Olhar tático | Goste ou não, Eduardo Sasha é peça fundamental do Atlético de Sampaoli

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Por Pedro Bueno

Eduardo Sasha chegou no Atlético como um pedido de Sampaoli, onde a equipe mineira desembolsou 1,5 milhões de euros (mais de 10 milhões de reais) pelo atleta de 28 anos. Uma boa parte da torcida iniciou uma cobrança excessiva com o jogador e outra parcela destes atleticanos acreditavam que Sasha poderia ser o camisa 9 tão sonhado. 

Não, ele não é, nunca foi e Sampaoli não deseja que Eduardo Sasha seja um centroavante. O camisa 18 foi contratado justamente por ser um atacante que atua no centro, mas não é fixo. E por isso, cada dia mais, Sasha é uma peça importantíssima no “Sampaolismo” no Galo.

Nas últimas cinco partidas, Eduardo Sasha desencantou e finalmente caiu nas graças da maioria dos torcedores. Porém, o objetivo deste Olhar Tático é mostrar a todos os atleticanos e amantes do futebol a importância do atacante no esquema do Atlético. Em muitas vezes, o desempenho de Sasha foi muito bom e o torcedor ignorou, visto que ele não balançou as redes.

É necessário ressaltar: o futebol moderno não admite mais análises frias baseadas somente em números de gols e assistências. Obviamente as participações em gols são importantíssimas para o resultado final, porém uma simples movimentação, abrindo espaços, pode resolver uma partida. A tática concebe diversos temas e características inerentes ao futebol que muitas vezes nem é percebida pelo torcedor. Por isso, o blog tenta deixar um fato mais evidente: Eduardo Sasha é fundamental para o Atlético.

De rejeitado a queridinho

Sampaoli é um técnico de ponta que está no Brasil. Chegou em 2019 e foi vice-campeão com o Santos de forma surpreendente, visto que ele não tinha um grande elenco nas mãos. Em 2020, o técnico assinou com o Atlético, recebeu onze reforços após chegar e teve seus vários pedidos atendidos, como a chegada de Eduardo Sasha.

O curioso é que Sasha esteve na lista de dispensa antes do Brasileirão 2019. Sampaoli, bem posicionado nas suas convicções, não utiliza jogadores que não encaixam na sua filosofia. No Atlético, Cazares e Otero são exemplos claros de atletas que perderam espaços por não agradar Sampaoli. Ambos foram negociados.

Eduardo Sasha pediu mais uma chance para o técnico argentino em 2019 e foi um dos destaques do Santos no último Brasileirão. Aparentemente, o atacante captou as ideias de Sampaoli com muita facilidade e começou a agradar o treinador. Ele foi titular indiscutível no Santos e está sendo no Atlético.

As estatísticas deste ano em comparação com os dados do ano passado. Fonte: SofaScore. com

Os números do último ano mostram um Eduardo Sasha com estatísticas melhores. Ele ficou em terceiro na artilharia do Brasileirão 2019 e neste ano está longe deste feito. Porém a explicação é simples: no Atlético ele conta com companheiros mais qualificados e neste ano a equipe de Sampaoli não depende dos tentos de Sasha – tanto que ele deu duas assistências até a metade do campeonato, enquanto no Santos ele deu apenas três em 37 rodadas.

Uma questão que fica clara é que Eduardo Sasha aparenta ter aprendido ainda mais as movimentações pedidas por Sampaoli. Os números podem não mostrar, mas ao analisar e comparar as duas versões do camisa 18, o Sasha atleticano joga mais para o time.

A importância tática

Sasha joga para o time? Como funciona esta movimentação? Ela é realmente importante? São perguntas pertinentes e as dúvidas existem na cabeça de vários torcedores. A movimentação de Eduardo Sasha é de um atacante moderno, que visa abrir espaços. Este conceito é visto em diversas equipes na Europa, principalmente os times de Pep Guardiola, adepto da mesma filosofia de Sampaoli.

O jogo de posição é uma ideia de posições fixadas em campo, onde os jogadores se movimentam, abrindo espaços e ocupando a posição do companheiro, a fim de criar buracos na defesa adversária e de chegar no gol. Estas rotações necessitam de habilidade, velocidade e, principalmente, inteligência.

A movimentação de Sasha. Ele percorre todos os lugares na parte ofensiva. Fonte: SofaScore.com

Como Sasha atua centralizado no ataque, o camisa 18 troca de posição com todos os seus companheiros ofensivos. Keno, Savarino, Nathan, Alan Franco e até mesmo Guilherme Arana, já marcaram gols quando Sasha deixa o centro para os companheiros ocuparem. Em muitos momentos, a saída de Eduardo Sasha atrai a marcação de um zagueiro – que tem como missão marcar o “centroavante” – e nisso outros jogadores encontram a brecha e marcam o gol.

