Muito calor, pouco futebol. Cruzeiro é derrotado pelo líder Cuiabá no último lance

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

O jogo iniciou às 21 horas, no horário local. Os termômetros marcavam 33º C. O calor e a baixa umidade são as desculpas perfeitas para a má atuação das duas equipes. Com razão, o jogo foi muito prejudicado pela temperatura. Com certeza é muito complicado atuar sob estas adversidades. Porém o desempenho cruzeirense deveria ter sido melhor.

O time deixou a desejar, não conseguiu ter um destaque e sofreu um gol bobo no último lance. Errou. Foi castigado. O placar deste sábado, 03, na Arena Pantanal marcou 1 a 0 para o Cuiabá contra o Cruzeiro. Uma partida ruim, com baixo desempenho das duas equipes. Mas o time mato-grossense conseguiu aproveitar uma falha e venceu.

Com o resultado, o Cruzeiro voltou a finalizar a rodada na zona do rebaixamento. O gigante de Belo Horizonte havia saído após a última partida, quando venceu a Ponte Preta, porém retornou ao Z-4, com 11 pontos. A Raposa está 2 pontos atrás do Figueirense, o 16º, e empatada com o Guarani e com Sampaio Corrêa – vale ressaltar que o time maranhense tem 3 jogos a menos.

Já o Cuiabá abriu mais distância na liderança com o gol de Felipe Marques. Neste momento, a equipe do centro-oeste está 4 pontos à frente da vice-líder Chapecoense. Mesmo jogando mal, o Cuiabá conseguiu mais uma vitória em casa e segue firme em busca do sonho de jogar a Série A. 

A partida pode ser resumida por um adjetivo: ruim. Faltou intensidade, criatividade e organização para ambas as equipes. Venceu quem aproveitou a falha do adversário. Sorte do Cuiabá.

O calor que está presente em todo o território brasileiro e, principalmente, no Mato Grosso, é sim uma razão para esta atuação horrorosa. O problema físico das duas equipes foi evidente, porém é necessário corrigir alguns erros, como a organização do meio-campo. 

Maurício e Régis juntos não conseguem se encaixar. Em muitas oportunidades os dois atletas estavam no mesmo lugar e não conseguiram criar uma jogada sequer. Porém, ao substituir os dois no mesmo momento, Ney Franco cometeu um grande erro, já que deixou a equipe sem um organizador, que mesmo em um dia ruim, poderia resolver. 

O jogo

O 1º tempo foi muito ruim – assim como o jogo. A bola ficou presa no meio-campo e, até mesmo pela alta temperatura, nenhum dos times apresentou bom volume de jogo. Aos 13, após receber de Maurício e Arthur Caíke fazer um corta-luz, Sassá adiantou e bateu cruzado. A bola passou próxima ao gol de João Carlos. 

Durante a 1ª parte houve várias paralisações e até o minuto 43 não havia tido emoções na partida. Mas quando a emoção chegou, foi em dose tripla.

Em escanteio cobrado por Elvis, o centroavante Jenison cabeceou livre e obrigou Fábio a fazer grande defesa. O goleiro, que completou 899 jogos pelo Cruzeiro neste sábado, fez uma grande defesa e a bola bateu no travessão.

No rebote, Maxwell deu uma “meia-bicicleta” e Matheus Pereira tirou em cima da linha. Novamente a bola foi rebatida. Desta vez Luiz Gustavo cabeceou firme e o lateral esquerdo, que havia tirado a última bola, entrou na frente de Fábio e evitou mais um gol. Um apagão da defesa cruzeirense, que só não sofreu gol neste momento pelos milagres de Fábio e Matheus. 

Após o susto, o Cruzeiro até tentou chegar, mas como em todo o jogo, a equipe azul celeste não teve criatividade. Ramon testou firme, aos 45, mas a bola passou por cima da meta do time mato-grossense. No minuto seguinte, Régis tentou de fora da área, no entanto isolou.  

O 2º tempo começou da mesma forma. Logo aos 8, Ney Franco tirou seus meio-campistas criativos, Maurício e Régis, e colocou Marcelo Moreno e Rafael Luiz. Sim, eles não estavam bem em campo e eles juntos não estavam funcionando.

Porém, Ney Franco poderia ter tentado deixar um deles em campo. Talvez em um “momento de lucidez”, o camisa 10 ou o 11 poderia criar alguma chance de gol.  É importante frisar que o Cruzeiro não tem outro organizador no elenco – Ney Franco até disse na coletiva pós-jogo que Roberson é meia de ligação, mas Ney, ele não é.

Com estas substituições e outras mexidas do treinador – como a entrada de Roberson – o Cruzeiro não conseguiu reagir. O Luverdense também não estava desempenhando um bom futebol. O 2º tempo estava terminando e os goleiros não haviam trabalhado nestes 45 minutos finais. Até que uma infantilidade tira um ponto do Cruzeiro. 

A Raposa teve uma chance de alçar bola na área aos 48. Mandou quase todos os jogadores para a área e deixou apenas Matheus Pereira e Machado, cobrador da falta, mais perto da defesa. Após a zaga rebater, o Cuiabá encaixou um contra-ataque mortal.

Machado, melhor em campo pelo lado cruzeirense, errou o bote e deixou o campo aberto para o líder da Série B. Yago, ponta-direita velocista, acelerou e cruzou. A bola desviou e Fábio tentou interceptar. O grande goleiro chegou atrasado e viu Felipe Marques testar para o fundo das redes. 

Era o último minuto de jogo. O último lance. A vitória do Cuiabá foi cruel e castigou um fraco Cruzeiro, que decepcionou mais uma vez. 1 a 0 no placar e mais 3 pontos para o líder. 1 a 0 no placar e mais uma rodada no Z-4 para o Cruzeiro.

Não adianta encantar na quarta e decepcionar no sábado. As atuações devem ter regularidade, a fim de buscar o objetivo de voltar à Série A. É necessário repetir: mudanças devem ser feitas. Um gigante não pode se acomodar com um bom jogo apenas. Um gigante não pode estar em 17º na Série B.

O Cruzeiro volta a campo na próxima quinta-feira, 08, no Mineirão, contra o Sampaio Corrêa, 18º colocado. 

Números da partida
Cuiabá Cruzeiro
46%Posse de bola 54%
13 Finalizações 7
5 Finalizações no gol 2
2 Escanteios 2
2 Impedimentos 2
13 Faltas 22
3 Grandes oportunidades 0
2 Grandes oportunidades perdidas 0
1 Finalizações na trave 0
360 Passes 413
275 (76%) Passes certos 332 (80%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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