Olhar tático | Cruzeiro apresenta pressão baixa. Qual remédio Felipão deve usar?

Foto: Guilherme Macedo

Por Pedro Bueno

A hipotensão, também conhecida como pressão baixa, é uma situação em que a pressão arterial se encontra abaixo do valor esperado. Este problema afeta a vida de diversas pessoas que sentem tontura e outros problemas ao ter a pressão abaixo de 120/80 mm/hg, valor popularmente chamado de doze por oito. A pressão baixa é um problema sério e que devemos ficar atentos, assim como a marcação do Cruzeiro. 

É possível dizer que esta análise tática irá diagnosticar um problema na Raposa, porém esta comorbidade está presente há muito tempo. O time do Cruzeiro não consegue pressionar e marca baixo, ou seja, com pressão baixa. Esta situação ruim para o futebol cruzeirense ataca a equipe desde o início da temporada e nem Felipão, um técnico experiente e respeitado, conseguiu corrigir. Qual remédio Scolari deve usar?

A pressão baixa pode ser uma estratégia para equipes reativas, que buscam contragolpear o adversário. No entanto, com atletas não tão rápidos como Marcelo Moreno, Régis, Pottker, Sóbis, entre outros, o Cruzeiro não aproveita muito os contra-ataques. Por isso, esperar o adversário e não marcar em cima não estão sendo as melhores estratégias de marcação. 

O Cruzeiro é um grande time em crise, até por isso está na Série B. Mesmo assim, a equipe mineira tem um elenco renomado e deveria impor o seu jogo. Só que as recentes atuações e a 15ª posição evidenciam a existência de muitos problemas. Um deles é esta marcação frouxa e sem êxito.

Estatísticas decepcionantes

Sim, o Cruzeiro segue invicto sob comando de Felipão e são mais de 45 dias sem perder um jogo. Porém as duas últimas partidas foram bem abaixo do esperado. A equipe cruzeirense recebeu Guarani e Figueirense, duas equipes da parte debaixo da tabela, e empatou. Além do tropeço em casa, a Raposa jogou pior que os adversários e por pouco não saiu de campo derrotada. 

Para evidenciar isso, o blog buscou algumas estatísticas das duas últimas partidas. Segundo o SofaScore.com, o Cruzeiro teve menos posse, finalizou menos e tocou menor quantidade de passes contra os dois modestos times, que poderiam ter saído com os três pontos. 

Estatísticas das últimas duas partidas. Fonte: SofaScore.com

O ponto que mais chama a atenção é o mau desempenho coletivo da equipe azul celeste. Além disso, um time da expressão do Cruzeiro não pode duelar com duas equipes que buscam apenas sobreviver na Série B e errar, praticamente, a mesma quantidade de passes. Um time que não se impõe em campo e apresenta uma marcação ineficiente acaba deixando o adversário dominar todas as ações. 

Ao levantar dados de todas as partidas do Cruzeiro, é possível concluir alguns pontos ainda mais impressionantes. Mesmo com o investimento maior e com boas peças, o Cruzeiro:

  • teve menos posse de bola que o adversário em oito oportunidades na Série B, em 22 jogos, ou seja, 36%. Uma dessas oportunidades foi contra o Oeste, equipe que está em 20º e venceu somente um jogo na competição. 
  • finalizou menos que o rival em oito partidas na Série B, em 22 oportunidades, ou seja, 36%. 
  • tocou menos que o adversário em nove jogos na Série B, em 22 partidas, ou seja, 41%. 

Para se ter uma ideia da forma que os modestos adversários conseguem impor o jogo sobre o Cruzeiro, é necessário ressaltar números do próprio Figueirense. A equipe, que está em 18º, chutou menos que o adversário em 18 das 22 partidas realizadas. Dessas 4 partidas que teve mais liberdade para finalizar, duas foram contra o Cruzeiro. 

