Atlético contra Flamengo em novembro traz boas lembranças para o torcedor: um 6 a 1 e um 4 a 1 para o Galo ficaram marcados na história

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No próximo domingo, 08, Atlético e Flamengo irão protagonizar o grande jogo da rodada. O duelo marcará o encontro entre o 2º e o 3º, dois dos melhores times do Brasil, porém a importância da partida vai muito além deste jogo. Atlético contra Flamengo é um dos maiores clássicos interestaduais e a memória do atleticano traz boas recordações no mês de novembro contra a equipe rubro-negra. 

Duas goleadas são sempre lembradas pelo torcedor quando trata-se de duelo com o Flamengo e, coincidentemente, estas duas partidas ocorreram no mesmo mês que a partida deste final de semana irá acontecer. 

Em 05/11/2014, exatos seis atrás, o Galo venceu o Flamengo por 4 a 1 no Mineirão, em uma das viradas mais emblemáticas da história atleticana. Já em 14/11/2004, há quase 16 anos, o Atlético acabou com o Flamengo e goleou o rival por 6 a 1, em um show de Alex Mineiro.

Foram duas goleadas marcantes, mas as boas lembranças deste mês contra o Flamengo não param por aqui. Segundo o site zerozero.pt, que contabiliza dados sobre futebol, Atlético e Flamengo já fizeram onze jogos no mês de novembro e o Galo saiu vitorioso sete vezes, empatou apenas um jogo e só perdeu três partidas. 

Em 2014, 14 dias após vencer por 4 a 1, o Atlético goleou o Flamengo por 4 a 0 no Brasileirão. Em 2010, também em novembro, o Galo derrotou o time carioca por 4 a 1. Será que estas vitórias inspirarão o Atlético de Sampaoli a derrotar o Flamengo neste domingo?

A goleada de 2004

Diferentemente de atualidade, já que as duas equipes estão disputando o título em 2020, Atlético e Flamengo estavam disputando na parte debaixo da tabela em 2004. Antes da partida o Galo estava em 22º – o Brasileirão era disputado por 24 times e rebaixavam os quatro últimos – e o time rubro-negro estava em 19º.

Com a vitória acachapante, o Atlético ultrapassou o Flamengo e deixou a equipe carioca na zona do rebaixamento. No final das contas daquele Brasileirão vencido pelo Santos, Flamengo e Atlético sobreviveram, porém ficaram lutando pela sobrevivência até as rodadas finais.

O Atlético entrou em campo naquela tarde de domingo, dia 14 de novembro, com Danrlei, Alessandro, André Luis, Adriano, Rubens Cardoso; Zé Luís, Zé Antônio, Renato, Rodrigo Fabri; Alex Mineiro, Márcio Mixirica. O time era comandado por Mário Sérgio, que no segundo tempo promoveu a entrada de Tucho, Juninho e Wagner.

A partida, que aconteceu no Ipatingão, começou animada. Logo aos 2 minutos da 1ª etapa, um lance capital que “abriu a porteira” da goleada. Renato tentou lançar Márcio Mixirica, a defesa flamenguista falhou e o atacante atleticano acelerou. Livre de marcação, Mixirica estava na meia-lua quando foi agarrado por Junior Baiano.

O renomado zagueiro do Flamengo foi expulso por Leonardo Gaciba, atual chefe de arbitragem da CBF,  e a falta foi marcada, bem próxima do gol de Júlio César, um dos melhores goleiros brasileiros dos últimos anos. Na cobrança, Zé Antônio bateu rasteiro, encontrando um espaço na barreira e abriu o placar. 

Aos 13 minutos, Márcio Mixirica, que é lembrado pela torcida atleticana até os dias atuais pela falta de qualidade, cabeceou muito bem no canto do goleiro do Flamengo e aumentou o placar para o Galo, deixando mais de 20 mil torcedores presentes animados com a possibilidade de uma boa vitória.

No restante da primeira etapa, o Atlético dominou, porém não conseguiu ampliar. Logo após a volta do intervalo, Renato deixou o dele. Em bola alçada na área, Renato cabeceou livre e aumentou o placar para o Galo. O Flamengo até tentou uma recuperação, aos 53, em um belo gol de fora da área de Jean, camisa 10 da equipe, mas o domínio atleticano estava ainda mais claro.

Após apenas cinco minutos, o Galo ampliou a vantagem, deixando a equipe rubro-negra sem qualquer expectativa de retornar ao jogo. Alex Mineiro, o camisa 9 atleticano, foi lançado, driblou Júlio César, no entanto ficou sem ângulo. O bom centroavante cruzou para Wagner, que chegou de peixinho e fez o 4º gol atleticano.

