Junior Alonso, o xerife que marca presença além das quatro linhas

O xerife Alonso sem risadinha, como de costume. Reprodução WhatsApp

Por Pedro Bueno

Um grande jogador ganha relevância atuando com qualidade. Um atleta para ganhar o carinho da torcida atleticana deve mostrar raça e vontade de vestir a camisa alvinegra. Um jogador que tem tudo isso e ainda entende que não basta as suas ações ficarem dentro das quatro linhas tem grandes chances de se tornar um ídolo. Junior Alonso é um exemplo claro disso. 

O zagueiro paraguaio foi o grande nome da semana, mesmo sem o Atlético jogar. Com nove dias sem disputar partidas, o treinamento dos atletas seria o centro das atenções, porém uma ação extracampo fez todos os torcedores, independente do time do coração, respeitarem ainda mais Junior Alonso.

No final da tarde da última terça, 27, um áudio foi enviado em diversos grupos do whatsapp. Um áudio de 2 minutos e 21 segundos que contava a história do zagueiro e a sua humildade. Um simples ato que significa muito, mas muito mesmo, para a pessoa que recebeu a boa ação. 

Foi feita uma transcrição do áudio ao fim da matéria.

Como dito no áudio, Junior Alonso estava passeando com a sua família no Shopping Estação, em Belo Horizonte. Quando seus filhos viram uma loja diversos produtos do Atlético, o camisa 3 atleticano parou e entrou na Loja do Galo. Nisso, um trabalhador, que estava com chinelo arrebentado e além do calçado gostaria de comprar uma camisa do Galo, entrou na loja. 

O simples trabalhador disse que havia ganhado mais dinheiro na terça e poderia assim comprar uma camisa. Porém, ao quebrar o seu cofrinho, achava que não encontraria os 99 reais para pagar o chinelo e a camisa. Bom atleticano que é, preferiu a camisa do Galo do que o chinelo e falou que se as moedas não totalizassem em 99 reais, ele iria embora sem o calçado.

Enquanto seus filhos escolhiam produtos do Atlético, Junior Alonso ouviu aquela história e se comoveu. Mesmo com sua timidez, Alonso disse para o dono da loja que não era para o rapaz se preocupar com o pagamento. Tudo seria pago pelo zagueiro.

Uma simples ação para o camisa 3. Um dia que não será esquecido pelo atleticano que precisava do chinelo, mas queria comprar a camisa também. Junior Alonso entendeu que uma pequena ajuda pode mudar a vida de uma pessoa e mostrou que o futebol não é apenas um jogo.

O golaço de Junior Alonso for ter tido empatia com a situação do trabalhador, visto que ele poderia ter fingido que não era com ele. O talento do zagueiro dentro de campo é indiscutível e, certamente, os dois rapazes que estavam na loja iam seguir o admirando pela sua qualidade em campo, mesmo sem esta demonstração de bom caráter. Porém, a idolatria e respeito vão além das quatro linhas a partir de agora. 

Junior Alonso marcou o seu primeiro gol com a camisa atleticana. Ainda sem balançar as redes em campo, o zagueiro conseguiu emocionar boa parte dos apaixonados por futebol. Um gesto que mostra o grande ser humano que comanda a defesa atleticana. O pai de dois filhos é um exemplo não só para as suas crianças, mas sim para uma sociedade cada dia mais hostil e depecionante.

O paraguaio é querido pela Massa por causa do talento, garra, inteligência e agora, mais do que nunca, pelo seu caráter. O pedido da torcida é que Alonso tenha vida longa no Atlético!

Números

Junior Alonso foi anunciado como novo atleta do Galo no dia 02/07 deste ano. O Atlético pagou 3 milhões de euros pelo zagueiro de 27 anos que pertencia ao Lille, mas estava no Boca Juniors emprestado. Ele assinou contrato até junho de 2024.

Com a camisa atleticana, Alonso jogou 20 dos 23 jogos possíveis após a pausa do futebol. As únicas três ausências foram na última data FIFA, quando ele estava com a seleção paraguaia. Ele venceu 14 partidas, empatou em duas oportunidades e saiu derrotado de campo apenas quatro vezes. Sem marcar gols dentro de campo, Alonso soma uma assistência para o gol de Jair, contra o São Paulo. 

Transcrição do áudio

“ Na hora que ele chegou aqui, tipo assim, ele passou em frente a vitrine e tal. Ele entrou na loja, cumprimentou a gente, deu uma olhada nas blusas. Ele olhou a polo e tal e a menininha dele ficou doida com aquele galinho mascote. Beleza. Mas aí ele ficava na vitrine e estava ele, a esposa e os dois meninos dele. Eles ficaram na vitrine olhando o “mascotinho”, aí o filho dele experimentou a listrada.

Nisso, chegou um outro cliente aqui. Um cara muito simples, humilde e tal, com uma camisa do Galo, uma camisa de goleiro de manga comprida, e uma sacola ‘grandona’ de supermercado. Aí ele falou que queria um chinelo e mais uma camisa. Ele experimentou o chinelo, todo meio sem graça ‘Não, é que meu chinelo arrebentou ali fora agora, eu olho os carros aqui perto, de frente ao Shopping.’ Aí eu falei senta aí e ele experimentou o chinelo e ele ‘Eu ganhei um dinheirinho hoje, vai dar para comprar uma camisa.’ Aí ele escolheu aquela camisa preta do Victor, da Braziline, fraga? Vei, na hora de pagar, o que que ele fez? Aí é a hora que você chora.

Ele trouxe e quebrou tipo um cofrinho dele, aquele tanto de moedinha. Aí ele jogou as moedinha tudo no chão da loja e começou a contar moedinha por moedinha, falando assim ‘Vei, não sei se vai dar os 99, mas se não der os 99, eu deixo o chinelo e levo só a camisa’. E ele contando as moedas e o Alonso olhando, olha pra cá, olha pra lá e sai da loja. O menino dele escolhe outra coisa e ele todo sem graça, ele é ‘tímidão’, fraga? Aí ele me chamou (o dono da loja) e falou assim ‘Tudo bem e tal’ e eu falei ‘Joia, bacana’. Aí ele perguntou ‘Ele tá contando para tentar pagar?’ e eu falei ‘É porque ele tá com moedas e tudo”. Aí o Alonso falou que não precisa de dinheiro, tá tudo pago.

‘Fi’ você tinha que ver a alegria do cara aqui. Ele agradecia o Alonso de longe, perguntava se podia abraçar. O Alonso sem saber. O cara começou a abraçar e falou ‘Nem precisa de foto não, um abraço seu eu vou guardar para o resto da vida xerife’ e o cara chamando ele de xerife. Eu virei fã desse cara agora, viu? Diferenciado. Ele podia ter feito vista grossa. Não ‘vei’. O cara é top.”

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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