Cruzeiro empata com o Oeste e Ney Franco é demitido, após uma partida horrorosa entre os dois lanternas da Série B

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Os jogadores devem pedir desculpas aos torcedores. Domingo à tarde é, tradicionalmente, um momento para os fãs apreciarem o futebol. Todavia, neste 11 de outubro, os cruzeirenses não tiveram esta felicidade. Foram premiados por mais uma exibição desastrosa do Cruzeiro, que não conseguiu ser agressivo contra o pior time da Série B e rebaixado no Paulistão. 

O empate sem gols representa bem como foi o jogo. 0 a 0 no placar. 0 a 0 na criatividade. 0 a 0 na vontade. Para o Oeste, time modesto do interior paulista, o resultado foi até melhor, visto que colocou fim na sequência de 5 jogos seguidos sem pontuar. É, foi deste adversário que o Cruzeiro esteve mais perto de perder do que de ganhar nesta tarde de domingo. 

Com o resultado, os times ficaram juntos na tabela, mesmo separados por 5 pontos. O Cruzeiro é o 19º, com 12 pontos e com os mesmos 12 pontos de distância para o G-4. Já o Oeste está na lanterna, com 7 pontos, 7 atrás de sair do Z-4. Sampaio Corrêa e Botafogo-SP se enfrentam ainda neste domingo e, dependendo do resultado, a Raposa pode ficar até 3 pontos atrás do 1º time fora da zona de rebaixamento. 

Sobre a atuação, a análise poderia resumir a uma palavra: vexame. E, infelizmente para os torcedores, não foi o primeiro e parece fazer parte do “novo normal” do Cruzeiro. O time não tem padrão, não pensa, não ousa e, principalmente, não evolui. Desde o 1º tropeço na Série B, contra a Chapecoense, a Raposa aparenta ser a mesma: desmotivada, sem ambição e sem qualidade.

Do jeito que está, a briga vai ser para não cair para a Série C. A zona de rebaixamento já é realidade e a diretoria parece não estar muito preocupada. Prometeram tanto, falaram diversas vezes em reconstrução e o que é possível ver é um Cruzeiro sendo ainda mais destruído. 

O desempenho foi tão fraco que não é possível destacar um jogador. Ninguém conseguiu fazer algo diferente e o placar vergonhoso mostra bem isso. Fábio até salvou nos acréscimos, o que poderia se tornar em uma tragédia ainda maior. Ney Franco escalou mal, mexeu mal e, definitivamente, o treinador não conseguiu fazer com que o Cruzeiro entrasse em campo de verdade. 

A demissão

Minutos após o término da partida, o Cruzeiro anunciou a demissão de Ney Franco. Como citado anteriormente, a equipe não mostrava evolução sob comando do treinador, além das substituições confusas.

O treinador treinou a equipe por 7 jogos no intervalo de um mês, já que a sua estreia aconteceu no dia 11/09 e a sua demissão no dia 11/10. Ney Franco venceu 2 partidas, empatou uma – o terrível empate com o Oeste deste domingo – e perdeu 5 vezes, deixando a equipe na 19ª posição.

O jogo

O primeiro tempo foi muito ruim. Mas quem dominou as ações e teve a melhor chance foi o Oeste. O Cruzeiro não conseguiu criar e tentou muita bola longa, já que a formação com três volantes não estava funcionando e os jogadores estavam distantes. 

Aos 11, Arthur Caíke recebeu um cruzamento, mas cabeceou mal, para fora. Dois minutos depois, Daniel Guedes, que atuou pela ala esquerda, fez boa jogada individual, trouxe para o meio e bateu forte. A bola subiu mais do que o desejado e não assustou o goleiro Luiz. 

O Oeste teve 57% de posse e conseguiu controlar as ações na 1ª etapa, por causa da pressão mal exercida pela marcação cruzeirense. Mazinho, aos 25, tentou encobrir Fábio, porém errou a direção.

A melhor chance do jogo aconteceu em uma falha feia da defesa cruzeirense. O lado direito defensivo não voltou e Éder Sciola, lateral direito, viu Mazinho livre no outro lado. O camisa 10 foi lançado, entrou na área livre e chutou cruzado. A bola passou perto da trave. 

Após este susto, o Cruzeiro ainda teve uma chance. Airton sofreu uma falta dura, cometida por Matheus Dantas, zagueiro do Oeste. Na cobrança, Machado bateu bem e obrigou Luiz a fazer uma boa defesa, na única finalização no alvo da 1ª etapa.

Mesmo em uma atuação muito ruim no 1º tempo, Ney Franco optou por manter os mesmos jogadores para a 2ª parte. No início, a Raposa apresentou uma mudança na postura. A marcação incomodou mais, a pressão funcionou e impediu a facilidade do Oeste para trocar passes.

Esta mudança de comportamento durou, principalmente, nos 15 minutos iniciais. Mas depois os problemas do Cruzeiro ficaram evidentes, faltava criatividade e a Raposa, desta forma, não conseguia criar nenhuma boa jogada. 

A chance que mais assustou foi com Jadson. Aos 13, o volante, que foi devolvido pelo Bahia, aproveitou erro da zaga do Oeste e, dentro da área, arriscou. O chute passou à direita da meta da equipe paulista.

O restante da 2ª etapa foi de puro nervosismo cruzeirense e nenhuma chance. O Oeste se mostrava tranquilo quanto ao empate – e com justiça, pois a diferença entre os investimentos é muito grande.

Já nos acréscimos, o Oeste teve a grande oportunidade. Fabrício Oya cruzou, Madson desviou na 1ª trave e Éder Sciola quase raspou na bola. Fábio fez grande defesa e salvou a equipe mineira do vexame de perder para a pior equipe da Série B. 

Fim de jogo. 0 a 0 no placar e as duas melhores oportunidades foram do Oeste, número que elucida bem a desastrosa atuação do Cruzeiro.

O cruzeirense não merece este nível de exibição. O torcedor fiel ao manto azul celeste merece um pedido de desculpas pelo momento. Não dá mais para uma instituição como o Cruzeiro seguir nesta situação. Mudanças são necessárias com urgência. A demissão de Ney Franco foi a primeira, porém não pode ser a única.

O Cruzeiro volta a campo na próxima sexta-feira, às 21:30, contra o Juventude, no Mineirão.

Números da partida
Oeste x Cruzeiro

58% Posse de bola 42%
10 Finalizações 14
2 Finalizações no gol 2
2 Escanteios 3
2 Impedimentos 0
16 Faltas 19
583 Passes 404
517(88%) Passes certos 343(85%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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