Sasha participou do gol? Não. Ele foi importante na jogada? Muito. Ao abrir este espaço, o atacante possibilita outras jogadas, que confundem a marcação. Na maioria das vezes esta movimentação de Sasha não acrescenta nas suas estatísticas, não soma pontos no “Cartola”, porém é importantíssimo para o resultado.

Como exemplo disso, na prática, é possível destacar o gol de Keno contra o Grêmio. Nesta ocasião, Sasha deu a assistência, mas em várias oportunidades ele pode nem tocar na bola e, mesmo assim, ser importante na trama. Neste gol, o 2º de Keno na partida, Sasha estava no centro, tocou para Keno e movimentou para o fundo da área. O zagueiro foi atraído, porém Sasha não queria participar novamente. 

A ideia do atacante foi trazer o marcador para uma área nula, onde eles não participaram, fazendo com que um espaço pelo centro aparecesse para a movimentação característica de Keno. O defensor acompanhou e abriu a brecha no centro. Keno ganhou no mano-mano com o lateral e bateu, visto que havia aquele buraco. Um gol de Keno. Uma jogada pensada por Sasha e pelo “Sampaolismo”.

O objetivo desta parte tática foi dar mais ênfase às movimentações, já que é uma parte mais complicada de observar. Porém, é necessário ressaltar a inteligência de Sasha ao voltar, criar, armar e organizar ataques. No primeiro gol contra o Botafogo, no tento de Savarino, a jogada começou com um bom pivô de Sasha no meio do campo, onde ele recebeu de Bueno e tocou rapidamente para Calebe. Eduardo Sasha é muito completo.

Opções para a formação do ataque

A torcida pediu durante todo o ano a contratação de um camisa 9, daqueles tradicionais. A carência foi resultada pelas passagens recentes de Ricardo Oliveira e, principalmente, de Di Santo, dois atletas que não deixaram saudades. Porém, mesmo investindo bastante, o Atlético não contratou uma referência para brigar na bola aérea. Este perfil de jogador não é da filosofia de Sampaoli.

Esse reforço pode chegar em 2021, porém não é necessário olhar para o ano que vem para pensar em variações com Sasha em campo. Este final de temporada irá proporcionar uma dor de cabeça muito boa para o Sampaoli. O técnico ainda não contou com Vargas e Savarino juntos, ou seja, encaixar todos os atacantes não será fácil, ainda mais com a boa fase de Marrony dentro de campo. Sasha, certamente, seguirá como titular por causa da sua facilidade de adaptar em qualquer posição ofensiva.

Elencamos algumas possibilidades no tradicional 4-3-3:

  • Para ponta direita neste esquema, é possível contar com Savarino, Vargas ou Eduardo Sasha;
  • Como centroavante nesta formação, é possível escalar Marrony, Vargas ou Eduardo Sasha;
  • Como ponta esquerda neste esquema, é possível contar com Keno, Marrony, Vargas ou Eduardo Sasha;
  • Na criação, o Atlético usaria dois jogadores nesta formação. É possível escalar Zaracho, Nathan, Alan Franco, Hyoran, Jair, Savarino, Vargas ou Eduardo Sasha;

Uma variação possível com Sasha no meio-campo é utilizar um esquema com dois jogadores mais atentos à marcação e quatro atacantes, onde Vargas atuaria centralizado, ao lado de Sasha. Ambos têm muita mobilidade e revezariam a posição. São possibilidades e apenas Sampaoli irá decidir.

A disposição

Este tópico é simples e observável em todos os jogos, com ênfase nas últimas duas partidas: a vontade de Eduardo Sasha é contagiante. Em diversos momentos em campo, Sasha “dá piques” malucos para apertar a marcação, acarretando assim uma pressão na defesa adversária, que pode perder a posse da bola.

Além desta marcação alta, Eduardo Sasha se destaca pela polivalência, como citado anteriormente. Já era de conhecimento geral que ele poderia jogar pelas pontas, porém é novidade, para boa parte dos analistas e torcedores, a possibilidade de ter Sasha como um homem de meio-campo, um camisa 8 que está dando combate o tempo todo.

Nas últimas duas partidas, contra Ceará e Botafogo, Eduardo Sasha terminou a partida como um meia central, tentando desarmar e cumprindo a função que normalmente é exercida por Nathan, Franco ou Zaracho. A solidariedade é compreensível na partida contra o Vozão, já que Dylan Borrero havia sido expulso. No entanto, contra o Botafogo, foi possível ver Sasha dando um carrinho na linha de fundo defensiva atleticana, para bloquear um cruzamento, aos 40 da segunda etapa – 85 minutos em campo e a mesma raça.

Isso é inteligência, vontade e determinação de um atleta completo. O torcedor pode cobrar pelos gols, obviamente. Porém, em contrapartida, ele deve reconhecer a importância de Sasha em campo. Não é à toa que Sampaoli mandou buscar o camisa 18 no Santos. Sasha é titular e merece este posto. Goste ou não, Eduardo Sasha é mais importante do que você pensa!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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geraldo

É muito fraquinho para merecer uma página desse tamanho pra analisar um futebol pífio.