Desfalcado de opções e de criação, o Atlético perde para o Athletico-PR por 2 a 0. Veja os melhores momentos!

Foto: Pedro Souza / Atlético

Paulo Autuori, mais uma vez, parou a equipe atleticana. A primeira vez neste Brasileirão foi no jogo contra o Botafogo, onde a equipe carioca, organizada pelo experiente técnico, aproveitou as jogadas de contra-ataque, fez dois gols e venceu o Atlético. O roteiro se repetiu, mas desta vez, o Galo estava em casa e não marcou um gol de honra. O Athletico-PR venceu e mereceu a vitória contra um desfalcado Atlético, por causa do surto de COVID-19. 

Em jogo atrasado da 6ª rodada do Brasileirão, o Atlético perdeu para o Athletico-PR por 2 a 0. Os gols foram marcados por Christian e Nikão. A partida foi realizada nesta quarta, 18, no Mineirão, onde o Galo estava invicto no Brasileirão: foi o 11º jogo como mandante e o Atlético venceu oito, empatou duas e perdeu o confronto desta noite. 

Os melhores momentos da partida desta quarta, 18.

Com o resultado, o Atlético perdeu uma excelente oportunidade de abrir cinco pontos de vantagem para os seus concorrentes. Mesmo isolado na liderança – dois pontos de vantagem para os três rivais – o Galo tem aproveitamento pior do que o São Paulo, já que o tricolor paulista tem três jogos adiados e apenas dois pontos a menos. 

Oito atletas e a Comissão Técnica foram desfalques por causa do coronavírus e, certamente, influenciaram no desempenho. Alguns atletas estavam sem ritmo de jogo e, com certeza, todos com o psicológico abalado, já que vários companheiros estão com uma doença séria. Além disso, a forte chuva prejudicou o campo do Mineirão, que estava muito molhado.

Entretanto, a atuação ruim de praticamente todos os jogadores não pode ser deixada de lado. Faltou intensidade, agressividade – o Atlético não pressionou o seu xará e cometeu apenas sete faltas – qualidade no passe e calma para criar as jogadas. O baixo número de triangulações, acarretada pela falta de criação no meio-campo, pode ser explicada pelo número de grandes chances criadas: zero. 

Talison, jovem da base que fez a sua primeira partida como profissional, cumpriu a sua função e até fez bons desarmes. O problema da zaga estava pelo lado esquerdo. As atuações de Igor Rabello, Bueno, Jair, Arana foram pavorosas defensivamente. Zaracho e, novamente, Hyoran não criaram nada no meio-campo. No ataque, Eduardo Sasha se movimentou bem, porém não era dia do Atlético. 

Leandro Zago não pode ser culpado, pois o banco estava recheado por vários jogadores da base e o treinador, que estava substituindo o contaminado Jorge Sampaoli, fez o seu papel. A derrota dentro de casa passa pelos problemas fora de campo e pela falta de repertório dentro das quatro linhas.

O jogo

Na escalação, Leandro Zago fez o possível para escalar a melhor equipe. Talison estreou como titular na lateral direita, Bueno como zagueiro ao lado de Rabello e um meio-campo formado por Hyoran, Jair e Zaracho. Já o campo molhado foi um problema desde o primeiro minuto. Diversos jogadores escorregaram e a bola praticamente não rolou.

Quem começou em cima foi o Athletico-PR. Reinaldo entrou na área, no minuto 3, driblou com facilidade o zagueiro Bueno e bateu no gol. Éverson espalmou a primeira boa chance.

O Galo, apresentando o grave problema de falta de organização, só construiu uma chegada aos 20. Marrony, que estava jogando pela esquerda, recebeu e acelerou. O camisa 38 tentou a finalização e isolou.

Mas quem dava brecha era a defesa alvinegra e o time rubro-negro aproveitou. Aos 24, em erro na saída de bola pelo lado esquerdo, Renato Kayzer foi lançado nas costas de Igor Rabello e entrou na área. Bueno, na única boa jogada dele na partida, cobriu o seu companheiro e desarmou muito bem. No entanto, Kayzer teve sorte e a bola sobrou no seu pé. O centroavante bateu e a bola tirou tinta da trave. 

Dez minutos depois, em lance semelhante, o Athletico-PR não perdoou. O lado esquerdo não contava com a cobertura de Guilherme Arana e o Furacão explorou isso. Canesín foi lançado por Erick e entrou na área. Rabello foi marcar o jogador athleticano e a entrada da área ficou livre, já que nenhum dos meio-campistas retornaram. Com o espaço, Christian entrou e finalizou com muita tranquilidade. Um chute forte que encontrou Éverson caído. Gol do Athletico-PR em ótimo contra-ataque. 1 a 0 no placar.

