CBF diz ao Atlético que o lance de Vargas foi “erro claro”. Mas para que adianta esse parecer agora?

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O vice-presidente do Atlético, Lásaro Cândido, divulgou um parecer que a CBF enviou para o Atlético sobre o pênalti não marcado em Vargas na partida contra o Corinthians, no último dia 14. Mesmo com o triunfo de virada, por 2 a 1, o tema dos dias seguintes foi o erro do árbitro Rodrigo Dalonso Ferreira e de Pathrice Wallace Corrêa Maia, responsável pelo VAR.

Como divulgado no Twitter de Lásaro Cândido, a CBF disse, em resumo, que houve um erro claro na não-marcação do pênalti sobre Vargas. O lance aconteceu no minuto 4, onde Gil derrubou claramente o atacante chileno. A partida se desenharia bem diferente, já que, como citada no parecer da própria CBF, se tratava de um lance claro de gol e não havia disputa pela bola.

Por causa disso, além do pênalti, Gil deveria ter sido expulso diretamente, acarretando problemas para os 86 minutos seguintes contra o Galo e para a partida seguinte, contra o Grêmio, que aconteceu no último final de semana e o zagueiro jogou os 90 minutos.

Segundo a CBF, além do erro em campo de Rodrigo Dalonso Ferreira, a forma com que o VAR atuou foi errada, visto que, com o auxílio do vídeo, Pathrice Wallace Corrêa Maia deveria ter chamado o árbitro para a revisão.

Para que adianta esse parecer agora?

Obviamente, o parecer é um reconhecimento de um erro e medidas internas devem ser tomadas, para que este erro grosseiro não aconteça novamente. As reclamações atleticanas não prosseguirão tão fortes por causa da vitória, mas o desgaste atleticano naquela partida não poderá ser substituído por uma simples nota.

A questão principal da discussão é o reconhecimento de uma arbitragem ruim que está presente no Brasil há muitos anos. Uma nota não muda nada. Erros irão seguir acontecendo, pois a CBF está acomodada com a atual situação. Cobranças existem individuais, quando determinada equipe é prejudicada. Mas os prejuízos de várias equipes são sistemáticos e prejudicam uma campanha em um torneio tão longo e equilibrado como a Série A.

A profissionalização seria a forma ideal de cobrar atuações melhores de árbitros, porém a Confederação não discute esta possibilidade que vigora tão bem na Europa. Até quando o futebol brasileiro terá que parar para falar sobre a arbitragem? Os treinamentos são bem feitos? É oferecida a capacitação ideal?

A situação dos próprios juízes, de terem um emprego principal e o “trabalho informal” de apitar os jogos mais importantes do país, contradiz a atenção que os amantes do esporte dão ao futebol brasileiro. Alguns árbitros são dentistas, professores, policiais, durante a semana e depois vão apitar uma partida. Eles são realmente profissionalizados da forma correta?

A discussão vai muito além do pênalti de Vargas. É um problema estrutural do futebol brasileiro, que perdura desde sempre. A arbitragem é ruim, mas a culpa não é exclusivamente dos árbitros. A CBF, como em vários problemas do futebol brasileiro, se isenta e divulga notas repudiando o erros. 2020 está cheio de notas de repúdios e pareceres, como este divulgado, que não adiantam em nada. Mudanças devem existir. Para um futebol profissional, a arbitragem deve ser profissionalizada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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