Neste dia, há 3 anos, Cruzeiro derrotava Flamengo e se tornava pentacampeão da Copa do Brasil

Lucas Figueiredo/CBF

O maior campeão da Copa do Brasil. O 1º e único a se tornar penta e hexacampeão da competição de mata-mata. Um time tradicional e copeiro. Esta é o DNA cruzeirense. 

No dia que completa 3 anos desta importante conquista, sobre o Flamengo, os torcedores suplicam que os atuais jogadores, comissão técnica e membros da diretoria entendam o tamanho da instituição Cruzeiro Esporte Clube.

Uma crise está instaurada na Raposa. Além da financeira, que está longe do fim, a esportiva aparenta não ter sido resolvida. O time está na zona de rebaixamento para a Série C. Os torcedores, na sua maioria, não merecem este descaso. Os cruzeirenses merecem o Cruzeiro multicampeão.

Estes torcedores, que sofreram no último ano e seguem acompanhando na Série B, estavam vibrando no dia 27/09/2017, há exatos 3 anos, quando Thiago Neves marcou o último gol de pênalti e o Cruzeiro se sagrou pentacampeão da Copa do Brasil. 

As prateleiras cruzeirenses estão lotadas de glórias. Hexacampeão da Copa do Brasil, tetracampeão do Brasileirão, bicampeão da Libertadores e muito mais. Mas este título, em 2017, teve um gosto ainda mais especial. 

O Grêmio havia levantado a taça de campeão em 2016 e igualou ao Cruzeiro como os maiores campeões da competição. Tradicionalmente, a Raposa mandava na Copa do Brasil. Por isso, ao vencer em 2017 e repetir o feito em 2018, o Cruzeiro se consolidou como o “dono” da Copa do Brasil.

A partida

A final de 2017 não foi fácil. O Flamengo tinha um bom time e impôs duas boas partidas contra o Cruzeiro. No dia 07/09 aconteceu a 1ª partida da final, no Maracanã. Lucas Paquetá, impedido, abriu o placar para o time carioca, mas Arrascaeta, 4 minutos após entrar em campo, marcou e definiu o empate em 1 a 1. 

Como o critério de desempate não era o gol fora, qualquer empate no Mineirão, no dia 27, faria com que a decisão fosse para os pênaltis. E foi isto que aconteceu.

O jogo foi muito bom, 29 finalizações no total – 14 chutes cruzeirenses e 15 flamenguistas- e um duelo tático interessante entre Mano Menezes e Reinaldo Rueda. O placar de 0 a 0 não ilustra quão eletrizante foi o jogo. 

O Cruzeiro entrou em campo com Fábio, Ezequiel, Murilo, Léo, Diego Barbosa, Hudson, Henrique, Thiago Neves, Robinho (Rafinha), Alisson (Élber) e Raniel (Arrascaeta). O centroavante da base, que vivia o melhor momento dele com a camisa cruzeirense, sentiu logo aos 3 minutos e deu lugar a Arrascaeta, que era suplente, já que estava retornando de lesão.

Vale ressaltar que apenas 4 dos jogadores relacionados pelo Cruzeiro permaneceram na equipe. Fábio, Léo, Henrique e o reserva Manoel estavam na glória e continuam em meio a esta crise que o Cruzeiro enfrenta.

Retornando à partida que consagrou a equipe cruzeirense, Guerrero, atacante que atuava no Flamengo na época, assustou os cruzeirenses logo no início, ao acertar um belo chute no travessão, em uma cobrança de falta.

Além deste chute de Guerrero, o 1º tempo ficou marcado por algumas oportunidades, mas nenhuma boa finalização no gol. O Cruzeiro até que chegou com Thiago Neves e com Arrascaeta, por duas vezes, mas não conseguiu fazer com que Muralha, goleiro do Flamengo, trabalhasse. 

A segunda etapa ficou marcada pelo receio de se expor. O empate de 0 a 0 levava aos pênaltis e o Cruzeiro confiava no seu ídolo Fábio, que havia sido protagonista na semifinal contra o Grêmio. O goleiro foi testado durante a 2ª etapa em bons chutes de Diego e Guerrero, mas, como de costume, Fábio fez boas defesas.

Pelo lado cruzeirense, Arrascaeta teve a grande chance, após Muralha tirar mal. O jogador uruguaio, que atualmente joga no adversário daquela final, não conseguiu testar conscientemente e perdeu a melhor chance da 2ª etapa.

O placar não foi alterado e o fim de jogo marcou um empate sem gols, no Mineirão. As 61017 pessoas que estavam no Gigante da Pampulha naquela noite de quarta-feira, 27/09/2017, estavam angustiados e nervosos. O “caneco” seria decidido nas penalidades máximas.

Henrique bateu o 1º pênalti e fez. Guerrero também. Os experientes zagueiros Léo e Juan marcaram na 2ª rodada. Hudson, que atualmente joga no Fluminense, fez o seu. Até então, a disputa estava com 100% de aproveitamento. 

Até que Diego, armador do Flamengo, foi para a “marca da cal”. Diego chutou no canto direito de Fábio, que fez uma grande defesa, em mais uma noite histórica para um dos maiores ídolos da Raposa.

Na sequência, os laterais Diego Barbosa e Trauco balançaram as redes. A última cobrança sobrou para Thiago Neves, que usava a camisa número 30 na época. O TN30, como era carinhosamente chamado, foi para a bola, escorregou, mas acertou o ângulo esquerdo de Muralha – o goleiro flamenguista pulou todos os pênaltis para o mesmo lado.

Com o gol de Thiago Neves e a defesa de Fábio no 3º pênalti, o Cruzeiro se sagrou pentacampeão da Copa do Brasil. A festa durou muitos dias na capital mineira e o feito iria se repetir no próximo ano. 

3 anos de uma conquista que isolou o Cruzeiro no ranking de vencedores da Copa do Brasil. Um time, indiscutivelmente, de muita tradição. O torcedor hexacampeão do torneio de mata-mata valoriza muito este título e idolatra alguns destes jogadores vitoriosos.

Não é coerente dizer que o bicampeonato da Copa do Brasil desencadeou a atual crise. O Cruzeiro foi, com muita justiça, campeão há exatos 3 anos atrás.

Os torcedores merecem um Cruzeiro diferente do atual. Um Cruzeiro que lembre este e tantos outros vitoriosos que honraram a camisa azul celeste. Olhar o passado é importante para ver o que deve ser feito no presente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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