É possível sonhar? Iniciando as semifinais da Copa do Brasil, o América tem bons exemplos a seguir. Confira!

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O América jogará a partida mais importante da sua história nesta noite de quarta-feira. 23/12/20 é a data do início do confronto que representa o ápice do Coelho. As semifinais da Copa do Brasil 2020 iniciam nesta quarta, 23, às 21:30 e o América enfrentará o Palmeiras, no Allianz Parque, casa da equipe paulista.

A campanha notável, histórica e emblemática já foi feita. O time mineiro havia chegado, no máximo, às oitavas de final. Neste 2020, o América passou pelas quartas e já está entre os quatro times mais fortes da competição. Uma classificação para a final seria algo gigantesco para a parte esportiva e, principalmente, para o financeiro. É possível sonhar?

O principal objetivo do América é evidente: retornar à Série A 2021 e se consolidar entre os grandes times do Brasil. Atualmente, o América é o 2º – poderia estar na liderança, mas o auxiliar marcou um impedimento bizarro na última partida, frente à líder Chapecoense – e tem oito pontos de vantagem e um jogo a menos que o CSA, primeiro time fora do G-4. Faltando apenas oito rodadas e jogando o melhor futebol da divisão de acesso, o Coelho, certamente, conseguirá o acesso.

Com a promoção para a Série A engatilhada, o América pode se dar o luxo de disputar a semifinal da Copa do Brasil deste ano. Uma equipe de Série B não chegava a esta fase desde 2009 – o Coelho é o primeiro time a conseguir este feito após a mudança em que os times que jogam a Libertadores também disputam a Copa do Brasil – e o América está pronto para fazer ainda mais história. E o Coelho tem bons exemplos a seguir. Confira!

Criciúma em 1991

Já na 3ª edição da Copa do Brasil, em 1991, a primeira zebra “passeou” pelos gramados da competição. O Criciúma estava na Série B naquele ano – nem para a fase final da competição, o time catarinense foi – e se tornou o primeiro time da divisão de acesso a ganhar a Copa do Brasil. Durante a campanha, o Criciúma passou por Ubiratan e Remo, que também disputavam a Série B, e também desclassificou Goiás, Atlético e bateu o Grêmio na final, todos estes da Série A. O Criciúma foi o precursor das boas histórias envolvendo times mais modestos na Copa do Brasil.

Ceará em 1994

Três edições depois, em 1994, o Ceará fez uma campanha histórica e bateu na trave. O adversário? O mesmo Grêmio que havia sido derrotado pelo Criciúma em 91. Na campanha do vice-campeonato do Ceará – time que estava na Série B e foi eliminado precocemente do torneio, na segunda fase – houve várias surpresas. Na primeira fase e nas semifinais, o Ceará enfrentou o 4 de Julho e o Linhares, respectivamente. Porém, para compensar, o Vozão eliminou Palmeiras e Internacional e foi derrotado, por um placar bem magro, na final, para o Grêmio. Uma campanha justa e histórica do Ceará, visto que foi o melhor momento da história do Vozão na competição.

Brasiliense em 2002

A campanha do Brasiliense é algo surreal: o time do Distrito Federal estava na Série C e conseguiu chegar na final da Copa do Brasil, perdendo apenas para o forte time do Corinthians. Na terceira divisão, o Brasiliense de 2002 conseguiu ser campeão e voltou para a Série B. Já na Copa do Brasil, o time de Brasília deixou para trás equipes modestas – Vasco-AC, Náutico e Confiança – e enfrentou grandes times, como o Fluminense e o Atlético Mineiro. Com isso, o Brasiliense chegou na final da competição de mata-mata contra o Corinthians e perdeu por apenas um gol de diferença, evidenciando a entrega dos jogadores. Um time de Série C que chamou a atenção de todo o Brasil ao chegar na final. Uma grande inspiração!

Santo André em 2004

O time do ABC paulista teve uma temporada muito curiosa no ano de 2004: título da Copa do Brasil, mesmo estando na Série B, e uma punição muito severa na divisão de acesso. Por causa da escalação de dois jogadores irregulares, o Santo André perdeu 12 pontos na Série B e acabou de fora da segunda fase da competição. Para compensar e fazer história, o Santo André focou na Copa do Brasil e o resultado aconteceu. A equipe paulista eliminou duas equipes bem modestas – Novo Horizonte na primeira fase e 15 de novembro na semifinal – e três equipes grandes: o Santo André eliminou o Atlético Mineiro, o Guarani e o Palmeiras. Na final, o time do ABC paulista bateu o Flamengo – com autoridade, visto os dois gols de diferença – e virou sensação do futebol brasileiro. Uma história única e inesquecível.

Paulista em 2005

O famoso Paulista de Jundiaí deu o primeiro título como profissional para dois ídolos multicampeões pelo Atlético, rival do América. Victor e Réver faziam parte daquele time que, em seis fases de Copa do Brasil, eliminou seis adversários da Série A, dado que se assemelha à campanha do América, já que desde às oitavas, o Coelho eliminou apenas times da elite – Corinthians e Internacional. Naquela campanha, o Paulista, mesmo muito mal na Série B – quase foi rebaixado – conseguiu fazer importantes jogos e ganhou de Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense e Cruzeiro, além de bater o Fluminense na final da Copa do Brasil marcante, pois foi a última grande zebra a disputar a final e vencer.

América em 2020?

O time mineiro tem bons exemplos para acreditar em uma final, que seria uma premiação ao trabalho de Lisca, da diretoria e dos jogadores, que, mesmo sem “grife”, fizeram uma temporada muito boa. O adversário da fase de semifinais é o Palmeiras, uma equipe com um alto investimento, com um ótimo elenco e com um treinador que, aparentemente, encontrou o verdadeiro futebol do Verdão paulista. Mesmo com tudo isso, o América tem direito de sonhar.

Não será fácil, obviamente. Porém, um time bem treinado como o América de Lisca tem o direito de almejar um feito ainda maior, já que a equipe lutou muito para chegar até esta fase. Qualquer resultado é válido, baseado no tamanho do feito, porém muita raça, vontade e inteligência podem colocar a zebra desta edição em um “outro patamar”. Sonhe, América!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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