No lance seguinte, o Atlético fez o goleiro Santos trabalhar. Na tentativa de empatar a partida, aos 36, Marrony tocou para Guilherme Arana, que chegou e bateu firme de fora da área. O goleiro do Furacão pulou e fez a defesa, evitando o gol do Galo. 

Com uma marcação frouxa, o Atlético não conseguiu evitar os ataques do Furacão. Em mais um contragolpe, no minuto 45 da 1ª etapa, a defesa atleticana não estava postada e o ataque do Athletico-PR aproveitou. Nikão recebeu na intermediária e foi em direção do gol. Igor Rabello apenas cercou e não deu o bote. O meio-campista, cria da base do Galo, aproveitou a falta de marcação e arriscou o chute. A bola desviou em Bueno e matou Éverson. A lei do ex não perdoa. Outro gol do Athletico e o marcador indicava 2 a 0 para os visitantes.

Os dois gols sofridos foram baldes de água fria ainda mais gelados que a chuva que caiu no Mineirão. Certamente, os jogadores, assim como os torcedores, foram para o intervalo desanimados com aquele revés em um jogo tão conturbado psicologicamente. Leandro Zago, com certeza, tentou animar o time e trocou duas peças: Calebe e Nathan entraram nos lugares de Zaracho e Hyoran.

Já no segundo minuto dos 45 minutos finais, Calebe mostrou que vontade não faltaria. O jovem jogador acelerou e tocou para Arana. O lateral atleticano, que finalizou cinco vezes na partida, bateu, mas foi bloqueado. No minuto seguinte, Nathan também demonstrou que poderia ajudar na retomada. O camisa 23 cruzou na área e encontrou Keno livre. O artilheiro do Galo na temporada cabeceou para fora do gol. 

Só que o ímpeto atleticano foi curto e, rapidamente, apareceram todos os erros. No minuto 4, Nikão acelerou e, mais uma vez, teve muita liberdade. O autor do segundo gol arriscou e a sua bola passou muito perto da meta de Éverson. Quatro minutos depois, Bueno gerou uma grande chance athleticana. O camisa 40 do Galo saiu muito errado e teve que recuar, já que o Furacão estava vindo com tudo. Kayzer achou Richard, que bateu e a bola, novamente, passou perto do gol de Éverson.

O Atlético até tentou reagir, mas as jogadas persistiam sem organização. Aos 12, Rabello lançou Sasha, que escorou para Marrony. O jovem atacante atleticano bateu “de canela” e jogou para fora. Quatro minutos depois, Jair ajeitou para Arana no centro do campo. O lateral-esquerdo do Galo finalizou mais uma e Santos encaixou.

A melhor chance atleticana aconteceu no minuto 17. Nathan tentou encontrar Marrony, porém a defesa do Furacão tirou um bom cruzamento. Sasha aproveitou o rebote e bateu bem. Santos fez boa defesa e espalmou para a linha de fundo. Sim, a melhor chegada atleticana foi em um rebote, ponto que evidencia a falta de criatividade.

O jogo foi se aproximando do fim, o Athletico-PR foi catimbando e o Atlético ficando ainda mais nervoso. Keno fez duas jogadas características do ponta, mas não criou grande perigo para Santos. Em uma, aos 32, o goleiro encaixou e, aos 37, o camisa 11 atleticano isolou. 

Quem chegou mais perto do gol foi o Athletico. Bueno, que errou muito durante a partida, ficou caído e o Furacão seguiu. A bola foi cruzada e Bissoli ficou no mano a mano com Igor Rabello. O atacante da equipe paranaense balançou e bateu. Éverson falhou e quase protagonizou o famoso “frango”. Por sorte a bola estava indo para fora e o placar terminou com 2 a 0 para o Athletico-PR.

Um placar muito ruim. O Mineirão estava sendo a fortaleza atleticana. Porém, os diversos problemas da equipe para esta partida e o campo encharcado são justificativas válidas. Uma característica que faltou nesta noite foi a vontade e a determinação para superar estes problemas. Este fator terá que entrar em campo nas próximas rodadas, visto que a recuperação dos contaminados não será rápida. Superação, raça e garra são as palavras de ordem para enfrentar este momento e seguir na ponta do Brasileirão.

O Atlético volta a campo no próximo domingo, 22, às 16 horas, contra o Ceará, no Castelão. 

Números da partida
Atlético x Athletico-PR
64%Posse de bola 36%
21 Finalizações 10
6 Finalizações no gol 6
9 Escanteios 1
1 Impedimentos 1
7 Faltas 23
535 Passes 304
463(87%)Passes certos 235(77%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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