Raça, títulos e amor à camisa: roteiro de Jesús Dátolo no Atlético

Foto: Bruno Cantini/Atlético

14/08/2013. O Atlético havia sido campeão da Libertadores nos mês anterior. Bernard acabara de sair para o Shakhtar. Logo o Galo precisava de reforços. Em uma bela oportunidade de mercado, Eduardo Maluf, icônico diretor esportivo do Atlético, buscou Jesús Dátolo no Internacional, onde o atleta havia rescindido amigavelmente. Neste dia 14, Dátolo estreava e começava uma linda história no Atlético, que contou com muita raça, títulos e amor à camisa.

O argentino Dátolo chegou ao Atlético como uma opção para a reserva de Ronaldinho, visto que o craque brasileiro poderia se ausentar devido a sua idade e outros problemas até a disputa do Mundial.

Por causa da sua polivalência, Dátolo foi utilizado com urgência no Atlético. Antes mesmo de ser apresentado, o atleta estreou contra o Bahia, pela 14ª rodada do Brasileirão 2013. O Atlético não estava bem na competição, já que estava com a famosa “ressaca” pós-conquista da América. Além disso, diversas lesões e convocações para seleção fez com que Dátolo entrasse em campo apenas 5 dias após rescindir com o Internacional.

A estreia de Dátolo foi no Independência, às 19:30, há exatos 7 anos. O time atleticano entrou em campo com: Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva, Júnior César; Pierre, Josué; Luan, Ronaldinho e Dátolo; Alecsandro. O técnico era Cuca. Diego Tardelli estava machucado e Jô na Seleção. O Atlético venceu a partida por 2 a 0, com gols de Leonardo Silva e Alecsandro.

O argentino conquistou a torcida atleticana durante os seus 127 jogos com a camisa alvinegra. Ele venceu 68 jogos, empatou 31 e perdeu apenas 28 partidas. Um retrospecto positivo de um jogador que nunca desistiu de uma jogada e entendeu como funciona o Atlético. Raça, determinação, vontade foram sentimentos que não faltaram ao meio-campista. 

Com belas atuações na Copa do Brasil de 2014, Dátolo se consolidou com um ídolo da torcida. Ao lado de Luan, seu melhor amigo da época de Atlético, o argentino fez grandes exibições na conquista em cima do Cruzeiro. Inclusive, os dois jogadores marcaram no jogo de ida da final no Independência.

Um dos momentos mais marcantes da passagem de Dátolo foi o gol frente o Flamengo no Brasileirão de 2015. Na goleada atleticana por 4 a 1, Dátolo deu um elástico embaixo das pernas de Pará e chutou de fora da área com sua excelente perna esquerda. A bola foi no ângulo, sem chances para Paulo Victor.

Momentos especiais de um jogador que sempre demonstrou respeito à camisa atleticana. Em uma entrevista para a Web Rádio Galo em 2016, último ano do atleta no Galo, Dátolo disse que “Vestir a camisa do Atlético é como dar um beijo na sua mãe, um abraço no seu pai. É inexplicável”. Sim, é inexplicável o carinho e amor que Dátolo tem pelo time alvinegro. 

Em meio a muitas lesões, ainda mais no último ano e 18 gols nas 4 temporadas, Jesús Dátolo conseguiu cativar torcedores atleticanos (sempre exigentes) que devolvem o carinho do argentino.

Em 2019, Dátolo disse que queria voltar e a torcida apoiou a ideia. Ele entrou em contato com Sette Câmara e falou que não precisava de salário alto e nenhuma outra regalia. Ele só queria voltar a vestir a camisa alvinegra. O presidente disse que queria trazer ele de volta, mas que Levir Culpi, treinador da época, não queria contar com Dátolo no momento. 

Este ano, o argentino mais vitorioso da história do Atlético falou sobre a chegada do seu compatriota Sampaoli ao comando do Galo. Dátolo disse que “Se ele entender a história do Atlético e a torcida, se combinar tudo isso, vai dar certo” e também afirmou que sempre acompanha o Atlético, mesmo a distância.

O atleta de 35 anos atualmente defende o Banfield e deve estar encaminhando à aposentadoria. Um contrato curto com o Atlético ou ao menos um jogo de despedida seria justo e valorizaria todos os esforços que o meio-campista fez pelo Galo.

Um jogador que sempre mostrou vontade, garra, raça. Ama a camisa do Atlético. Um claro exemplo de atleta que entrou jogador e saiu torcedor. Ele entende o DNA atleticano. Um ídolo: Jesús Dátolo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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