Olhar tático | Vale a pena insistir em Marcelo Moreno?

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

É evidente que o Cruzeiro atravessa um mau momento esportivo. São necessárias mudanças para que o gigante mineiro se reerga e volte à elite do futebol brasileiro, principal objetivo do ano. Com apenas 8 pontos nas 11 primeiras rodadas, o Cruzeiro amarga a 17ª posição, dentro da zona do rebaixamento para Série C.

Outro ponto evidente é que Marcelo Moreno é uma das lideranças deste elenco. O atacante de 33 anos é um dos jogadores mais queridos pela torcida, até mesmo pela sua raça, vontade e identificação com a camisa azul celeste. Um dos poucos jogadores deste atual elenco que entende quão grande é o Cruzeiro. 

Porém, mesmo com todos estes elogios fora de campo, Marcelo Moreno está decepcionando dentro dele e é, constantemente, alvo de críticas. Com apenas 2 gols desde a volta – um de pênalti contra o Guarani e um de cabeça contra o CRB – Moreno não está realizando a sua função de centroavante com o mesmo primor ao comparar com as outras passagens. 

As passagens de Moreno no Cruzeiro

As memórias dos cruzeirenses com o “Flecheiro Azul” são válidas e justas. O atacante boliviano, filho de brasileiro, esteve no Cruzeiro em duas oportunidades antes de retornar em 2020.

Em 2007, Moreno foi contratado junto ao Vitória e ficou pouco mais de um ano no Cruzeiro. Até meados de 2008, o centroavante fez 36 jogos e 21 gols, média de 0,58 gols por jogo. Esta boa média e a disposição em campo fizeram com que a torcida se apegasse ao atacante que foi o artilheiro do time mineiro na Libertadores 2008, com 8 gols, e marcou em uma goleada, por 5 a 0, contra o rival Atlético.

Em maio de 2008, após vencer o Campeonato Mineiro, Moreno foi vendido para o Shakhtar Donetsk por 9 milhões de euros. Vale ressaltar que nesta época o boliviano tinha apenas 21 anos e era tido como uma promessa, por isso os valores foram altos. 

Em 2014, após passar por Grêmio e Flamengo no Brasil, Marcelo Moreno retornou à sua casa. De volta para a Toca da Raposa, Moreno foi, novamente, campeão mineiro e ainda chegou mais longe. Ele chegou em um time que havia sido campeão brasileiro, conseguiu ser titular e artilheiro do bicampeonato brasileiro. Em 57 jogos, Moreno fez 24 gols, média de 0,42 por partida. 

Neste ano, Moreno deixou a China e decidiu retornar ao Cruzeiro no momento mais delicado da Raposa. Ele é uma grande pessoa. O atacante compreendeu a necessidade de lideranças, ainda mais na parte ofensiva, e voltou com a ideia de ajudar a equipe. Porém a ajuda, pelo menos dentro de campo, não está sendo visualizada.

Com 33 anos, o centroavante não é mais o mesmo. Sem ajudar na tática por estar sem tanta mobilidade, finalizando pouco e errando passes, Marcelo Moreno não está no nível que se espera do 2º maior artilheiro estrangeiro da história cruzeirense, apenas 3 tentos atrás de Arrascaeta. 

Vale a pena insistir em Moreno em um momento que necessita urgentemente de resultados?

A pergunta é feita em muitas discussões de cruzeirenses. É um jogador marcante da história do Cruzeiro. Vitorioso, 108 jogos e 47 gols na bagagem – somando as 3 passagens – e uma identificação rara com a torcida do Cruzeiro.

Mas ao analisar que foram apenas 2 gols em 15 jogos, em uma temporada que urge por gols e por vitórias, a unanimidade de Moreno na função começa a ser debatida. 

Como concorrentes, Marcelo Moreno só tinha Thiago, jogador jovem e recém promovido da base. No entanto, nos últimos dias, o Cruzeiro reintegrou Sassá, polêmico, porém talentoso centroavante, e Zé Eduardo, jovem da categoria de base que estava emprestado ao América-RN e era um dos destaques da equipe.

Estes atacantes poderão acrescentar mais que Moreno? Ou o problema está antes da referência, isto é, na criação de jogadas? É uma dúvida que ainda não há uma conclusão certa, todavia testes devem ser feitos para tentar melhorar o time.

Por que Marcelo Moreno está mal?

Se faz necessário, primeiramente, lembrar que não se trata mais de um garoto. Na 1ª passagem, ele tinha 20 anos. Era leve, corredor, voluntarioso e estava começando a carreira. Quando retornou ao Cruzeiro, em 2014, ele estava com 27 anos, auge físico dos atletas de linha.

Atualmente ele está com 33 anos. É outro jogador. Mesmo se preservando, treinando bem, o físico não é o mesmo. A velocidade, agilidade, compreensão tática e, até mesmo, os fundamentos foram danificados. 

Outro ponto importante de ser frisado é que Marcelo Moreno não conseguiu se firmar em nenhuma outra equipe sem ser o Cruzeiro. Após ser vendido para o Shakhtar, o boliviano foi emprestado ao Werder Bremen e Wigan. Logo depois, o time ucraniano negociou o centroavante com o Grêmio.

Em Porto Alegre, Marcelo teve até bons momentos, mas já em 2013, um ano após a sua contratação, foi emprestado ao Flamengo, onde não deixou saudades. Logo em seguida, Moreno voltou ao Cruzeiro. Em 2015 ele foi vendido para o Changchun Yatai, da 1ª divisão chinesa, e ficou no Oriente até este ano. 

Na China, Marcelo Moreno também jogou no Wuhan Zall e no Shijiazhuang Ever Bright. Por estas equipes, o atacante atuou na 2ª divisão chinesa e mesmo assim não conseguiu ser destaque, sendo até afastado no Wuhan e indo para o time B.

O Cruzeiro é, certamente, o local onde Marcelo Moreno se sente mais à vontade. Os números, as conquistas e a idolatria elucidam bem esta afirmação.

A Toca da Raposa é a casa de Marcelo Moreno, mas talvez seja o único lugar que ele tenha jogado bem. O futebol apresentado por Moreno nas passagens anteriores pelo Cruzeiro foi algo raro na carreira. O normal do boliviano é o que está apresentando atualmente e apresentou nos outros times? Fica a dúvida.

Cruzeiro e Moreno

Moreno é um jogador muito importante no vestiário, já que, com certeza, passa muita experiência e compreende o atual momento. Porém, o Cruzeiro necessita de resultados e, consequentemente, retornar à Série A. Por isso, os melhores devem entrar em campo e, atualmente, Marcelo Moreno não é a melhor opção. 

Talvez seja o momento da própria experiência do boliviano entender isso e ceder o espaço aos mais jovens em prol de um Cruzeiro melhor. A recuperação deve acontecer com um elenco unido e que queira o melhor para a Raposa.

Marcelo Moreno deve continuar no elenco, pois tem talento, além de, em breve, se consolidar como maior artilheiro estrangeiro da tradicional camisa azul celeste. Mas, caso alguma mudança ofensiva aconteça, um centroavante com 2 gols no ano deve ficar mais tempo como suplente. 

Um jogador raçudo. Voluntarioso. Ídolo cruzeirense. Mas que não anda agregando muito a tática e nem a técnica do Cruzeiro. Ele não se movimenta bem e não está com os fundamentos “em dia”.

Moreno tem talento, mas não está apresentando. O Cruzeiro precisa de gols, resultados e melhor desempenho. Repito, a Raposa precisa de mudanças e, com as opções atuais, a camisa 9 pode ser a 1ª alteração.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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