25 a 3 nas finalizações. 0 a 0 no placar. Atlético perde muitas chances novamente e empata com o Sport em casa

Foto: Pedro Souza / Atlético

A culpa do mau desempenho desta noite não foi a arbitragem e nem os erros individuais. O problema foi novamente coletivo. O Atlético teve amplo domínio das ações, porém, mais uma vez, desperdiçou muitas chances e viu o Sport sair de Belo Horizonte com um empate satisfatório e justo pelas propostas em campo. 

O Atlético tropeça pela 3ª rodada consecutiva – 2 ª seguida em casa – e apenas empata com o Sport. O placar de 0 a 0 foi decepcionante, visto que o Atlético é o melhor ataque da competição e havia passado em branco em apenas uma partida no Brasileirão – contra o líder Internacional.

Com o empate, o Galo segue na 3ª posição, mas poderá ver Flamengo ou Internacional disparar na liderança. O empate entre os líderes, no confronto deste domingo, seria o melhor resultado para o Atlético, já que a diferença para ambos ficaria em 3 pontos, com um jogo a menos. Porém, uma equipe que faz 5 pontos em 15 disputados não faz por merecer uma distância tão curta. 

O Sport de Jair Ventura chegou com uma proposta clara e conseguiu colocar em prática com muito êxito. Com o empate, o Sport pontua após quatro derrotas seguidas e ultrapassa o Corinthians. A 11ª posição da equipe pernambucana pode ser perdida até o final da rodada, visto que alguns rivais jogam neste domingo.

O jogo, como previsto, foi ataque contra defesa. Luan Polli fez quatro grandes defesas e impediu os gols atleticanos, todavia o Galo – de novo – não mostrou o futebol vistoso que foi apresentado em algumas partidas em casa. 

É evidente que o nível de atuação caiu bastante. Jorge Sampaoli, com certeza, está buscando a razão para este mau momento. O time se mostrou nervoso, pressionado e ansioso para resolver a jogada. Alguns passes, finalizações e decisões foram equivocadas e o Galo tropeçou. 

A criação foi o problema da partida. Foram muitas finalizações, mas poucas chances claras. Em raras jogadas, algum atleta infiltrou e se aproximou do companheiro, características marcantes da filosofia de Sampaoli. Réver, destaque da partida contra o Bahia, foi muito mal na partida deste sábado, contra o Sport, e prejudicou a saída de bola. 

Todavia, é necessário repetir: os problemas atleticanos foram coletivos e não individuais. Nove dias separam a partida desta noite até o jogo contra o Palmeiras, no dia 2 de novembro. Tempo suficiente para Sampaoli “arrumar a casa”.  

O jogo

Pela terceira vez no comando do Atlético, Jorge Sampaoli colocou em campo a mesma escalação. Porém, logo nos primeiros minutos da partida, foi possível ver uma mudança tática do argentino. O treinador colocou Keno na ponta direita e Guilherme Arana como extremo pela lado esquerdo. Pelo meio, um pouco para a esquerda, função que Arana exerceu nas últimas partidas, Sampaoli colocou Savarino.

Mesmo com 75% de posse de bola, 14 finalizações e atuando contra um Sport inofensivo, que não finalizou no 1º tempo, o Galo não emplacou. A mudança tática não foi responsável pelo mau futebol da primeira etapa. Os jogadores estavam nervosos e, principalmente nos 35 minutos iniciais, não conseguiram criar grandes chances. Guga e Keno erraram muitos passes. Nathan e Sasha pouco participaram.

Como dito anteriormente, o Galo dominou, todavia teve praticamente 40 minutos sem assustar o Sport. A primeira grande chance aconteceu aos 41. Arana encontrou Savarino no meio. O venezuelano trouxe para o centro, finalizou firme com a perna direita e obrigou Luan Polli a fazer grande defesa. O goleiro espalmou e a bola ainda bateu na trave.

Logo no lance seguinte, Alan Franco ajeitou de cabeça para Keno. O ponta, que inverteu durante todo o jogo, mas neste momento estava pela direita, viu a infiltração de Jair e lançou. O volante, ex-jogador do Sport, chutou forte, no entanto Luan Polli defendeu mais uma vez. 

Keno ainda teve uma excelente chance no minuto final do 1º tempo. O artilheiro do Atlético na temporada roubou a bola na saída de jogo do Sport e entrou na área. Ele bateu e o goleiro do Sport espalmou mal. A bola voltou em cima de Keno, que tentou finalizar de primeira e errou a direção. 

Sampaoli não mexeu no intervalo: nem nas peças e nem na disposição tática. A postura atleticana que melhorou levemente no início da 2ª etapa. Logo aos 4 minutos foi possível ver uma boa trama, porém Keno estava impedido e Savarino não alcançou a bola. 

No minuto 12, uma sequência de bons lances, que mostraram o talento e a sorte de Luan Polli, goleiro da equipe pernambucana. Após bola rebatida, Arana cruzou na área, Sasha deixou passar e Alan Franco chegou de carrinho na bola. Polli pegou com as pernas e evitou o gol atleticano. No rebote, Keno finalizou e o goleiro do Sport fez outra grande defesa.

No lance seguinte, Guga cruzou, Nathan cabeceou e Sasha completou, também de cabeça. A bola acertou o travessão e deixou os atleticanos ainda mais apreensivos.

O treinador do Galo promoveu a estreia de Matías Zaracho, aos 20 da 2ª parte. Marrony também entrou, mas o nervosismo da equipe alvinegra ficava ainda mais evidente. Aos 24, Keno tocou para o estreante da noite, que chegava na entrada da área. Zaracho chapou no canto e Luan Polli fez boa defesa.

O Atlético até balançou as redes, mas o lance foi corretamente invalidado. Guga cruzou, Nathan dominou com a mão e bateu. Marrony empurrou para o gol, no entanto o árbitro anulou o gol sem precisa do auxílio do VAR. 

A pressão e, consequentemente, o nervosismo aumentaram. No final da 2ª etapa, o Galo deu mais espaços para o fraco time do Sport, que finalizou apenas três vezes, todas para fora. Sampaoli não fez mais substituições, utilizando apenas dois suplentes, e evidenciou a falta de confiança no banco de reservas. Contratações devem chegar. 

Fim de jogo e um empate decepcionante. O projeto atleticano é a longo prazo, entretanto Sampaoli e os próprios jogadores, certamente, se cobram por atuações convincentes neste Brasileirão, além de uma classificação direta para a Libertadores. Tempo para evoluir existe. Basta treinar bastante e absorver a ideia de Jorge Sampaoli.

O elenco é bom e pode apresentar – e já apresentou neste Brasileirão – futebol melhor que o visto nas últimas cinco partidas. Vários jogadores, como Nathan, Franco, Sasha, entre outros, estão devendo. O Galo pode e deve atuar melhor nos próximos jogos. 

O Atlético não jogará na próxima semana e só voltará a campo na outra segunda-feira, 2, no feriado de Finados, às 17 horas, contra o Palmeiras, em São Paulo. 

Números da partida
Atlético x Fluminense
76% Posse de bola 24%
25Finalizações 3
9 Finalizações no gol 0
2 Finalizações na trave 0
13 Escanteios 4
2 Impedimentos 1
10 Faltas 11
3 Grandes oportunidades 0
3 Grandes oportunidades perdidas 0
696 Passes 226
615(88%) Passes certos 126(56%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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