Análise | Com falhas defensivas e baixa eficiência ofensiva, Cruzeiro foi derrotado pelo CSA

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Até então, o ponto mais regular e consistente do Cruzeiro era a defesa. No entanto, este setor falhou bastante no confronto com o CSA e a Raposa acabou sendo derrotada. O resultado de 3 a 1 até pode ser contestado com estatísticas, porém a atuação fraca da equipe cruzeirense foi o fator principal para mais um revés, a 4ª derrota na Série B.

Com a derrota, o Cruzeiro perdeu 2 posições e é o 15º colocado, com a mesma pontuação do Guarani, 1º time na zona do rebaixamento. A Raposa ainda tem um jogo a mais que alguns concorrentes, ou seja, Botafogo-SP e o próprio CSA têm possibilidade de ultrapassar o time azul celeste.

O Cruzeiro volta a campo na próxima sexta, 25, contra o Avaí, ás 21:30, no Mineirão.

Domínio das estatísticas, mas falta de controle na prática

O Cruzeiro começou em cima no 1º tempo. Marcando alto e pressionando. Logo no minuto inicial, Airton tabelou com Régis e acertou a trave. Porém os primeiros minutos bem jogados pela equipe mineira foram apagados pelas falhas defensivas em seguida.

Aos 11 minutos, o zagueiro Cleberson, livre, testou firme. 17 minutos depois foi a vez do outro zagueiro. Alan Costa cabeceou e marcou. A defesa vacilou e a vantagem do CSA foi construída.

Mesmo finalizando mais e tendo a bola, o Cruzeiro não conseguia pressionar de forma que o CSA ficasse sem saída. Desta forma, o fim do 1º tempo e boa parte do 2º foram bem mornos, com destaque apenas para Matheus Pereira e Jean.

O lateral esquerdo fez uma boa partida e marcou o seu 1º gol como profissional, em uma boa tabela com Roberson. Entretanto, 4 minutos depois o CSA aumentou a vantagem novamente, decretando o triunfo alagoano.

Aproveitamento ruim mesmo com a punição

A punição de menos 6 pontos não é uma desculpa aceitável para o momento do Cruzeiro. É verdade que o Cruzeiro só está tão próximo do Z-4 por causa da penalização. No entanto, o aproveitamento da Raposa é semelhante ao do Náutico: 46,7%, ou seja, se não tivesse sido punido, o time mineiro estaria na também decepcionante 9ª posição.

O problema do Cruzeiro são as recentes atuações, pois uma única vitória em 8 jogos não pode ser um desempenho aceitável para um gigante como o Cruzeiro.

Esquemas de Ney Franco

Ao enxergar que o seu time havia baqueado após sofrer 2 gols de bola parada, Ney Franco promoveu mudanças urgentes, as quais aconteceram ainda no 1º tempo. A formação foi mexida, todavia o desempenho não.

Na falta de Marcelo Moreno, Ney optou por Maurício e Régis juntos, revezando as funções de camisa 10 e falso 9. Aos 30, 2 minutos após o 2º gol alagoano, o treinador tirou Jadsom e colocou Thiago. O centroavante se tornou a referência no ataque e Maurício foi recuado para fazer a saída de bola.

Após 6 minutos, Ney Franco tirou Arthur Caíke, que havia sentido uma lesão, e colocou Daniel Guedes. Com isso, Rafael Luiz foi adiantado para a ponta e Daniel fez a função do lateral.

No 2º tempo, aos 12 minutos, o treinador fez a sua última parada para substituições e colocou Roberson e Machado, tirando as suas duas opções de velocidade: Airton e Rafael Luiz. O time ficou mais cadenciado, voltou a dominar o meio-campo, mas não tinha válvula de escape. Um dia ruim do treinador cruzeirense.

Precisamos falar sobre Matheus Pereira e Jean

Novamente os destaques da partida foram Jean e Matheus Pereira. O experiente volante acertou 89% dos passes que tentou e fez outra boa partida. Vale ressaltar que Jean ficou como único volante durante um período do jogo, ou seja, ficou sobrecarregado e mesmo assim foi bem.

Matheus Pereira teve uma noite especial que, infelizmente, se encerrou com a derrota. O jovem lateral marcou o 1º gol como profissional, além de ter sido o atleta cruzeirense que mais chutou, 6 vezes, e que mais tocou na bola, com incríveis 130 toques. A bola esteve com Matheus. Olho no garoto!

Uma noite terrível de Cacá e Léo

Um ponto sólido do time cruzeirense sempre foi a defesa. Mesmo em uma grande crise esportiva desde o ano passado, o Cruzeiro conseguiu manter uma defesa constante. Porém Cacá e Léo foram muito mal nesta última partida e foram responsáveis pelos 3 gols sofridos, visto que deixaram os atletas livres de marcação.

Como exemplo da distração defensiva é possível expor o 1º gol, feito por Cleberson. Havia 4 jogadores de olho em um atleta do CSA e deixaram o zagueiro livre. Com sua boa estatura, ele testou firme, sem chances para o goleiro Fábio.

Raúl Cáceres dependência?

Foi a 1ª partida na Série B sem Raúl Cáceres e foi, sem dúvidas, a pior partida defensiva. Coincidência? É possível dizer que não. Mesmo que Rafael Luiz e Daniel Guedes não sejam culpados, os suplentes tem característica diferente do lateral paraguaio. Raúl fica mais preso e auxilia Léo na marcação. Ele deve retornar aos treinos nas próximas semanas.

Onde estão as lideranças para cobrar?

Mesmo com ídolos na equipe, como Fábio, Léo e Henrique, o torcedor se pergunta onde estão os líderes que cobram e estimulam o elenco, já que o time urge por um “chacoalhão”. Em muitos momentos, a equipe do Cruzeiro demonstra apatia em campo e não se esforça como a torcida suplica. É necessário raça, vontade e garra para superar o momento atual.

Por que Roberson e não Claudinho?

Mais uma escolha contestável de Ney Franco foi a entrada de Roberson. Ok, Roberson deu a assistência para o gol de Matheus Pereira, mas é incontestável a sua falta de técnica. O jogador é muito criticado pela torcida, com razão.

A pergunta que fica é o porquê de não escalar Claudinho. O atleta esteve em campo em apenas 14 minutos neste mês, tem maior potencial e é mais novo que Roberson. Claudinho merece uma chance, em meio a um banco de suplentes fraco do Cruzeiro.

Números da partida
CSA Cruzeiro
29%Posse de bola 71%
8 Finalizações 14
2 Finalizações no gol 5
4 Escanteios 9
1Impedimentos 0
15 Faltas 8
3 Grandes oportunidades 0
1 Grandes oportunidades perdidas 0
1 Finalizações na trave 1
256 Passes 605
164 (64%) Passes certos 529 (87%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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