Entrevista de Pedro Lourenço não ajuda a vida do Cruzeiro

Alexandre Guzanche/ EM D.A Press

Alexandre Guzanche/ EM

Tudo o que o momento do Cruzeiro pede é sabedoria. Na mesma semana da eiminação na Copa do Brasil, o Cruzeiro emendou uma sequência de quatro jogos sem vencer, com uma derrota para o América no Mineirão. A proximidade da zona de rebaixamento é real, mas o desespero não oferece três pontos a ninguém.

A entrevista do conselheiro e investidor Pedro Lourenço ao repórter Artur Moraes, da rádio Super 91,7 FM, foi um desastre. Por mais que saibamos que ele tem dinheiro no clube, que a agremiação precisa dele e que o amor não permitiu que ele deixasse a paixão de lado, a atitude é altamente reprovável e não é boa para a imagem do Cruzeiro.

O torcedor tem todo o direito de desabafar, um conselheiro do clube sabe que tem outros ambientes para reclamar e um conselheiro investidor acaba fazendo gol contra ele mesmo. Para o corpo funcionar é preciso que cada um ajude especialmente não dando pitaco público na função que não é dele.

Agora, após mais uma derrota e após o principal investidor do clube terminar de minar o treinador Enderson Moreira o que existe é um impasse. O que fará a direção do clube? Se demitir por não gostar das atuações, acabará dando poder demais ao investidor.

Pedro Lourenço, empresário de sucesso, não deve pautar suas ações empresariais no calor da emoção. Acredito que ele busque parâmetros e análises técnicas para obter resultados melhores. A alegação de que o time não funciona como equipe requer parâmetros e análises. O futebol brasileiro tem mostrado inconstância e apenas o Inter tem feito o seu torcedor abrir o sorriso após as partidas.

O ano de pandemia que coloca jogo após jogo e times sem tempo para correção dos treinadores, também merece ponderação.

É preciso ter sabedoria. É óbvio que as coisas não andam bem. Até mesmo o torcedor não conhece mais os jogadores do time, os resultados não ajudam e o desempenho não chega a empolgar, mas aumentar o calor da fervura não traz nada além do alívio momentâneo e irracional do desabafo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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