Aproveitando o embalo, 13 minutos depois, aos 71, o Atlético aumentou ainda mais o placar. Alex Mineiro, enfim, balançou as redes, em um golaço. O camisa 9 driblou dois defensores do Flamengo dentro da área e bateu forte no canto de Júlio César, que nada conseguiu fazer.

Mas o centroavante do Galo não estava satisfeito e marcou mais um gol, no minuto 80. Mais uma vez, Alex Mineiro foi lançado e aproveitou a fragilidade da defesa do Flamengo. Alex driblou o goleiro Júlio César e fez o 6º gol atleticano. 

Uma vitória histórica. A maior goleada deste confronto gigante. O Galo de Alex Mineiro e companhia impôs uma dura derrota ao time carioca, que certamente ainda tem pesadelo daquela tarde de novembro em Minas Gerais.

A virada “impossível” de 2014

“O Flamengo está ‘classificadaço’! A galera do Galo começa a cantar ‘Eu Acredito’ e eu afirmo daqui: eu duvido hein. O Mengão vai para a final, galera…”. Então, boa parte dos atleticanos se lembra da icônica narração de Luiz Penido, que cravou a classificação flamenguista após abrir o placar. Ele não sabia que estava enfrentando o Galo. 

Esta narração aconteceu após o Flamengo abrir o placar aos 33, com Éverton. O time carioca havia vencido no Rio de Janeiro, por 2 a 0, e só seria eliminado se sofresse quatro gols em 55 minutos. E sofreu.

O Atlético entrou em campo com Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Jemerson, Douglas Santos; Josué, Dátolo, Luan; Maicosuel, Carlos, Tardelli. No segundo tempo, o treinador Levir Culpi colocou em campo Leandro Donizete e os jovens Dodô e Marion.

Após sofrer o gol, aos 33 minutos, o Galo precisava fazer o mesmo que fez sobre o Corinthians, na fase anterior, mas teria 30 minutos a menos, já que o gol corinthiano saiu cedo nas quartas de final. O atleticano mais pessimista não acreditou na possibilidade do raio cair novamente no mesmo lugar, mas os 41 mil fanáticos presentes entoaram em bom tom o mantra do “Eu Acredito” e os jogadores acreditaram. 

Aos 41, Douglas Santos, excelente lateral esquerdo, fez um belo cruzamento e encontrou Carlos e Léo Silva. O zagueiro histórico não acertou, mas a cria da base atleticana estava lá e empatou a partida. Os times foram para o intervalo com o Atlético precisando de três gols para classificar.

No minuto 11, Luan, artilheiro desta Copa do Brasil, fez uma bela jogada pela direita e foi desarmado por João Paulo, atual lateral do América. A bola sobrou para Maicosuel, que finalizou no contrapé de Paulo Victor e incendiou o Mineirão.

Porém, a torcida começou a ficar mais apreensiva depois dos 30 minutos, visto que a equipe precisava de dois gols. E a apreensão resultou em gols e uma sensação de que se não for sofrido não é Atlético Mineiro.

Aos 35, Dodô cruzou na área, Marion ajeitou muito bem de peito e Dátolo chutou no canto do goleiro flamenguista. Era o 3º gol atleticano e a torcida viu que o raio iria cair novamente no mesmo lugar.

Em cruzamento mal cortado pela defesa atleticana, Marion – que não conseguiu ter outra boa exibição, mas, certamente a torcida agradece ele por estas jogadas – jogou a bola de volta para a área. Leonardo Silva tentou fazer um pivô, Diego Tardelli deu um leve toque e Luan chegou finalizando no canto aberto. 

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Era o 4º gol e a definição de uma virada, classificação e goleada histórica que completou seis anos nesta quinta, 05. Um jogo que ficou na memória do torcedor, pela virada improvável, pela rivalidade, pela classificação para a final e, principalmente, pelo erro do narrador que cravou a classificação flamenguista. Um recado ficou claro: não duvidem do Atlético Mineiro. 

E não é para duvidar mesmo na atual “crise” – nos últimos seis jogos, o Galo venceu apenas uma partida. O Atlético já mostrou superação e qualidade em diversos momentos, inclusive em cima do Flamengo. Uma vitória daria confiança de volta para o elenco atleticano. Uma goleada, como em 2004 e 2014, colocaria o Atlético em “outro patamar”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.