Cruzeiro decepciona, empata com o Cuiabá e deve voltar os seus olhares para o Z-4 na semana do Centenário

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Ainda restam chances matemáticas, já que o Cruzeiro, na teoria, pode ganhar seis das últimas seis partidas e voltar para a Série A. Porém, na prática, a realidade é diferente: a Raposa deve voltar a olhar para a zona de rebaixamento, já que pode terminar esta rodada com apenas três pontos de vantagem para a primeira equipe dentro do Z-4. O mau momento do Cruzeiro faz com que a semana do Centenário da gloriosa equipe tenha a companhia do medo de cair de divisão. 

Nesta terça, 29, o Cruzeiro empatou sem gols com o Cuiabá. O placar do Independência marcou 0 a 0 na partida válida pela 32ª rodada da Série B. Com isso, a Raposa terminou a competição sem vencer o Dourado, já que no 1º turno, o Cuiabá venceu o Cruzeiro por 1 a 0.

Com o resultado, a festa do Centenário – comemorada no próximo sábado, dia 2 de janeiro – terá a companhia da agonia da distância para o G-4 e a proximidade ao Z-4. O empate deixa o Cruzeiro com 41 pontos, oito tentos atrás do Juventude, primeira equipe dentro do G-4, e seis pontos à frente do Náutico, primeiro time no Z-4. Como a rodada se desenrolará no restante desta semana, o cruzeirense deve secar os rivais, já que, no pior cenário, pode terminar a rodada com uma distância de 10 pontos para o grupo de acesso e com somente três pontos de vantagem para o primeiro time da zona do rebaixamento. Ou seja, há chances de rebaixamento e o Cruzeiro deve ficar atento. Já o Cuiabá chegou aos 51 pontos e, se CSA e Juventude ganharem, o time terminará a rodada fora do G-4.

O jogo e as atuações individuais

Mais uma atuação ruim que afirma novamente um fato: o Cruzeiro não apresentou futebol para retornar para a Série A e ficar mais um ano na divisão de acesso é a punição para esse desempenho vergonhoso. Assim como nas 31 rodadas anteriores, no confronto desta noite, o Cruzeiro não teve organização ofensiva e muito menos criatividade para criar boas chances e teve sorte de enfrentar um adversário inoperante. Por isso, o placar de 0 a 0 foi justo para uma partida nada vistosa.

Em campo, o Cuiabá teve a grande chance, em boa jogada de Marcinho, mas Manoel salvou o chute fraco de Gabriel Pierini. Além desta jogada, o jogo ficou marcado por finalizações inúteis – o Cruzeiro chutou 16 vezes, mas João Carlos não teve muito trabalho. As mudanças de Felipão na escalação inicial não recompensaram a aposta do treinador, já que Giovanni Piccolomo pouco fez e Arthur Caíke, mesmo com mais movimentação que os companheiros, deixou a desejar na parte técnica.

O ponto positivo da partida foi, mais uma vez, o jogo de Manoel. O zagueiro é o destaque cruzeirense na Série B e salvou um lance que, certamente, os torcedores do Cuiabá já estavam gritando gol. Como ponto negativo, é possível destacar, simplesmente, o jogo coletivo. Novamente não houve aproximações, triangulações e criações. Individualmente, William Pottker foi o destaque negativo, pois errou os principais fundamentos várias vezes, principalmente no minuto 23 da 2ª etapa, onde o camisa 11, dentro da área, furou em duas oportunidades seguidas, desperdiçando uma boa chance com erros infantis.

O primeiro tempo

Na formação, Felipão optou por um time mais experiente. Da tradicional escalação, a qual o cruzeirense já está se acostumando, Airton e Jadsom Silva foram substituídos por Arthur Caíke e Giovanni Piccolomo, atleta que, mesmo com os problemas físicos, foi escalado pela primeira vez como titular com a camisa do Cruzeiro. 

O jogo começou bem morno. A Raposa tomou a iniciativa da partida e teve 75% de posse de bola nos 15 minutos iniciais, porém ambos os times não conseguiam agredir e a bola só rodava de um lado para outro. A partida estava na famosa fase em que as equipes se estudam.

A primeira chance que chamou mais atenção aconteceu no minuto 23. O volante Adriano, em jogada rara no ataque, foi derrubado muito perto da linha da grande área. O árbitro, corretamente, marcou a falta muito perigosa. Na cobrança, Rafael Sobis rolou para William Pottker. O camisa 11 chutou mal e a bola subiu.

Seis minutos depois, aos 29, o Cruzeiro obrigou João Carlos a fazer boa defesa. Arthur Caíke trouxe da esquerda para o centro e arriscou de longe. A bola foi no meio, mas como o arremate fez curva, o goleiro espalmou para o meio. No rebote, Matheus Pereira tentou cruzar rasteiro, mas errou. 

