Olhar tático | Como explicar a linha defensiva com 6 atletas do Cruzeiro, contra o Oeste?

Fonte: YouTube do GE

Por Pedro Bueno

Respondendo francamente a pergunta feita na manchete: é muito complicado enxergar uma razão e ver um porquê de ter tantos jogadores aguardando um adversário tão inofensivo. Uma atuação deprimente que protagonizou um lance inusitado.

Vários times ao redor do mundo utilizam linha defensiva de três, quatro ou até cinco jogadores. Boa parte destas equipes conseguem expor o porquê da utilização.

Às vezes, os times utilizam 5 atletas na linha defensiva por enfrentar um ataque bem povoado. Contra pontas de velocidade e bons meio-campistas que penetrem a área, próximo à referência, faz sentido ter cinco marcadores, a fim de não deixar o adversário ter superioridade numérica no ataque.

A linha defensiva com quatro atletas é a mais tradicional, pois conta com dois laterais e dois zagueiros. O estilo com três zagueiros é usado, mas em muitas vezes, na parte defensiva, a formação se torna uma linha com cinco homens.

São possíveis variações para a defesa de qualquer equipe. Porém o Cruzeiro de Ney Franco superou todas as expectativas de organização defensiva. Uma linha com seis jogadores, sendo dois zagueiros, dois laterais e dois pontas (!!!) foi vista aos 22 minutos da 2ª etapa contra o Oeste, no último domingo. A imagem repercutiu muito nas redes sociais, com todos os apaixonados por futebol tentando compreender o intuito.

Atualização: alguns comentários disseram que a imagem do tweet acima e que era, anteriormente, a capa da matéria, contava o atleta do Oeste como um dos jogadores. A imagem é confusa, até pela qualidade, mas a linha de 6 homens foi vista em vários momentos durante a partida e pode ser vista na nova capa da matéria .

A linha de 6

Como dito anteriormente, é até complicado tentar explicar. A forma como o Cruzeiro esteve em campo contra o modesto time do Oeste foi vergonhosa e acarretou a demissão de Ney Franco. O treinador ainda não teve seu substituto confirmado pela Raposa, mas deve haver um acordo em breve com algum treinador, visto que o 19º na Série B necessita de mudanças.

A postura defensiva é um dos principais pontos que devem sofrer alterações. O Cruzeiro não sofreu gols contra o Oeste – muito pelo milagre de Fábio, já nos acréscimos – mas chamou a atenção de todos pela sua postura.

A Raposa não teve agressividade durante toda a partida e deixou o Oeste rodar a bola com tranquilidade. É necessário respeitar a equipe do interior paulista, mas uma instituição enorme como o Cruzeiro não pode ficar esperando um time que venceu apenas 4 jogos em 2020 e somava 6 pontos em 42 disputados na Série B.

Por causa da pressão mal exercida pelo Cruzeiro, o Oeste conseguiu tocar bastante a bola e controlar a partida contra um gigante do futebol brasileiro. O lanterna do campeonato teve 58% de posse de bola e trocou 583 passes, 180 a mais que o Cruzeiro.

A forma com que a defesa e toda a marcação estava estabelecida refletiu nestes números. A atuação foi bisonha e a forma com que Ney Franco distribuiu as suas peças contra o inofensivo Oeste foi ainda pior.

De baixo para cima: Airton, Rafael Luiz, Manoel, Ramon, Daniel Guedes – que saiu da linha para dar um bote – e Arthur Caíke. Fonte: YouTube do GE

Neste momento, aos 25 da 2ª parte, o Cruzeiro tinha uma linha de 6 postada, 3 no meio-campo e Sassá mais adiantado, ou seja, a equipe de Belo Horizonte estava taticamente em um 6-3-1. É, simplesmente, vergonhoso.

O ataque do Oeste não tinha qualidade suficiente para agredir. O Cruzeiro poderia dominar a partida com facilidade e impor o ritmo. Mas, como é possível ver na imagem, com Airton e Arthur Caíke como alas na linha defensiva, Daniel Guedes e Rafael Luiz mais internos na marcação e os dois zagueiros mais centralizados, o Cruzeiro não tinha possibilidades de puxar um contra-ataque.

O meio-campo, neste momento, contava com Machado, Maurício e Jadson. Nenhum destes 9 jogadores estavam focados em pressionar e tentar roubar a bola. Eles esperavam o Oeste para sair em um contra-ataque, mas não conseguiam por estar distantes demais do gol adversário, pois estavam marcando, e por falta de organização ofensiva também.

A postura reativa foi vergonhosa para o Cruzeiro, que não amarga a 19ª posição da Série B por acaso. Uma equipe que marca com uma linha de 6 e que tenta pressionar sem encaixes não conseguirá ofender ninguém. Um time desorganizado na defesa e no ataque.

A compactação defensiva do Cruzeiro

Outra imagem que repercutiu muito nas redes sociais foi da formação ( ou melhor, bagunça) defensiva do Cruzeiro no gol sofrido frente o Sampaio Corrêa, na última quinta, 08. Roney recebeu de Luis Gustavo e, com muita liberdade, bateu no canto esquerdo de Fábio. Por que ele estava tão livre?

Seis jogadores da defesa do Cruzeiro juntos e três atletas do Sampaio Corrêa desmarcados. Resultado: gol do time maranhense. Fonte: YouTube do GE

Como é visto acima, a defesa cruzeirense estava com seis marcadores – os quatro defensores e os dois volantes – no mesmo setor do campo. Uma linha defensiva compactada é uma estratégia utilizável no futebol, porém, desta forma, é uma desorganização total.

Os jogadores, aparentemente, estavam se marcando e deixaram os lados abertos. Roney foi lançado, mas Luis Gustavo poderia ter tocado para o outro lado, onde havia dois jogadores do Sampaio Corrêa desmarcados.

Culpar apenas o treinador nestas situações é errado. O técnico dá as instruções, no entanto dentro de campo os jogadores devem colaborar. Líderes, como Henrique e Manoel, deveriam ter instruídos os seus companheiros para desobstruir aquela região do campo e ir marcar outros.

Às vezes, concluo que os atletas estão desligados em campo, porque não prestam atenção no que estão fazendo. Às vezes, concluo que falta empenho e inteligência tática. Mas tenho a certeza que deve haver muitos treinamentos nos próximos dias, com o propósito de melhorar esta equipe.

A primeira mudança já foi feita. Ney Franco foi demitido, já que não houve retorno em campo. Mas vale ressaltar que ele não era o único culpado. Da forma que os atletas estão jogando, a disputa do Cruzeiro será para sobreviver na Série B.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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