Olhar tático | Qual é importância de Léo no esquema do Cruzeiro?

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

400 jogos com a camisa azul celeste. Sim, Leonardo Renan Simões de Lacerda já está na história do Cruzeiro e isso é indiscutível. São 10 anos seguidos atuando no gigante de Belo Horizonte. A carreira de Léo se confunde com a década do Cruzeiro.

Léo esteve em várias glórias, foi bicampeão do Brasileirão e da Copa do Brasil, além das 4 taças de campeão estadual. Ao mesmo tempo que ele esteve nas conquistas, Léo fez questão de estar com o time no pior momento da história cruzeirense. Ele nem hesitou. Ele ficou e abraçou a causa da reconstrução. Léo ama o Cruzeiro.

Durante os últimos 10 anos, Léo entrou em campo como titular 387 vezes e como suplente em outras 13 oportunidades. São 400 jogos, feito completado na última partida, frente o Vitória. Léo é o 18º jogador que mais vestiu a camisa azul celeste e deve subir ainda mais neste ranking.

O atual capitão cruzeirense está com 32 anos, com contrato até fim de 2022 e deve ficar ainda mais tempo. Nascido em Belo Horizonte, Léo se sente, literalmente, em casa na capital mineira. Ele foi revelado pelo Grêmio e, após 119 jogos com o time gaúcho, Léo se transferiu para o Palmeiras.

O zagueiro teve uma curta passagem em São Paulo. Em 13 de agosto de 2010, mais de 10 anos atrás, o Cruzeiro anunciou a contratação de Léo, em uma negociação que envolveu a ida do também zagueiro Leandro Amaro e a quantia de 1 milhão de reais.

Essa negociação financeiramente baixa não corresponde com o retorno dado por Léo. O zagueiro é uma das grandes referências técnicas e táticas do Cruzeiro nos últimos anos, mesmo sendo contestado em alguns momentos.

Como atua taticamente?

A liderança de Léo dentro de campo é evidente. Em um time que conta Fábio, o maior recordista de jogos da equipe, a faixa de capitão fica com Léo, que tem a característica de cobrança e de guiar o time aos objetivos.

Porém, o aspecto tático que mais chama atenção em Léo não é algo facilmente percebido pelos torcedores. Léo, durante toda a sua passagem pelo Cruzeiro, conseguiu ser um defensor camaleão, isto é, se adaptou a diversas funções na defesa e ajudou a equipe mineira em várias oportunidades.

Ao chegar no Cruzeiro, com apenas 22 anos, Léo foi utilizado como lateral direito. Isto aconteceu, precisamente, em 2011. Léo fez boas e seguras partidas, mesmo não atacando tanto e ajudou a Raposa naquele ano que terminaria com o alívio do não rebaixamento e a fatídica goleada sobre o rival Atlético por 6 a 1.

Nos anos seguintes, Léo foi utilizado como zagueiro. Em qual ponto da defesa entra a sua rápida adaptação?

Algo conhecido na tática de todos os zagueiros é que eles têm lados que dominam. Antigamente, tratavam os defensores centrais como “beque central” – os zagueiros que atuavam pela direita – e “4º zagueiro” – aqueles que jogavam pela esquerda. Em um time organizado taticamente, os lados dos defensores são bem definidos e entrosados, sendo muito importante na marcação e saída de bola. 

Por isso, Léo é diferenciado. Durante a sua passagem pelo Cruzeiro, o atleta jogou dos dois lados, compreendendo qual seria a melhor função do seu companheiro e assim se adaptava àquela posição.

Por exemplo, quando fazia dupla com Dedé, jogador que prefere atuar pela direita, Léo era deslocado para a esquerda, a fim de conceder a Dedé o seu melhor lado. Durante vários anos desta parceria, Léo atuou com autoridade na esquerda, não sentindo dificuldade.

Em 2017 e 2020, Léo fez companhia às joias cruzeirenses: Murilo e Cacá. O primeiro foi vendido em 2019 para o Lokomotiv Moscou e o segundo é o jogador mais valioso do elenco atual. Tanto em 2017, quanto neste ano de 2020, Léo foi para a direita, entendendo que os garotos têm como característica jogar pela esquerda.

Mapa de calor de Léo nos últimos 4 anos.
2017 e 2020 pela direita, com Murilo e Cacá respectivamente. Em 2018 e 2019 pela esquerda, com Dedé. Fonte: Sofascore.com

Qual a importância disso? Gigantesca taticamente e profissionalmente falando. Léo consegue entender qual é a melhor forma de se encaixar com o companheiro e proporcionar a melhor função para o outro atleta. Com isso, ele consegue potencializar os seus companheiros. Ele sempre pensou no coletivo, mesmo que afetasse a sua posição preferida.

