As contratações confusas do Cruzeiro seguem acontecendo em 2020: são sete atletas que não explicaram o porquê da aposta da diretoria e já saíram. Até quando?

Foto: Igor Sales / Cruzeiro

O comando cruzeirense segue penetrado em uma imensa crise financeira, que está presente há mais de um ano, resultando no rebaixamento de 2019, a campanha vexatória no Campeonato Mineiro 2020 e o 1º turno ruim na Série B. E, aparentemente, os mandatários do Cruzeiro que passaram em 2020 também erraram bastante na questão das contratações. Muitos atletas foram contestados antes da vinda e, ao chegar, decepcionaram ainda mais. 

O Cruzeiro passou pela administração de um Conselho Gestor até junho deste ano, quando Sérgio Santos Rodrigues assumiu a presidência, já que foi eleito em 21 de maio. Com estas duas gestões, o Cruzeiro fez 22 contratações e contou com o retorno de vários jogadores que estavam emprestados. É um novo Cruzeiro, porém é um bom Cruzeiro?

Foram quatro treinadores diferentes e diversos “pedidos” atendidos destes técnicos pelos cartolas cruzeirenses. Adilson Batista seguiu depois do fim de 2019 e esteve com o Conselho Gestor no início do ano. Foi demitido em março,após uma campanha vergonhosa no Mineiro. Enderson foi contratado em 18 de março, pelo Conselho que estava gerindo a Raposa, e foi demitido em setembro, já no comando do atual presidente. 

Sérgio contratou e demitiu Ney Franco em um intervalo de um mês, mostrando que estava perdido nas suas convicções. Após isso, o atual presidente apostou todas as suas fichas na chegada de Felipão, que até o atual momento está bem. Deivid, atual diretor de futebol, e Brunoro, consultor de planejamento e estratégia, são peças importantes na decisão das contratações e também andam decepcionando o torcedor. 

São 52 jogadores utilizados no ano e nos próximos dias pode alcançar o número 54, com as estreias de Rafael Sobis e Giovanni Piccolomo, além de Paulo, que é sempre relacionado, mas não estreou. Os números de alguns jogadores contratados em 2020, que já deixaram o Cruzeiro, deixam claro: não há razão para tantas negociações equivocadas. Até quando a Raposa irá seguir sem este rumo nos negócios?

Muito fácil chamar alguém de volta que está no Cruzeiro. Por quê?

Vestir a camisa do Cruzeiro deve ser uma questão de honra. Diversas pessoas sonhavam com esta possibilidade e não conseguiram. Outros são privilegiados de vestir o tão tradicional manto azul celeste. Porém, algumas contratações deste ano vestiram poucas vezes – um atleta nem vestiu em campo – e deixaram o clube. Por que está acontecendo isso?

São quatro jogadores que estavam na Toca e foram chamados pelos seus times para serem emprestados para outras equipes. Daniel Guedes, Jhonata Robert, Everton Felipe e Iván Angulo chegaram por empréstimo, atuaram pouco e foram chamados sem nenhum pagamento ao Cruzeiro. A diretoria, ao firmar estes contratos, certamente não imaginava a possibilidade dos times os chamarem e por isso não estipulou uma multa. Uma ingenuidade do comando cruzeirense.

Daniel Guedes e Jhonata Robert fizeram sete partidas pelo Cruzeiro. Everton Felipe entrou em campo nove vezes. Já Iván Angulo teve uma história ainda mais curiosa e sem explicações da diretoria. Ele esteve durante a pausa do futebol no Cruzeiro, recebendo salários e treinando. Quando o futebol voltou, Angulo estreou pela Raposa e foi chamado de volta pelo Palmeiras. O colombiano ficou 40 dias no Verdão e retornou para a equipe mineira. Entretanto, o Cruzeiro estava punido e ele ficou mais um bom tempo só treinando. No fim de outubro, ele deixou o time celeste e foi para o Botafogo, já que o Palmeiras desejava que ele jogasse. Uma situação bizarra. 

Eles bateram e voltaram no Cruzeiro. Três destes foram emprestados para equipes da Série A e Jhonata Robert foi para Portugal. Por que o Cruzeiro não está sendo atrativo para eles? E como é fácil buscar jogadores no Cruzeiro, visto que os mandatários não fizeram força para os segurar.

Três contratações sem explicação

O cruzeirense não teve culpa em alguns casos. Nas contratações de Roberson, João Lucas e Matheus Índio, o torcedor do Cruzeiro fez questão de mostrar a sua indignação nas redes sociais, visto que os atletas nunca haviam entregado bom futebol na carreira. O Conselho Gestor e a diretoria atual não escutaram os apoiadores e fecharam com os atletas. Resultado: empréstimo e duas rescisões. 

João Lucas fez 15 partidas e não entregou o futebol esperado pela diretoria. O lateral-esquerdo errou bastante, teve que lidar com várias críticas nas redes sociais e acabou emprestado ao Avaí.

Roberson é um atacante de 30 anos que havia feito 33 gols na carreira. Saiu do Cruzeiro com o número de 34 gols feitos, ou seja, marcou um tento em 14 jogos. A torcida contestou a contratação deste atacante de currículo duvidoso – que também disse que pode jogar de meia, mas não atuou bem de nenhuma forma – e a atual diretoria teve que rescindir o contrato dele nos últimos dias. 

Por fim, Matheus Índio foi ainda mais contestado. Com apenas cinco gols na carreira, Índio treinou durante um mês e meio na Toca, aguardando a liberação para ser inscrito. Quando a punição da FIFA caiu, Matheus Índio teve seu contrato rescindido. Explicação? Nenhuma. Multa para pagar? 60 mil para romper o contrato de um jogador que sequer foi anunciado.

Além destes sete exemplos, Jean e Marllon romperam o empréstimo com o Cruzeiro, mas por motivos mais justificáveis. O volante se lesionou e só voltará na próxima temporada. Já o zagueiro está até sendo titular no Corinthians, visto que o time paulista estava com uma carência na posição. Zé Eduardo pode ser o próximo caso confuso da diretoria, já que retornou, atuou por 12 minutos e deve ser emprestado novamente ao América-RN. A negociação tem outros desdobramentos, como explicados aqui. 

A reconstrução cruzeirense tem seus capítulos inexplicáveis. São sete jogadores que mal chegaram e já saíram. Até quando o Cruzeiro vai ser preenchido por negócios confusos e jogadores contestados? Para recuperar uma equipe, convicção é o primeiro passo. Sérgio Santos Rodrigues, Deivid, Brunoro e demais participantes destas contratações devem ser cobrados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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