Atropelado! Atlético joga mal, é dominado pelo Palmeiras e perde por 3 a 0

Foto: César Greco

Um jogo de um time só. Um atropelo sem discussão. A pior partida de Jorge Sampaoli no comando do Atlético e uma sequência que está assustando os torcedores. Nos últimos seis jogos, o Galo venceu apenas uma vez, contra o lanterna Goiás. Um sinal de alerta é ligado, visto que o time aparenta estar cada dia mais nervoso com a situação.

O Atlético foi derrotado nesta segunda, 02, para o Palmeiras, na casa da equipe paulista. O placar do Allianz Parque marcou 3 a 0 para o Verdão, que venceu, convenceu e impôs uma duríssima derrota para a equipe de Jorge Sampaoli.

Mesmo sem perder posições – segue em 3º – o Atlético desperdiça uma grande chance. Ao jogar no final da rodada, o Galo havia visto as derrotas de Internacional e Flamengo e, desta forma, poderia se tornar líder novamente e seguir com um jogo a menos.

Porém o revés deixa um ponto claro: os adversários do G-6 estão chegando. O Fluminense, com os mesmos 32 pontos da equipe mineira, São Paulo, com 30 e dois jogos a menos que o Galo, e o Santos, também com 30 pontos, chegaram e estão almejando feitos maiores neste 2º turno. O Palmeiras vem logo depois, em 7º, com 28 pontos e se aproxima da briga.

O torcedor tem a famosa frase na ponta da língua: mais uma atuação para se esquecer. Mas não, o desempenho neste final de 1º turno deve ser recordado e estudado para poder entender qual é a origem de sucessivos erros e várias partidas que o time não conseguiu jogar. Sampaoli certamente está interessado em entender o porquê desse mau momento.

O Atlético teve apenas lampejos de bons momentos no início da 2ª etapa, mas a falta de confiança nas finalizações afastou o Galo do gol de Weverton – foram somente duas finalizações com direção. E ao ir desesperado ao ataque, a equipe alvinegra cedeu diversos contra-ataques que resultaram em um belo placar para o Palmeiras. Mérito de Andrei Lopes e seus comandados, que conseguiram neutralizar um pobre Atlético. 

Em mais uma atuação pífia, é complicado indicar destaques positivos. Talvez o atleta que mais se aproxima ao seu nível de desempenho foi Guilherme Arana, que foi o melhor jogador atleticano. O restante foi bem abaixo. 

Guga e Réver novamente se mostraram riscos constantes na marcação alta, já que eles não têm velocidade para recompor. Nathan e Zaracho ficaram presos na marcação e não ajudaram na criação, principalmente na terrível atuação na 1ª parte.

O jogo

A escalação de Sampaoli já trouxe mudanças. O retorno de Allan no meio-campo, na vaga de Alan Franco, a escolha por Zaracho para a vaga do suspenso Keno – na função em campo quem substituiu Keno foi Arana – e a volta de Marrony para o time titular, na vaga de Eduardo Sasha que havia sido titular consecutivamente desde a 6ª rodada. As mudanças não surtiram efeito.

O Atlético teve uma atuação abaixo da crítica no jogo. Um time anulado pela marcação da equipe paulista, que poderia ter aproveitado melhor as diversas chances concedidas pelos erros de passe do Galo. Desde o 1º tempo, o Palmeiras dominou, neutralizou e saiu com a vitória. Mérito dos comandados de Andrei Lopes, o Cebola, e demérito da equipe de Jorge Sampaoli, que estava enrijecida. 

O Galo teve domínio da bola, característica tão marcante da sua filosofia, apenas nos minutos iniciais e finais da 1ª parte. Durante praticamente todo o 1º tempo foi possível visualizar um Palmeiras acertando as triangulações, chegando ao ataque e não deixando o Galo jogar. 

Entre os minutos 10 e 20, o Galo errou diversas vezes e proporcionou quatro possibilidades de gol para o Palmeiras. Aos 10, Nathan tentou sair driblando e foi desarmado por Viña, que tocou para Rony. O ponta abriu para Veiga, que bateu forte, mas a bola subiu demais.

