Há exatos 4 anos, um camisa 9 do Atlético decidia uma semifinal de Copa do Brasil. Lucas Pratto seria a solução para o atual ataque?

Fotos: Bruno Cantini / Atlético

26/10/2016. Há 4 anos, Lucas Pratto e Eduardo Sasha se enfrentaram em uma semifinal da Copa do Brasil. E quem marcou o gol decisivo, nos minutos finais, foi o ex-camisa 9 atleticano, que está no River Plate. O atual atacante do Galo entrou na 2ª etapa e pouco fez pelo Internacional. 

Além do gol decisivo, Pratto deu a assistência para o gol de Otero, que abriu o marcador. O placar de 2 a 1 no estádio do Beira-Rio facilitou muito a vida atleticana no jogo de volta das semifinais, onde o Galo empatou por 2 a 2, em casa, e chegou na 2ª final de Copa do Brasil da sua história – final na qual o Atlético, infelizmente para os seus torcedores, foi derrotado pelo Grêmio. 

Em meio a tantas críticas ao setor ofensivo do Atlético, com ênfase ao centroavante pedido por Jorge Sampaoli, Eduardo Sasha, uma data como esta merece ser relembrada. Um show de um centroavante completo. Na época, o atacante argentino tinha muita velocidade, agilidade, qualidade na finalização e, principalmente, vontade.

Lucas Pratto atualmente está no River Plate e tem 32 anos. Não é o mesmo jogador que fez história no Galo, se tornando o maior artilheiro estrangeiro do Atlético. O “Urso”, como era carinhosamente chamado, nunca foi o centroavante fixo na área como a torcida pede, mas se movimentava muito e mostrou, no Atlético, que tem habilidade para empurrar para o gol, principal problema do time atualmente. 

O jogo

O ano era 2016. O Galo contava com um elenco estrelado e foi disputar uma semifinal de Copa do Brasil, dois anos após vencer a competição, sobre o seu rival Cruzeiro. O adversário das semifinais de 2014 foi o Flamengo, mas em 2016 foi o Internacional, equipe treinada por Celso Roth. 

O Atlético foi a campo no Beira-Rio com Victor; Carlos César, Gabriel, Erazo, Fábio Santos; Rafael Carioca, Leandro Donizete, Júnior Urso; Otero, Robinho e Lucas Pratto. O treinador da época era Marcelo Oliveira, que foi demitido no mês seguinte.

O jogo iniciou e rapidamente o Atlético marcou o primeiro gol. Lucas Pratto foi lançado e, mesmo com o seu tamanho e peso, conseguiu impor bastante velocidade e ganhou o duelo com o defensor do Colorado. Ele penetrou a área do Internacional e cruzou.

O zagueiro tentou tirar para fora, todavia a bola voltou para os pés do camisa 9, já que ele não desistiu da jogada. Pratto encontrou Otero no meio da área, que bateu firme e abriu o placar no minuto 2.

O restante da 1ª etapa foi de domínio do Colorado, que explorou as costas do lateral Carlos César, ponto fraco da equipe atleticana e que só deixou o Atlético neste ano, mesmo com as diversas más atuações desde esta época. Aylon, atacante que era titular, deixando Sasha como reserva, perdeu duas boas chances nos 45 minutos finais. Fim de 1º tempo e o Atlético foi para o vestiário com a vantagem graças a velocidade e raça de Pratto e a boa finalização de Rómulo Otero. 

Aos 7 da 2ª parte, Alex cobrou escanteio na cabeça de Aylon, que cabeceou firme e para o chão, como manda o manual. Victor fez uma linda defesa evitando o empate do Colorado. 11 minutos depois, no minuto 18, o São Victor do Horto fez outra bela defesa, em chute de William, evidenciando a sua importância para o Galo em diversos momentos na carreira.

Mas o Santo não evitou o gol de pênalti do Internacional. Fábio Santos falhou e cometeu uma penalidade máxima infantil. William cobrou e deslocou Victor. O gol de empate, de um Internacional superior ao Atlético.

