Em jogo com polêmicas de arbitragem, Cruzeiro vence o América por 2 a 1

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Um clássico para coroar os 300 anos de Minas Gerais. E a partida vai render assunto por mais 300 anos, facilmente. O jogo ficou marcado por polêmicas na primeira etapa e futebol de verdade na segunda parte, principalmente no início dos 45 minutos finais, onde o Cruzeiro mereceu ampliar sua vantagem. Foi um bombardeio na meta de Matheus Cavichioli, que acabou não segurando a cabeçada de Manoel.

O Cruzeiro venceu o América por 2 a 1 nesta quarta, 02, no Independência. O placar do 1º turno se repetiu, visto que o Coelho havia vencido no Mineirão por 2 a 1 no final de agosto.

Com o resultado, o América não se aproximou da líder Chapecoense. O time de Lisca ficou na 2ª posição, com 44 pontos, seis atrás da liderança e apenas quatro na frente do Cuiabá, primeira equipe fora do G-4. Já o Cruzeiro retornou à 15ª posição e voltou a ter sete pontos de distância para o Náutico, 17º e primeiro time dentro do Z-4. Olhando para cima, a Raposa está 10 pontos de distância do G-4, visto que a equipe mineira tem 31 pontos e o Juventude chegou aos 41 tentos.

O jogo e as atuações individuais

Uma partida que teve muita turbulência nos minutos iniciais dos dois tempos. Na primeira etapa, a indignação justa do time americana, visto as confusões do árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva. Na segunda etapa, o Cruzeiro entrou com muita vontade e fez por merecer o gol.

Pelo lado do Coelho, o tema pós-jogo será a arbitragem. Certamente a partida seria diferente se o juiz tivesse marcado um pênalti no minuto 2 para o América e não assinalasse a penalidade máxima para o Cruzeiro. Porém, é importante destacar que, mesmo com as reclamações sobre a arbitragem, o América não mereceu os três pontos, já que atuou bem abaixo do esperado. Apenas Messias, o excelente zagueiro americano, e Matheus Cavichioli, que fez grandes defesas, tiveram o desempenho esperado.

Já do lado azul de Belo Horizonte a atuação foi boa. O time conseguiu neutralizar as melhores peças do América – Alê e Ademir – e ainda marcou dois gols. O primeiro com muita polêmica e o segundo com muito merecimento. Contrapondo os 45 minutos iniciais, o começo de segundo tempo foi muito bom, o Cruzeiro criou quatro chances reais de gol e mereceu o tento. O restante da segunda etapa foi muito cadenciada. O ponto positivo foi mais uma boa partida de Manoel e Sobis e a volta de Matheus Pereira, que, comparando com Patrick Brey, teve um desempenho muito melhor.

O primeiro tempo

Na escalação, Lisca colocou o seu time tradicional, contando com a volta de Diego Ferreira na ala direita. Já Felipão tirou Régis e Patrick Brey – ambos não vivem grande fase – e colocou Machado e Matheus Pereira.

Nos primeiros minutos, duas polêmicas, muita reclamação americana e gol cruzeirense. No minuto 2, a bola foi rebatida no meio da área e Rodolfo chutou a bola, que bateu na mão de Adriano. O braço do volante cruzeirense estava acima da posição natural, e, segundo o especialista de arbitragem da Rede Globo, o pênalti deveria ter sido marcado pelo árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva.

E dez minutos depois, o juiz se equivocou novamente segundo Paulo César de Oliveira, comentarista presente na transmissão. William Pottker foi lançado, tocou na bola e trombou com o zagueiro Messias. O camisa 11 – que foi substituído por lesão minutos depois – caiu e pediu pênalti. O juiz acreditou e marcou penalidade máxima para o Cruzeiro. Rafael Sobis, que não tem nada a ver com a polêmica, bateu o pênalti no canto direito do goleiro e marcou. Gol da Raposa e 1 a 0 no placar.

Com todas as discussões pela arbitragem confusa de Dewson, a partida ficou bem cadenciada, aconteceram muitas faltas e a bola ficou presa no meio-campo. A indignação do América era tão grande que Lisca foi expulso. As inúmeras reclamações pelas decisões do árbitro resultaram no cartão vermelho do treinador que saiu bem exaltado.