Vários jogadores passaram pela defesa do Cruzeiro. Léo foi reserva em alguns anos. Com certeza a dupla Bruno Rodrigo e Dedé é lembrada pela torcida, por causa da conquista do Brasileirão de 2013. Léo estava no banco e não reclamava. Entendia que aquela dupla era boa para a equipe.

São simples detalhes que solidificam um ídolo. Léo é grande. A idade está chegando, a decaída técnica irá acontecer. Nada fora do normal. Ele nunca quis abandonar o Cruzeiro, mesmo em uma crise enorme como se apresentou no último ano. Léo quis ficar. Léo é diferente.

Nunca foi o melhor zagueiro do Cruzeiro. Isso é unânime. Outra afirmação indiscutível é que nunca faltou raça, vontade e amor à camisa. Léo honra a camisa celeste. Ele tem liderança nas veias. O zagueiro é importantíssimo taticamente. Léo é e sempre será Cruzeiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Futebol Nacional

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Luiz

Fiz uma promessa a dois anos: enquanto o Cruzeiro tiver Fábio, Léo e Henrique eu não assisto e nem compro nem um produto do Cruzeiro. Quanto ao Léo, sua opinião não tem nada a ver com a minha. Não cobre os laterais, não antecipa, fácil de ser driblado, lento. É o zagueiro raquete, só sabe rebater.

Arizio José Azevedo

Ignorante é aquele que não soma. Leo é cruzeirense e se doa como citado acima. Se cada um fizer sua parte as forças se somam. Em um conjunto de 11, sempre teremos uns três ou quatro que iremos querer melhorar e sempre terão dias em que os craques do time não jogarão nada bem como alguns destes quatro poderão ser as vedetes da partida. Futebol é jogado e aí está a sua graça. Façamos a nossa parte como torcedor que os onze escolhidos terão mais garra dentro do campo. Críticas construtivas sempre somam e as destrutivas enfraquecem os objetivos coletivos. Abraços.

Brandom

Ser cruzeirense não é suficiente para jogar no Cruzeiro. É preciso ser bom. O Léo é tão fraco que o Cruzeiro só recebeu uma única proposta ridícula por ele, se não me falha a memória do Vitória. Concordo integralmente com a necessidade de cada um fazer a sua parte para ajudar o clube a sair dessa. Se a torcida não ajudar vai ser difícil. A única coisa que diferencia o clube no momento é sua torcida. Se ela não comparecer, quem vai fazer a diferença?

Luiz ribeiro Fonseca

Isso é marketing descarado. Com Léo e Henrique eu não assisto -nos o Cruzeiro a mais de dois anos.

Thales Resende

Zagueiro fraquíssimo, lento, não sabe sair jogando, péssimo!

Abel Almeida

Léo se destaca apenas quando joga acompanhado de zagueiro com maior impulsão, como era Dedé. Mas deixa a desejar nas saídas e no combate, pois tem recursos técnicos de qualidade razoável.
Além disso, Fábio não ajuda em nada nas bolas altas na área. PRECISAMOS MUDAR A ZAGA!!!

Antonio Tonidandel

Raçudo, valente, amor à camisa, pau pra toda obra, dá o sangue pela Esquadra Azul. Pouco importa se ñ é classudo! Quantos títulos já faturamos com ele?!

Brandom

Tem certeza que esrtá falando do Léo?

Brandom

Nunca entendi como o Léo conseguiu ser titular no Cruzeiro por tanto tempo. Gostar do clube não é suficiente. Ele é um marcador lento e exitante, pesadão, que vive falhando nos momentos importantes. Mas o pior é muito deficiente no que se refere a passar a bola. Não consegue dar um passe com mais de cinco metros. Sempre volta a bola. Junto com o Ariel e o Henrique, teria feito um grande favor ao clube saindo para não voltar. De todos os zagueiros atuais do time ele é o mais sem recursos. É necessário dar a titularidade a quem merece.

Brandom

Outra coisa: façam uma pesquisa. O Léo deve ser o zagueiro que mais fez pênaltes no Cruzeiro. Atualmente ele não faz tantos pênaltes. Mas o motivo é que está mais omisso nos jogos.

geraldo

A hora desse sujeito ja passou, esse ¨JORNALISTA¨ta recebendo quanto, toma vergonha sujeito, voce e atleticano. A unica coisa que esse zagueiro tem e um empresario forte. mas a panela esta chegando ao fim. Voces atleticanos, sabem que com leo, henrique e cabral, somos mais vuneraveis, trio de rebaixados, fora do cruzeiro.