americano deseja outras façanhas históricas. Porém, neste momento, comemore, torcedor,  pois o América fez história e você prestigiou!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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