Há exatos 8 anos, contra o Figueirense, Ronaldinho protagonizava a sua melhor atuação individual pelo Galo

Fonte: ESPN

“Mágica do futebol, eu vi poesia no pé de um bruxo; rabisca com a sua caneta, escreve na história Ronaldo Gaúcho”. Verso escrito pelo rapper Thiago Skp, filho do lendário Eduardo Maluf, na música “Contra o Vento”, rap lançado em homenagem ao Atlético em 2019. Este verso expõe um dos maiores privilégios do atleticano: ver Ronaldinho Gaúcho em alto nível.

04/06/2012 é a data que o “bruxo” chegou ao Atlético. 24/07/2013 é o dia da maior glória da história do Galo – a Libertadores – que teve Ronaldo como protagonista. A data 23/07/2014 marcou a despedida do atleta com a camisa alvinegra, após vencer o Lanús e levantar a taça da Recopa.

Mas o dia 06/10, como hoje, tem um significado muito especial para a sua passagem por Belo Horizonte. Era ano de 2012, Ronaldinho havia chegado há 4 meses e já conquistara a torcida atleticana. O camisa 49 comemorava de forma única os seus gols com o camisa 32, seu amigo Jô. Esta amizade iria liderar o Atlético na conquista da América no ano seguinte, 

O torcedor estava empolgado. O Independência ficava cheio em todos os jogos. Vale ressaltar que Ronaldinho nunca perdeu no Horto, mostrando como o Atlético, com ele, dava show em casa. E esta atuação, há exatos 8 anos, foi o melhor desempenho individual do craque com a camisa alvinegra. 

O jogo

Era a 28ª rodada do Brasileirão Série A. O Fluminense já havia se desgarrado e tinha aberto 6 pontos em relação ao vice-líder Atlético. O Galo estava em uma sequência de 4 jogos sem vencer e a torcida implorava pela recuperação de um time indiscutivelmente muito qualificado.

O Atlético, treinado por Cuca, entrou em campo contra o Figueirense com Victor; Marcos Rocha (Carlos César), Réver (Richarlyson), Rafael Marques, Júnior César; Fillipe Soutto, Serginho (Danilinho); Guilherme, Ronaldinho, Bernard; Jô. O time catarinense contava com Wilson, goleiro que teve uma rápida passagem no Atlético em 2019.

E foi uma partida para Wilson esquecer. Liderado por Ronaldinho Gaúcho, o Atlético passou por cima do Figueira – 6 a 0 no placar – e ficou marcado como a maior atuação individual do gênio com a camisa do Galo. 

Os gols da goleada atleticana. O show de Ronaldinho Gaúcho na voz do outro gênio, Mário Henrique Caixa.

Logo no início da partida, o Atlético deixou claro que iria atacar o tempo todo. Com os desfalques de Pierre e Leandro Donizete, Cuca optou por uma dupla de volantes mais ofensiva e pressionou a equipe catarinense.

Aos 12 minutos, Ronaldinho bateu escanteio curto (sim, escanteio curto funciona) e encontrou Bernard. A cria da base atleticana devolveu para o R49. O atleta viu Wilson adiantado e, ao invés de cruzar, optou por chutar, encobrindo Wilson e marcando um belíssimo gol.

A comemoração foi ainda mais marcante. Ronaldo se ajoelhou e chorou bastante. Seu padrasto havia falecido e sua mãe estava muito doente. No mês anterior, Dona Miguelina tinha sido homenageada pela torcida atleticana e, felizmente, conseguiu passar por esta situação ruim.

As lágrimas indicavam a emoção do atleta, que enfrentava problemas pessoais. Ao mesmo tempo que evidenciava a vontade de Ronaldinho em jogar pelo Galo, já que ele teria motivos para se ausentar, mas estava em campo. E estava inspirado. Sorte dos torcedores que reverenciaram o “bruxo” na noite daquele sábado, 6 de outubro de 2012.

11 minutos depois, o Galo teve uma falta na intermediária. Ronaldinho viu Réver desmarcado e colocou a bola com perfeição na 2ª trave. O “Capitão América” testou firme e vibrou bastante. O cruzamento de Ronaldinho foi algo genial, como de costume.

Aos 31, Ronaldinho seguiu dando show. O camisa 49 ajeitou a bola para bater uma falta frontal ao gol de Wilson. A distância para o gol era de pouco mais de 18 metros, ou seja, a cobrança deveria ser com mais jeito do que força. E, neste quesito, Ronaldinho era especialista.

O craque colocou a bola por debaixo da barreira do Figueirense e fez um belíssimo gol, digno de um gênio. Era 3 a 0 para o Atlético em 31 minutos de jogo.

No entanto, o ímpeto atleticano não acabou mesmo com o placar definido e com um jogador a mais. No minuto 17, da 2ª etapa, Ronaldinho concretizou o seu hat-trick, com uma bela batida de pênalti. Wilson até acertou o canto, no seu lado direito, mas a bola do R49 foi indefensável.

O show continuou. Endiabrado, o Gaúcho puxou um contra-ataque, aos 23, e olhou para Jô, que estava passando pela direita. Ele olhou e tocou, todavia ele tocou para Bernard, que estava na esquerda. O famoso passe de Ronaldinho – olha para um lado e toca para o outro – resultou em uma assistência para Bernard, que fez o 5º gol atleticano. 

O placar de 6 a 0 foi completado por um golaço de Carlos César, lateral direito que havia entrado na 2ª etapa. Ele chapelou o defensor do Figueirense e bateu com a perna esquerda, no único gol da partida que não teve a participação de Ronaldinho.

Um gênio em uma atuação irretocável. 3 gols e 2 assistências no dia 06/10/2012. Uma noite mágica que significou muito para Ronaldinho Gaúcho, que entendia, cada dia mais, que a torcida atleticana estava com ele. E era óbvio que os torcedores estariam com ele, já que não é todo dia que um gênio honra as cores da sua equipe.

Mágica do futebol. Sorte do atleticano. Um direito de poucos foi comemorar títulos com Ronaldinho Gaúcho no clube. Uma honra poder ter o visto desta forma em campo. Os atleticanos devem agradecer e idolatrar Ronaldinho Gaúcho.

Um ídolo. Um gênio. O Bruxo. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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