A equipe que tem um “matador”, matou! Atlético desperdiça chances, vê o Bahia de Gilberto virar a partida e perde a liderança

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

Um camisa 9 resolve jogos. A maior carência do elenco atleticano é a referência, um centroavante que empurre para as redes. E na partida desta segunda, frente o Bahia, o atleticano viu que um atacante pode transformar um jogo completamente perdido em um belo e justo triunfo.

O Atlético até saiu ganhando, mas sofreu a virada na 2ª etapa e perdeu mais uma fora de casa. O Bahia venceu o Galo por 3 a 1 na noite desta segunda, 19, no Estádio de Pituaçu – os gols foram marcados por Savarino, Daniel e Gilberto, duas vezes. 

A derrota desta noite marcou a 5ª derrota do Galo fora de casa, em 8 jogos disputados. Estes tropeços estão distanciando o time mineiro da liderança. O Atlético está em 3º, com 31 pontos, três atrás de Flamengo e Internacional, mas com um jogo a menos.

Já o Bahia chegou na 12ª posição e abriu três pontos para o Z-4, além de ganhar muita moral, já que venceu, com autoridade no 2º tempo, a equipe de Jorge Sampaoli e um dos grandes favoritos ao título.

Mais uma vez o Galo jogou apenas um tempo. Uma 1ª parte de um incrível domínio do Galo e 45 minutos finais sem intensidade e vontade, principais características da equipe de Jorge Sampaoli. O técnico, que deve estar bastante nervoso pela derrota, terá a semana à disposição para treinar a equipe e entregar uma postura diferente da apresentada hoje.

O ponto mais claro da partida é a importância de um centroavante. O Bahia entrou sem uma referência na 1ª etapa e não conseguiu jogar. No intervalo, Gilberto entrou e mostrou para a torcida atleticana como é preponderante para um resultado ter um centroavante. Em três finalizações, Gilberto fez dois gols e foi o grande responsável pela virada da equipe baiana. O Galo, por não ter um matador, não conseguiu aproveitar as chances e “pagou o pato”.

Keno e Savarino tiveram boas oportunidades, mas desperdiçaram. Sasha e Nathan, até mesmo pelo esquema adversário, não conseguiram jogar. Jair e Réver foram os pontos positivos da equipe. O volante ganhou nove duelos na partida e o zagueiro fez falta no 2º tempo, pois estava fazendo muito bem a saída de bola.

O jogo

Um 1º tempo de uma equipe só. O Galo teve amplo domínio e não deixou o Bahia jogar. A equipe de Sampaoli encontrou uma formação bem fechada de Mano Menezes – que não estava em campo, já que foi expulso contra o Goiás e cumpriu suspensão – que contava com cinco ou seis atletas na linha defensiva, deixando apenas os extremos do Galo com liberdade. 

Com Keno e Savarino abertos e Réver e Alonso organizando já no campo de ataque, o Atlético foi criando e encontrando espaços. Foram 11 finalizações contra apenas duas da equipe baiana – ambas sem assustar Éverson.

No minuto 15, Keno recebeu inversão de Réver e fez a sua jogada característica. Trouxe para o meio, driblou e chutou de fora da área. A bola passou “tirando tinta” da trave de Douglas.

Aos 19 minutos, Réver encontrou Savarino no meio da área. O capitão – que deixou o campo no intervalo – chegou na intermediária, como um meia, e lançou o ponta venezuelano. Ao dominar, Savarino tentou bater e foi travado por Juninho.

No escanteio seguinte, a bola foi rebatida e sobrou para Nathan, na esquerda. Ele tocou para Alonso, que cruzou. Jair ajeitou para o meio de cabeça e Réver, com muita inteligência, fez o pivô para Savarino. O camisa 70 chutou forte de esquerda no canto do goleiro Douglas Friedrich, que não conseguiu fazer nada. Gol atleticano. 1 a 0 para o Galo. 