A grande oportunidade do primeiro tempo foi no minuto 31. Matheus Pereira tocou para Machado e o volante errou o domínio. Com a bobeira dos atletas cruzeirenses, Marcinho acelerou pela direita, correu toda a parte ofensiva do campo e chegou cara a cara com Fábio. O camisa 11 do Cuiabá foi muito esperto e tocou de calcanhar para o meio da área. Gabriel Pierini recebeu e bateu no canto, porém com pouca força. Por causa da finalização mal feita, Manoel se recuperou a tempo, tirou em cima da linha e salvou o gol do Cuiabá que parecia certo. 

O Cruzeiro piorou após a chance claríssima do Cuiabá. Mesmo com a posse de bola, o time mineiro não dava trabalho para a defesa adversária. Aos 38, Arthur Caike foi lançado e ajeitou no peito para Rafael Sobis. O camisa 23 notou que a marcação iria o abafar e optou por finalizar rapidamente. O chute foi no meio do gol e João Carlos encaixou com tranquilidade. Fim de um 1º tempo ruim, com domínio do Cruzeiro, mas sem criatividade, sem organização e com um milagre feito por Manoel, ao defender a grande chance do Cuiabá.

O segundo tempo

As equipes voltaram para a segunda etapa com as mesmas formações e com as mesmas posturas. Dominando as ações ofensivas, o Cruzeiro chegou mais próximo de abrir o placar. Aos 6, Rafael Sobis cruzou da esquerda para a área e o lateral-esquerdo Alexandre Melo tentou recuar de peito para o goleiro. A tentativa foi mal executada e Arthur Caíke aproveitou. O camisa 7 chegou, cara a cara com o goleiro João Carlos, e bateu. O arqueiro do Cuiabá fez boa defesa, “salvando a pele” do companheiro Alexandre Mello, que havia falhado bisonhamente.

Aos 13, o Cruzeiro conseguiu imprimir um raro momento de pressão. O lance iniciou na batida de falta de Sobis, onde a bola bateu na barreira. No rebote, Raúl Cáceres jogou para a área, Adriano cabeceou e a bola bateu no defensor do Cuiabá. O volante reclamou sobre a possibilidade de um pênalti, mas o árbitro da partida deixou seguir com convicção.

No minuto 23 aconteceu o lance mais inusitado e infeliz da partida cruzeirense. Raúl Cáceres cruzou na segunda trave e Arthur Caíke bateu de primeira. O chute foi ruim, mas a bola ficou viva, no pé de William Pottker. O camisa 11 tentou duas vezes e furou ambas as chances, mesmo dentro da área. Um lance vergonhoso para Pottker.

Enquanto o Cuiabá aparentava estar gostando do empate, o Cruzeiro se sentia ainda mais pressionado para buscar um gol. Aos 32, Machado teve uma boa oportunidade, em uma falta lateral. O camisa 25 arriscou e o goleiro João Carlos fez a defesa. No contra-ataque seguinte, o Cuiabá acelerou e chegou frente a frente com Fábio, mas o auxiliar já havia marcado, corretamente, o impedimento do atacante Maxwell.

A partida estava se desenhando para um empate sem gols, visto que as duas equipes não estavam merecendo fazer o gol. Os treinadores tentaram mudar, fizeram substituições, porém os desempenhos estavam bem aquém do esperado para duas equipes que sonham com a vaga para a elite do futebol brasileiro. O Cruzeiro tentou pressionar nos minutos finais, mas a falta de organização decretou o placar de 0 a 0. 

O fim do jogo

Mais um tropeço – o quinto nas últimas seis partidas – e, praticamente, o fim do sonho de retornar à elite do futebol brasileiro no ano do Centenário. E para agravar o momento, a festa de 100 anos acontecerá após este empate decepcionante e depois da necessária mudança de olhares do Cruzeiro: a equipe deve parar de olhar para a parte de cima da tabela e dar atenção à zona do rebaixamento, já que pode terminar com somente três pontos à frente do 17º colocado. O perigo do rebaixamento e a possibilidade de acesso existem e, por isso, os comandados, primeiramente, devem se garantir na Série B. Para isso, é urgente que tenha mudança no nível de desempenho. Cruzeiro, para um 2021 melhor, trabalhe e treine!

O Cruzeiro volta a campo apenas no dia 08, na sexta-feira da próxima semana, às 21:30, contra o Sampaio Corrêa, em São Luís.

Números da partida
Cruzeiro
x Cuiabá
65% Posse de bola 35%
16Finalizações 6
6 Finalizações no gol 1
5 Escanteios 2
2 Impedimentos 2
13 Faltas 15
1 Grandes chances 1
1 Grandes chances perdidas 1
607 Passes 321
540(89%) Passes certos 245(76%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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