Problema existente há muito tempo

Após falar sobre a forma com que o Cruzeiro é dominado, usando estatísticas como forma de comprovar, é necessário voltar a falar sobre a marcação. Por que ressaltar pontos ofensivos para justificar a marcação mal feita na defesa? A resposta é simples: porque a defesa deve começar no ataque e é neste quesito que o Cruzeiro não consegue ir bem.

Quando a equipe adversária tem a bola nos pés e sai construindo as jogadas, o time cruzeirense fica, simplesmente, olhando. A ideia de pressionar para não dar espaços é inexistente. Só que isso é um problema recente? Não.

Após o empate melancólico contra o Oeste, que acarretou a demissão de Ney Franco, o blog também fez um “Olhar tático” sobre o sistema defensivo. Naquela oportunidade, a Raposa estava encarando o pior time do campeonato e defendia em um 6-3-1. Atuar com seis jogadores na linha de defesa – os dois pontas fechavam com os quatro defensores – é uma das ideias mais estranhas já vistas no futebol, ainda mais quando se tratava de um time muito melhor que o adversário. 

O Cruzeiro esperava que, ao contratar Felipão, os problemas táticos desaparecessem. No entanto, eles seguem levando o Cruzeiro a tropeços indesejados e o objetivo de voltar à Série A está cada dia mais distante.

Males de apresentar pressão baixa

Voltando ao assunto principal, a pressão baixa é um mal que acomete milhões de pessoas e o Cruzeiro. Mesmo para os torcedores não tão familiarizados com as questões táticas, a falta de intensidade é perceptível nas partidas. Pela televisão, o cruzeirense consegue ver que o seu ataque não consegue roubar bolas e dá campo para o adversário fazer o que desejar.

O problema principal de não pressionar e apenas correr para trás é o desgaste, além do baixo domínio da ações ofensivas. Pressionar alto é muito cansativo e depende de jogadores com vontade para marcar de forma encaixada, porém a forma com que o Cruzeiro atua acaba desgastando os jogadores, pois em todos os momentos é o time adversário que está atacando. Sem dominar a bola não existe domínio de adversário. Sem impor marcação, o rival “deita e rola”. 

A liberdade para pensar dada ao jogador do Figueirense. Foto: Guilherme Macedo

Como visto acima, Moreno e Sóbis só olham para a saída de jogo do Figueirense. A segunda linha de marcação – os quatro meio-campistas – vai retornando e dá liberdade para o atleta adversário pensar. Desta forma, a equipe que tiver um bom jogador para pensar e encontrar as brechas deixadas vai conseguir o resultado. 

Por isso, Lucas Crispim, criador do Guarani, destacou tanto contra o Cruzeiro. O camisa 10 bugrino teve liberdade e participou de várias jogadas, pois tem visão de jogo e a marcação frouxa deu liberdade. O Cruzeiro consegue a façanha de potencializar adversários que não são tão bons, já que não consegue diminuir espaços.

O remédio para a pressão baixa

Segundo médicos, a pressão baixa é uma situação que acontece por várias razões. Para a combater, a sociedade tem diversos remédios caseiros, como o famoso ato de colocar sal por baixo da língua ( pessoas com hipotensão, não façam isso em casa sem recomendações médicas).

Já a pressão baixa no futebol pode ser resolvida com maior intensidade e com atletas que estejam ligados na partida. Como o elenco do Cruzeiro não tem peças tão jovens, é importante dosar esta intensidade, porém é necessário pressionar em vários momentos do jogo. Por isso, Felipão terá que treinar esta forma de jogo para que seus comandados entendam o momento certo de pressionar.

Obviamente, a pressão baixa não é o único problema cruzeirense. Todavia, com uma marcação bem instaurada, o restante da equipe terá mais facilidade, visto que o adversário não conseguirá produzir. O melhor ataque é a defesa, se, e somente se, o ataque ajudar a defender.

Bem vindo ao futebol moderno, onde o centroavante deve dar o primeiro combate e o zagueiro não pode ter espaços, visto que ele arquiteta jogadas

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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