Um lance polêmico marcou o minuto 33. Keno trouxe para o meio, tentou driblar o zagueiro Lucas Fonseca e houve um contato . O ponta atleticano buscou este contato e o defensor do Bahia fez o movimento de obstrução. Um lance interpretativo e que levanta diversas opiniões. Anderson Daronco mandou o jogo seguir. 

O segundo tempo começou com uma diminuída de ritmo do Atlético e o Bahia buscando mais o jogo, ainda mais com a entrada do centroavante Gilberto.

Os dois pontas atleticanos eram os únicos que encontravam espaços, por causa da tática do Bahia. Aos 14, Savarino cruzou e Keno chegou livre na área. O artilheiro da equipe na temporada finalizou com a coxa e a bola foi para fora. Quatro minutos depois, Nathan encontrou Savarino, que dominou e, livre, errou a direção do chute. No lance seguinte, Keno fez uma boa jogada individual, penetrou a área e, mais uma vez, bateu torto.

Enquanto o Galo perdia chances, o Bahia se recuperava. E nisso, o Tricolor de Aço empatou a partida. Em lançamento, Elias foi derrubado por Júnior Alonso. Na cobrança, aos 23, Gilberto chutou forte no meio do gol e Éverson espalmou para o meio. Gregore aproveitou o rebote e encontrou Daniel. O meio-campista, em posição legal, bateu no canto e deixou o marcador em 1 a 1.

Até então dominante, o Galo sofreu um gol inesperado e depois disso, viu o Bahia ter uma grande chance. No minuto 27, Gilberto puxou um contra-ataque e cruzou rasteiro para Marco Antônio. Ele chegou batendo e Éverson fez grande defesa, salvando o Atlético – e recompensando pelo erro no gol de empate.

E só o Bahia jogava. Sampaoli demorou para substituir e o Atlético não estava jogando. E a virada no 2º tempo era questão de minutos. E aconteceu, em um erro bisonho de Guga.

O lateral-direito atleticano foi recuar para Éverson, aos 34, e deu no pé de Gilberto, centroavante que estava atento e acelerou. Ele driblou Éverson no meio-campo e com muita frieza tirou de Rabello, que tentou salvar com um carrinho. O camisa 9 da equipe baiana, com muita esperteza, empurrou para as redes. 

O Galo não apresentava mais padrão e o nervosismo bateu. Savarino até cruzou, em uma batida de falta aos 40, e Alonso concluiu. Douglas fez grande defesa, evitando o gol de empate do Atlético. 

E quem balançou as redes foi o Bahia, pela 3ª vez. Daniel, autor do 1º gol, lançou Gilberto, autor do 2º, que pegou a zaga atleticana aberta e bateu na saída de Éverson. O atacante do Bahia estava em posição legal graças a posição de Igor Rabello. 3 a 1 no marcador do Pituaçu.

A 5ª derrota. O 5º revés fora de casa. É evidente que deve haver uma recuperação no aproveitamento longe de Minas Gerais. E outro ponto claro é a necessidade de novas contratações. Sampaoli deixou de fazer duas substituições e aparenta não confiar tanto nos suplentes. O camisa 9 seria uma boa opção para a partida desta segunda, mas o elenco ainda tem essa peça. 

Vale ressaltar que não é terra arrasada – o projeto com Sampaoli e estes jogadores deve ser longo e entregará resultado – porém a derrota frente o Bahia deixa marcas importantes para serem corrigidas. A falta de intensidade, o baixo aproveitamento de finalizações e os erros individuais da segunda parte urgem por ajustes.

O Atlético volta a campo no próximo sábado, 24, às 21 horas, contra o Sport, no Mineirão.

Números da partida
Bahia x Atlético-MG
33% Posse de bola 67%
13 Finalizações 20
6 Finalizações no gol 4
2 Escanteios 8
1 Impedimentos 1
14 Faltas 14
5 Grandes chances 1
2 Grandes chances perdidas 1
294 Passes 533
219(74%) Passes certos 482(87%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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