O Galo estava entregue? De jeito nenhum. Com um capitão voluntarioso como Lucas Pratto, o Atlético não desistiria fácil. E foi isso que aconteceu. Mesmo com a entrada de Eduardo Sasha no lugar de um meio-campista do time da casa, quem marcou o gol da vitória foi a equipe mineira.

O Internacional tentou chegar, mas sofreu um contra-ataque mortal. Gabriel tirou e Cazares acelerou. Luan abriu pela direita e Pratto pela esquerda. O equatoriano, vice-artilheiro estrangeiro da história do Atlético, tocou para Luan, que entrou na área e encontrou o centroavante do Galo. O camisa 9 não perdoava. Com frieza e tranquilidade, Pratto fez o gol da vitória e decidiu o jogo.

Uma assistência e um gol decisivo no jogo da ida. Na volta, no dia 2 de novembro, Pratto marcou o gol de empate e o 2 a 2 no placar decretou a classificação atleticana para a final, onde o argentino não marcou gols, entretanto não teve culpa. A equipe atleticana estava bem desorganizada e a derrota no jogo de ida culminou na demissão de Marcelo Oliveira, mesmo estando entre os jogos da final. 

A atuação de Pratto neste 26 de outubro de 2016 foi uma das melhores do argentino. Outras exibições como o hat-trick sobre o São Paulo e os dois gols contra o Cruzeiro, na semifinal do Mineiro de 2015, são bons exemplos do faro de gol do centroavante.

Vale a pena trazer Pratto de volta?

Essa é uma pergunta que muitos torcedores fazem. Se fosse o Pratto que chegou em 2015, a resposta seria clara para maioria da torcida: ele faria muitos gols em um time treinado por Sampaoli, mas cinco anos depois o atleta não é o mesmo. Por isso há a dúvida.

Lucas Pratto não foi o mesmo depois que saiu do Atlético. No São Paulo não se destacou – mais por culpa da equipe do que do próprio jogador – e no River vive em altos e baixos. Fez gol na decisão da Libertadores 2018, mas acabou entregando uma bola de forma infantil contra o Flamengo na final de 2019.

Além disso, uma seca atormentou Pratto por um ano e quatro meses. Foram 29 jogos sem gol do argentino, que acabou com esta seca em setembro, contra o fraco Binacional, na Libertadores.

Conforme apurado pelo Fala Galo em setembro, o Atlético havia procurado o empresário do atacante antes da janela de transferência fechar, em 10 de agosto. A janela reabriu em 13 de outubro, mas o nome de Pratto sequer foi ventilado. Não seria uma contratação barata, mas será que vale a tentativa de repatriar um atacante que sempre mostrou amor à camisa?

No Galo, Pratto fez 42 gols em 107 jogos. Ele venceu 61 partidas, empatou em 19 oportunidades e saiu derrotado de campo apenas 27 vezes. Ele venceu o Campeonato Mineiro de 2015 e, com certeza, chegaria com muita vontade de ajudar a conquistar o Brasileirão.

Que o Atlético precisa de mudanças na parte ofensiva fica claro a cada jogo, mas as soluções podem estar dentro do elenco. Nesta segunda, 26, o GE.com trouxe a informação que Jorge Sampaoli, diferentemente da torcida, não deseja um centraovante fixo. Ele quer um extremo, um ponta de velocidade. Sampaoli deseja seguir com centroavantes de movimentação, como Sasha, Marrony e Tardelli, quando se recuperar. O Pratto de 2015 seria este atleta, não há contestações.

A dúvida que paira é se o Lucas Pratto de 2020 é uma boa opção, que resolveria o problema, além dos possíveis altos valores. Alexandre Mattos e Sampaoli, certamente, estão garimpando bons nomes para o elenco – não necessariamente um camisa 9 – e em breve o torcedor deve ter novidades. Pratto é opção, mas talvez não seja a melhor. 

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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