Um Galo muito forte em campo desperta a atenção fora de campo também

Fonte: Pinterest

A escala da ESPN me coloca amanhã em um jogo de um time que vou comentar pela primeira vez. É um jogo da segunda divisão da Inglaterra. De um lado está o Bournemouth, que caiu da Premier League na temporada passada, e do outro lado está o Coventry, que subiu.

Minha obrigação, como sempre, é encarar o desafio e estudar. Tento ver jogos dos times envolvidos, tento buscar as últimas escalações e suas variações, dou uma boa vasculhada nos jornais locais, reúno o maior número de informações que consigo e, ainda assim, nunca dá para falar que está tudo completamente dominado. Nunca está. Tento, para justificar a escolha pelo meu nome, não decepcionar. Faz parte do trabalho de um comentarista.

Em toda atividade somos chamados ao novo e ao desafio. Entendo como uma postura elogiável quando o suor brota no rosto fruto do esforço e comprometimento com a preparação para o trabalho. Não se engane: se o narrador me fizer uma pergunta que eu não faço ideia da resposta, usarei a frase da Glória Pires e não tentarei sair dando chutes para todos os lados.

Glória Pires, em uma transmissão de cerimônia de premiação de Oscar, não teve dúvida em soltar alguns “não sou capaz de opinar”. Ninguém tem que saber tudo sobre tudo o tempo todo. Ninguém sabe e poucos conhecem o poder libertador de um “não sou capaz de opinar” ou de um “não sei, mas vou procurar a informação para você”.

O post não tem a menor pretensão de falar sobre qualquer tipo de estatueta, o assunto é o Galo e a gigante nuvem de boatos que envolve o clube.

Se qualquer clube for denunciado por falta de pagamento de salários, a punição não virá antes de uma notificação. A notificação já serve para perceber que a coisa ficou feia e que chegou a hora de dar um jeito de pagar rapidamente.

O torcedor normalmente assume uma postura reativa e parte para a briga nas redes sociais e talvez até ajude a clicar e a clicar de novo no post da vez. Eu, tentando seguir o caminho que aprendi, procurei Lásaro Cândido, vice-presidente do Atlético, e ele passou muita tranquilidade no caso. E sim, relatou, quase que em tom de desabafo, que tem ficado decepcionado com o rumo que o jornalismo esportivo tem tomado.

É claro que o clube não pode atrasar salários. É errado e, no meu modo de ver, não cabe discussão. Daí para cair no campo de especulações de que o clube vai sofrer denúncia, de que vai perder pontos e de que pode sofrer sérias sanções já acho algo meio alucinógeno demais. Nem existe a denúncia e, se existisse, ela teria que chegar ao STJD e depois seria dado um prazo para a quitação da dívida. É muita viagem.

A campanha do Atlético tem despertado a atenção de muita gente que no máximo achava pitoresco o clube que tem um galo como mascote. O clube montou um time competitivo e candidato a títulos e isso incomoda. É muito importante que a direção não deixe brechas e que siga o caminho com correção.

Repito: é errado atrasar salário e não é legal concordar com os atrasos. Como os clubes de futebol e as redações são compostos por seres humanos, erramos de todos os lados. Minha postura, e estou cansado de saber que não sou ninguém na vida, é de tentar escapar do flerte com o clique fácil e me buscar reviver a paixão pelo que julgo correto. Concordo com você, Glória, muitas vezes é melhor não responder nada mesmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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