Cruzeiro perde para o Brasil de Pelotas em mais uma atuação decepcionante

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Nesse jogo o problema não foi o campo, como contra o Confiança.
Nesta partida a questão não foi a desvantagem no placar, como na eliminação frente o CRB.
Na derrota desta quarta o problema não foi que o adversário era melhor e mais organizado, como nas derrotas em casa contra o América e a Chapecoense.

O problema da derrota para o Brasil de Pelotas foi, simplesmente, o time do Cruzeiro.

Contra um adversário muito inferior, o Cruzeiro não conseguiu impor seu futebol, não criou boas chances, não dominou a partida e saiu derrotado. O Brasil de Pelotas, em meio a todos as suas dificuldades técnicas, conseguiu vencer a Raposa por 1 a 0, nesta quarta, 2, em casa, no Estádio Bento Freitas, graças ao gol de Gabriel Poveda. O Cruzeiro foi ultrapassado pelo Brasil e está em 16º colocado na Série B, com 4 pontos.

A escalação de Enderson não funcionou. As substituições muito menos. A forma que os jogadores estavam dispostos em campo não deu certo e o time foi derrotado para uma equipe muito inferior, que irá lutar para permanecer na Série B.

Os objetivos do Cruzeiro são bem maiores que isto. O gigante mineiro tem a obrigação esportiva e, principalmente, financeira de subir para a Série A. No entanto, se manter essa forma que está jogando, a meta ficará cada dia mais distante.

As peças foram trocadas e nada adiantou. O problema principal é tático. É necessário sair do esquema 4-2-3-1 que está deixando algumas peças rígidas. Na partida desta noite, o principal ponto foi a distância entre os 6 jogadores mais defensivos e os 4 atletas mais ofensivos.

Além da existência de um grande buraco entre a linha de volantes e a de meio-campistas, a transição estava lenta e a bola só chegava por meio de lançamentos longos. Estas tentativas de passe facilitaram o trabalho dos zagueiros do time gaúcho, que tiravam todas de cabeça.

O Cruzeiro teve domínio das estatísticas na 1ª etapa, mas não conseguiu pressionar o Brasil de Pelotas. Com pouca intensidade na marcação, a Raposa viu o fraco time xavante com a bola em alguns momentos. Foram 43% de posse de bola para o time gaúcho, número já muito alto levando em consideração a diferença técnica entre os dois times.

Mesmo sem ter total autoridade no jogo, o Cruzeiro finalizou 10 vezes no 1º tempo, sendo apenas uma no gol. Foram criadas 3 grandes chances. A primeira e melhor do jogo foi logo aos 3 minutos, quando Airton foi lançado e, utilizando da sua velocidade, entrou na área e bateu. Rafael Martins fez boa defesa com os pés, na única vez que o goleiro foi exigido na 1ª etapa.

Para o segundo tempo nenhum dos times mudou. Foi o desempenho que mudou. O Cruzeiro entrou pior e o Brasil de Pelotas melhorou. Com mais posse de bola no início da 2ª etapa, o time gaúcho conseguiu sair e criou boas chances. O Cruzeiro apresentava problemas de saída de bola e aproximação. Sendo assim, a bola era só do time xavante.

E deu resultado. Aos 22 minutos, o Cruzeiro saiu errado. Gegê abriu em Rodrigo Ferreira, que cruzou para Gabriel Poveda. O atacante, que havia acabado de entrar, antecipou Cacá e bateu forte no ângulo de Fábio, sem chances para o goleiro.

O Cruzeiro sentiu o golpe e quase sofreu mais um gol. Aos 25, em boa jogada pela esquerda, Bruno Santos cruzou e Fábio espalmou para o meio da área. Poveda estava lá novamente. Ele bateu, mas foi travado por Cacá.

Enderson substituiu, todavia substituiu mal. O time só conseguiu sua primeira triangulação na partida no minuto 29 da 2ª etapa. Arthur Caíke tocou para Marcelo Moreno. O boliviano fez o pivô para Régis, que bateu e a bola foi para fora.

O Brasil de Pelotas recuou, obviamente. Até por isso, o Cruzeiro começou a ter mais posse de bola e mais atuação no campo ofensivo. Entretanto, o mau desempenho continuou. O número de cruzamentos aumentou e os erros, consequentemente, também. Houve diversas finalizações, poucas na meta e nenhuma com perigo.

Uma derrota decepcionante da Raposa. Outra atuação péssima. Desta vez contra um time muito inferior. O Cruzeiro não conseguiu impor seu futebol e saiu derrotado. São necessárias mudanças. Um time do tamanho do Cruzeiro não pode atuar desta forma.

De ponto positivo fica a atuação de Airton, o único jogador do ataque que teve momentos bons e deu trabalho com a sua velocidade. O lateral esquerdo Matheus Pereira, estreando como titular, fez uma partida razoável e merece mais minutos.

Uma noite triste para os cruzeirenses, os quais apoiam o time independentemente do momento. Estes torcedores querem e merecem uma resposta da diretoria, da comissão técnica e dos jogadores.

O Cruzeiro volta a campo na próxima segunda-feira, contra o CRB, no Mineirão, às 20:00.

Números da partida
Brasil de Pelotas Cruzeiro
42%Posse de bola 58%
8 Finalizações 22
2 Finalizações no gol 5
0 Escanteios 5
2 Impedimentos 3
22 Faltas 18
1 Grandes oportunidades 3
0 Grandes oportunidades perdidas 3
353 Passes 460
260(74%) Passes certos 367(80%)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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