4 a 1, provocação e classificação na Copa do Brasil: 4 dias antes do reencontro, o duelo marcante entre Atlético e Mano completa 6 anos

Dudu Macedo/Fotoarena

Na próxima segunda, 19, o Atlético enfrenta o Bahia pela 17ª rodada do Brasileirão 2020. O jogo marcará o reencontro de Mano Menezes e Atlético, rivais em diversos jogos na última década.

Coincidentemente, nesta quinta, 15, o mais marcante confronto entre o treinador gaúcho e a equipe mineira completa 6 anos. 15/10/2014. Uma virada histórica atleticana, que colocou o Galo como grande favorito ao título da Copa do Brasil 2014, que iria conquistar sobre o Cruzeiro no mês seguinte. 

Os atuais campeões da Libertadores haviam perdido Ronaldinho Gaúcho, mas não sentiram falta do gênio. A equipe treinada por Levir Culpi estava muito bem e com a famosa “sorte de campeão”. E isto foi visto no dia 15 de outubro daquele ano. 

Mano Menezes

Um treinador que é, definitivamente, um rival. Multicampeão pelo Cruzeiro e com várias provocações em relação ao Atlético, Mano Menezes é um dos grandes algozes dos atleticanos. A rivalidade é clara e muito influenciado pelo ocorrido duas semanas antes da virada, no dia 1º de outubro de 2014. 

Era a 1ª partida das quartas de finais da Copa do Brasil 2014: Corinthians contra Atlético na Arena Corinthians, atual Neo Quimíca Arena. Guerrero aos 24 da 1ª etapa abriu o placar. Luciano, que está no São Paulo atualmente, aproveitou falha do ídolo Victor e ampliou para o Corinthians. 2 a 0 no placar.

Após o 2º gol, Mano Menezes comemorou de uma forma única e inusitada. O treinador deixou sua alegria transparecer e se esqueceu que havia jogo de volta. A celebração efusiva demonstrava confiança na classificação. A “dancinha” ficou marcada pelos torcedores e, principalmente, pelos jogadores, que se vingaram com uma bela virada e ironizaram a provocação. 

A repercussão sobre a provocação de Mano e a resposta atleticana no Alterosa Esporte, no dia seguinte da classificação.

Diego Tardelli

Um ídolo não fica marcado apenas por gols. Diego Tardelli, atual jogador do Atlético e, infelizmente, lesionado desde julho deste ano, mostrou isso na partida do dia 15 de outubro de 2014. O camisa 9 atleticano era o único remanescente do incrível quarteto vencedor da Libertadores em 2013 – Jô estava no time, mas participou apenas das oitavas da Copa do Brasil.

Ele estava vivendo uma das melhores fases da sua carreira e foi convocado por Dunga para defender a Seleção Brasileira em dois jogos em outubro. Diego Tardelli atuou nos dias 11 – data que ele marcou dois gols contra a Argentina – e 14. Nas duas partidas, Diego foi titular da Seleção e, logo após o jogo com o Japão, ele viajou por 30 horas. Chegou em Belo Horizonte na noite do dia 15 e foi diretamente para o estádio. 

Ele entrou, não marcou gol, mas mostrou o amor pela camisa alvinegra. A data FIFA até tentou o sabotar, mas “Don” Diego esforçou e participou desta partida histórica. 

Monstro', Tardelli joga após viagem de 25 horas com a seleção brasileira -  16/10/2014 - Esporte - Folha de S.Paulo
Após 30 horas de viagem, desde Cingapura até o Brasil, Tardelli atuou por 73 minutos. Foto: Bruno Cantini/Divulgação/Clube Atlético Mineiro

“Ô meu Deus do céu! Por que que tem que ser tão sofrido?”

Esta frase foi retirada da narração emblemática de Mário Henrique Caixa, locutor da Rádio Itatiaia. Ao narrar o 4° gol, feito por Edcarlos, o narrador representou bem o sentimento do torcedor: todos estavam incrédulos pela forma que o Galo havia classificado. 

O contexto da partida justifica esta narração. Após perder para o Corinthians, em São Paulo, por 2 a 0, o Galo precisava vencer por 2 a 0, mas se sofresse gol teria que derrotar o Timão por 3 gols de diferença. 

A escalação inicial de Levir Culpi contou com Victor; Marcos Rocha, Edcarlos, Jemerson, Douglas Santos; Leandro Donizete, Dátolo, Luan, Guilherme; Diego Tardelli, Carlos.

Logo no minuto 4, Guerrero aproveitou falha de Jemerson e fez o gol corinthiano. Os mais de 30 mil atleticanos presentes não acreditavam que o Galo já tinha sofrido o gol. Era necessário se recuperar rapidamente. E recuperou. 

Guilherme, nome da partida, dominou o meio-campo e comandou a incrível virada atleticana. Aos 24, o camisa 17 do Atlético cruzou a bola na direção do gol. Luan, o menino maluquinho, raspou na bola de cabeça e fez o 1° gol do alvinegro mineiro.

Logo em seguida, no minuto 34, Marcos Rocha tocou para Dátolo. O argentino escorou para Guilherme que chutou de fora da área. A bola desviou no defensor corinthiano e “matou” Cássio. Era a virada atleticana. Faltavam dois gols.

A empolgação era grande pela classificação da equipe de Levir Culpi. O time havia passado por cima do Palmeiras nas oitavas e desejava o título inédito. Ao mesmo tempo que a torcida tentava empurrar o time, o nervosismo ia batendo, já que o gol não saía. 

A bola na trave de Carlos, aos 15 da 2ª etapa, puxou ainda mais forte o mantra do “Eu acredito”. E impulsionado desta forma, o Galo foi com tudo. Douglas Santos, lateral esquerdo, cruzou e encontrou Carlos. O camisa 13 ajeitou e Guilherme chapou bonito no canto esquerdo de Cássio. O placar do Mineirão marcava 3 a 1 para o Atlético aos 29 minutos.

“Se não for sofrido, não é Atlético Mineiro”. Uma frase usada pelos fãs e fez todo o sentido neste dia 15 de outubro. Entre os minutos 30 e 40, o Atlético pressionou e esteve próximo do gol. Seria muito decepcionante fazer três gols desta forma e ser eliminado. Mas não foi. Era o ano do Atlético. 

Aos 41, Douglas Santos bateu o escanteio, Guerrero tentou tirar e a bola bateu no rosto de Edcarlos. Inexplicavelmente a bola foi em direção do gol, um lance indefensável para Cássio. O zagueiro, que era reserva do Galo e estava substituindo o lesionado Leonardo Silva, marcou e foi vibrar com a torcida. Um lance inesquecível. O 4º gol. O gol da vitória. Um gol histórico. 

O Galo quase fez o 5º nos acréscimos após Cássio ir para a área em um escanteio. Marcos Rocha aproveitou o rebote do tiro de canto e chutou do meio do campo. Fagner estava “substituindo” o goleiro e tirou com a cabeça um possível gol antológico do lateral atleticano.

O placar estava decidido. 4 a 1 para o Galo e a provocação de Mano Menezes foi devolvida. O treinador aprendeu a respeitar o time do impossível. A “dancinha” dele no final do 1º jogo foi reproduzida pelos atleticanos que ironizaram com muito deboche e esperteza.

Não duvide do Galo. O time da virada. Mano aprendeu. O Corinthians aprendeu. E o Brasil, após aquela Copa do Brasil, entendeu que o impossível não existe para o Atlético. 

Os gols da incrível partida, na voz de Mário Henrique Caixa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.