No minuto 17 começou a blitz impressionante do time paulista. Savarino errou também ao tentar driblar e perdeu a bola para Zé Rafael. O camisa 8 encontrou Veiga, que rapidamente lançou Rony. O velocista entrou na área e finalizou forte, obrigando Éverson a fazer boa defesa. No rebote, Luiz Adriano tentou de calcanhar e o goleiro atleticano salvou mais uma vez.

No lance seguinte, o Atlético não evitou o gol palmeirense. Guga saiu para tentar pressionar e roubar a bola, porém acabou deixando um espaço para Viña. A equipe alvinegra não conseguiu desarmar e viu o lateral uruguaio do Palmeiras cruzar para Raphael Veiga cabecear e abrir o placar. 1 a 0 no marcador do Allianz Parque. 

O Atlético aparentava estar assustado e, aos 20, errou mais uma saída de jogo. Raphael Veiga roubou na intermediária e abriu para Wesley, que chutou forte. Éverson defendeu e a bola ainda bateu na mão de Réver. O pênalti nem foi discutido, já que o capitão atleticano estava com o braço colado ao corpo. 

O Galo finalizou aos 6 minutos, em um chute ruim de Nathan e só foi finalizar novamente aos 38, evidenciando o domínio palmeirense. Nos cinco minutos finais, o Galo até tentou chegar, finalizou algumas vezes. Os principais chutes foram com Arana, que acertou a parte de fora da meta de Weverton, e Savarino, que recebeu após belo corta-luz de Marrony, mas isolou com a perna esquerda.

O Galo voltou com a mesma escalação, todavia com uma postura diferente. Os minutos iniciais mostraram um Atlético mais presente no campo adversário, lembrando um pouco aquele Galo que por muitas vezes deu gosto de ver.

A questão principal era a falta de confiança na finalização, como visto em um lance, aos 9, onde o Atlético chegou, Arana escorou para Zaracho, que hesitou na hora de bater. O recém-chegado tentou tocar para Nathan, mas o camisa 23 bateu travado. Marrony até fez uma boa jogada, ao dominar no peito e jogar na frente, no entanto foi travado pelo excelente Gustavo Gómez. 

Enquanto o Atlético foi se jogando ao ataque, o Palmeiras esperava uma oportunidade para contra-atacar. E foi isso que aconteceu. Marquinhos, que havia entrado no lugar de Zaracho, tentou encontrar Nathan na entrada da área e acabou dando no pé de Viña. Wesley puxou o contra-ataque e lançou Luiz Adriano. O atacante, ganhando facilmente na velocidade de Réver, tocou para Rony, que marcou o 1º gol dele no Brasileirão.

Sampaoli tentou colocar Franco e Sasha em campo, mas era tarde demais. O desempenho era muito ruim e o placar ainda estava piorando. Um Atlético assustado tomou mais um contra-ataque fatal do Palmeiras. Alonso estava na criação de jogadas, aos 31, e deixou a linha defensiva com Guga e Réver. Após roubar a bola, Luiz Adriano lançou Zé Rafael que deixou os defensores atleticanos para trás. Ele rolou para Wesley deixar o seu. 3 a 0 em um atropelo no Allianz Parque.

Mais uma vez, Sampaoli deixou o Allianz Parque “após perder o rumo de casa”. Em 2019, Sampaoli perdeu de 4 a 0 para os comandados de Felipão e neste ano foi a vez de Andrei Lopes impor um decepcionante revés ao treinador argentino, que terá mais uma semana para treinar e identificar os erros. 

É necessário descobrir com urgência as origens dos diversos erros atleticanos, seja estes erros ocasionados por deslizes individuais, problemas táticos ou qualquer que seja a razão. O Atlético tem tempo, elenco e treinador para se preparar melhor e voltar a atuar bem. A próxima partida é mais um páreo duro e o Galo terá que apresentar um futebol melhor para sair com os três pontos em casa.

O Atlético enfrenta o Flamengo no próximo domingo, 08, às 18:15, no Mineirão. 

Números da partida
Palmeiras x Atlético-MG
35% Posse de bola 65%
19 Finalizações 16
8 Finalizações no gol 2
3 Escanteios 9
2 Impedimentos 0
10 Faltas 12
4 Grandes chances 0
2 Grandes chances perdidas 0
300 Passes 543
232(77%) Passes certos 466(86%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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