O jogo seguia sem criação e a maioria das boas jogadas eram travadas por faltas: foram 22 faltas pelo lado cruzeirense, um número impressionante – o América cometeu apenas oito infrações no 1º tempo. Outra estatística que elucida quão ruim foram os 45 minutos iniciais é o número de finalizações certas no primeiro tempo: apenas duas.

A melhor chance do América aconteceu no minuto 45, quando Alê achou Felipe Azevedo no meio da área. O camisa 7 fez o giro e bateu no canto de Fábio. O goleiro cruzeirense encaixou a única bola com perigo do Coelho.

O segundo tempo

Os 45 minutos finais começaram com uma postura completamente diferente do Cruzeiro. O time de Felipão iniciou com tudo e este ímpeto ofensivo resultou em mais um gol da equipe azul celeste.

No primeiro minuto, Sobis bateu escanteio, Arthur Caíke chutou e Matheus Cavichioli fez grande defesa. No lance seguinte, Sobis bateu bem uma falta de longa distância, o goleiro americano espalmou e novamente Arthur chutou. A defesa com pé de Cavichioli foi impressionante.

Na 4ª finalização seguida não deu para o bom goleiro do Coelho. Em escanteio cobrado por Machado, aos 3, Manoel antecipou e cabeceou firme. Foi o 4º gol do Manoel, artilheiro da equipe na Série B junto com Airton. O grande início de segunda etapa do Cruzeiro resultou na ampliação da vantagem. 2 a 0 no marcador.

Após este bom início, a Raposa recuou e deu mais campo para o América, que tinha o dever de correr atrás do placar. Em falta cobrada por Daniel Borges, lateral que havia acabado de entrar, a bola foi na cabeça de Anderson Jesus. O zagueiro ganhou com facilidade de Adriano e testou firme, no canto de Fábio. Gol do América e 2 a 1 no placar.

As duas equipes deixaram claro seus problemas de criação nos minutos seguintes. O América chegou em mais uma bola áerea. Em escanteio batido pela direita no minuto 22, Alê se desvencilhou da marcação e bateu. Fábio fez a defesa. Aos 27, Airton fez boa jogada e tocou para Thiago. O jovem centroavante estava livre, mas isolou.

A melhor oportunidade perdida pelo América aconteceu aos 34 da 2ª etapa. Felipe Augusto tabelou com Léo Passos e foi até a linha de fundo. O camisa 23, que entrou no segundo tempo, tocou para o meio e encontrou Ademir. O craque da equipe americana – atleta que não fez uma boa partida – puxou para a canhota e bateu para fora, desperdiçando uma boa chance.

O América até tentou nos minutos finais, porém era tarde. João Paulo fez bom cruzamento e Ademir cabeceou, no entanto faltou o famoso “cacoete”. Ele testou errado, perdendo a última chance de pontuar no clássico.

Fim de jogo

2 a 1 no placar e polêmica para o restante da semana. Um bom clássico, principalmente na segunda etapa, onde as duas equipes resolveram jogar de verdade. Pelo lado do América, Lisca deve melhorar o nível de atuação, visto que o time não rendeu como o esperado. Já a equipe de Felipão sai com os três pontos e com o dever cumprido, porém a armação de jogadas, as triangulações e as boas oportunidades sem ser em bola parada seguem inexistentes.

Um jogo bom para coroar os 300 anos de Minas Gerais. Um estado charmoso, apaixonante e aconchegante. Parabéns a Minas Gerais. Parabéns ao Cruzeiro, que conseguiu vencer em meio às polêmicas. Trabalho ainda será duro para Felipão, porém é possível sonhar.

As duas equipes retornam aos campos no próximo sábado, 05. O América joga contra o CSA, às 18:30, no Estádio Rei Pelé, enquanto o Cruzeiro recebe o Brasil de Pelotas, às 21 horas, no Mineirão.

Números da partida
América x Cruzeiro
67% Posse de bola 33%
11 Finalizações 14
4 Finalizações no gol 5
5 Escanteios 5
0 Impedimentos 2
17 Faltas 33
0 Grande chances 3
0 Grandes chances perdidas 1
524 Passes 253
423(81%) Passes certos 166(66%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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